Segunda-feira, 10 de Abril de 2006

Transe e Mediunidade

Nesta entrevista, realizada há quatro anos, o escritor espírita Lamartine Palhano Jr. explica os tipos de transe mediúnico de acordo coma doutrina espírita. O que é realmente o transe? Quero lembrar que Allan Kardec perguntou aos espíritos se os médiuns, na hora das manifestações, permaneciam num estado especial. Os espíritos responderam que estavam numa espécie de "crise", tanto que isto gerou o termo "crisíaco". Mas naquele tempo, a psicologia ainda não usava o termo "transe", que é uma corruptela de uma situação "transacional", que passa de um estado para outro, no caso, de um estado mental. Hoje se sabe que o que se chama "transe" é um estado alterado da consciência, onde há dissociação psíquica, que pode ser superficial (consciente) hipnogógico (semiconsciente) e profundo (inconsciente). O transe é anômalo porque ele é ocasional. Neste caso, não podemos, por exemplo, classificar o estado de sono porque é uma situação normal. O transe está sempre presente em todas as manifestações mediúnicas? Como eu disse, a mediunidade é um tipo de transe, por isso devemos compreender os outros tipos de transe para definir o que é realmente mediunidade. A emancipação da alma, ou projeção astral, não considerada como caráter mediúnico, mas como capacidade inerente do ser. Poderia esta ser considerado uma forma de transe? Evidente. É um transe anímico, no qual o espírito do próprio tem essa liberdade de emancipar-se, numa espécie de dissociação psíquica já referida. Veja o capítulo de O Livro dos Espíritos chamado "Emancipacão da Alma". Por que, no início, quando a mediunidade está "aberta", sentimos tanta coisa: dores, doenças? Falta de treino e de orientação para o "transe canalizado", que tenho estudado de modo cansativo nos últimos tempos. A primeira publicação que fiz a respeito está no capítulo 11 do livro Transe e Mediunidade, Editora Lachâtre. Sem esse treinamento, os médiuns permanecem com seus canais psíquicos abertos à revelia, recebendo todos os tipos de freqüências mentais. Quais os procedimentos corretos quando uma pessoa, não espírita e não estudiosa, entra em transe, debatendo-se e dizendo coisas desconexas? Por isso eu estou insistindo em que o espírita aprenda sobre o "transe", porque um tipo de situação dessa pode ser um "transe patológico" (esquizofrênico, psicótico, efeitos de drogas, obsessivo etc. ). E para ajudar melhor, o espírita deve reconhecer o transe e tomar as providências cabíveis, junto ao socorro médico ou aos recursos espíritas, como a ordem moral de afastamento dos espíritos, passe, irradiação etc. Existe uma forma para se identificar a mediunidade intuitiva? No livro Transe e Mediunidade tem essa explicação. No caso da intuição, ela vem inteira, direta e muitas vezes seguida do nome do espírito que está intuindo, o que se transforma em ação imediata. A observação constante do fenômeno dará segurança ao médium intuitivo e também, outros médiuns próximos podem confirmar o sentimento recebido. Uma outra coisa importante para se observar é o resultado positivo provocado pela ação nascida da intuição. A intuição é a primeira variedade mediúnica surgida na humanidade. Veja o livro Evolução em Dois Mundos, de Chico Xavier (espírito André Luiz). Quais são os tipos de transe e qual a sua origem? Segundo a conceituação espírita, o transe tem origem endógena e exógena. Poderia nos explicar? Os tipos básicos de transe são: 1) patológicos. Ex: delírio febril, coma, trauma craniano, psicose, depressão, esquizofrenia, epilepsia etc. 2) farmacógenos: provocados por drogas e medicamentos como tranqüilizantes, calmantes, anfetaminas e ecstasy, cocaína, heroína, crack, álcool, fumo etc. 3) anímico: Quando o indivíduo é capaz de emancipar-se por si mesmo, por sua vontade, ou não, naturalmente ou sob estímulo. Veja pergunta número 420 de O Livro dos Espíritos. 4) transe provocado: a) hipnose auto ou hetero; b) mediúnico, provocado por espíritos bons ou maus; c) farmacógenos (já citado). Esses são os tipos básicos. Endógenos são os provocados por distúrbios patológicos neuro-anímicos, por liberação ou inibição de neurotransmissores; os exógenos, transes provocados mediante estímulos externos. Supomos que um médium cobre por seus trabalhos espirituais. Poderia essa mediunidade ser autêntica e eficaz? A mediunidade não é propriedade dos espíritas, tanto quanto os poderes psíquicos de cada um. O problema de não cobrar por ação mediúnica foi uma recomendação dos espíritos a Allan Kardec, baseados em que os poderes mediúnicos são movimentações dos espíritos e, por isso, os médiuns não deviam cobrar, porque receberam o dom nesta vida. No entanto, é uma questão cultural. Nos Estados Unidos, por exemplo, o médium que não cobra é tido como feiticeiro. Pode-se afirmar, com certeza, que toda pessoa que boceja seguidamente no momento da reunião mediúnica, se não estiver sob a influência do cansaço, está sob má influência espiritual? Não significa má influência. Significa perda. Algumas pessoas se condicionam a determinados estímulos, mediantes os quais começam a bocejar. Entretanto, não pode ser descartada uma ação obsessiva. Cabe ao presidente, através de outros médiuns presentes, fazer uma "varredura psíquica" no indivíduo que está apresentando esses sintomas, e descobrir as causas. Meu procedimento é esse. O Livro dos Médiuns nos diz que quando um médium não age corretamente, os espíritos acabam por abandoná-lo, ficando este sem a sua mediunidade. Por que então vemos médiuns trabalhando para espíritos perturbados sem perderem a faculdade mediúnica? Não devemos entender as coisas ao pé-da-tetra. Os espíritos superiores não são maus para abandonar seus protegidos. O que acontece é que os médiuns, com as suas atitudes estranhas e inadequadas, diminuem o tônus vibracional, não permitindo a facilidade da ação superior. Os espíritos protetores respeitam essa atitude por causa do livre-arbítrio, e não significa propriamente que o médium "perde a mediunidade", porque o seu corpo hereditariamente tem a possibilidade do transe mediúnico. Duas coisas podem acontecer: os médiuns se sintonizam com os planos inferiores e continuam médiuns, ou os seus guias, considerando as energias compensadas do bem já realizado pelo médium, o protegem de modo especial para que não seja "pasto" para os "vampiros espirituais", de forma que, aparentemente, "perdem a mediunidade". No caso, se um médium clarividente vier a perder seu dom, por atos assim, poderia ele voltar a ver caso se modificasse vibracionalmente? Ele teria que ganhar a confiança de seus protetores novamente. E preciso entender que médium não é médium de uma mediunidade só. Cada médium possui em si mesmo uma dinâmica psíquica que pode alcançar diversos níveis de variedades mediúnicas, e isso é bem observa do quando se atenta para o fato. A clarividência é apenas uma variedade, mas se ele diz ou se dizem para ele sempre que ele é um clarividente, ele bloqueia as outras possibilidades que ele tem. Tenho prova disso em meus experimentos no CIPES. Em um dos seus livros, você coloca que o transe tem vários graus. Como poderia nos explicar isso? Tem vários graus e várias intensidades. As intensidades, eu comentei no início: superficial, hipnogógico e profundo. Os graus, nós temos: intuitivo, semimecânico e mecânico. Esses graus referem-se aos transes motores. Ex: psicofonia, psicografia e psicopraxia (ação psíquica). Com relação aos transes psico-sensoriais, nós temos desde o pressentimento, criptestesia, premonição, clariaudiência, clarividência, olfativos e psicometros. A psicometria pode ser enquadrada como fenômeno mediúnico ou anímico? Ë uma possibilidade anímica, podendo ser secundada por espíritos. No atendimento fraterno existe a manifestação mediúnica? Se no atendimento fraterno existe o passe e a água fluidificada, naturalmente vai existir liberarão de ectoptasma num transe de natureza biológica, além da psíquica. Se no passe se está transmitindo energias psíquicas, o passista, mesmo que esteja consciente de tudo, está em transe superficial, e, como não poderia deixar de ser, o paciente que está sendo magnetizado também está em transe leve. Pergunte ao paciente o que ele sentiu no momento, e ele vai dizer o que sentiu. Se o passista, no momento do passe, perceber a natureza dos problemas do paciente, o que há de ser feito, ele está em transe, que pode ser anímico ou mediúnico. O mais provável é que seja anímico (energias corporais), com auxílio das energias espirituais. Veja maiores informações na obra de André Luiz. O transe tem várias origens, podendo apresentar combinações diversas na forma. Que formas são essas? E como podemos caracterizá-las? Como foi dito, há vários tipos de transe. Por exemplo, a origem de um transe patológico, como no caso do delírio febril é uma febre; no caso de esquizofrenia, é a depleção das dopaminas; no caso das depressões, são os problemas com serotoninas, se consideramos o problema como de origem orgânica. Se for um problema de ordem espiritual, temos que considerar a erigem como uma incompetência de viver e uma revolta íntima (conforme Jung). Então, cada tipo de transe pode ter diversas origens. Não há espaço aqui para definir as origens de cada tipo de transe. "Mediunidade" é igual a "medianimico"? Mediunidade foi o termo utilizado por Kardec, que também se utilizou do termo "mediaminique". Aksakof utilizou o termo "anímico" (de "anima", alma). Como a mediunidade vem atrelada às possibilidades anímicas do médium, o termo mais completo para a definição seria "medianimico". Mas o termo "mediunidade" já está consagrado. Deixe-nos uma mensagem final. Gostaria de lembrar que o espírito humano não está preso no corpo como se estivesse dentro de uma caixa. Ele irradia por todos os lados, podendo receber e emitir irradiações mentais (pensamentos) de níveis diferentes, adotando aqueles pensamentos que lhe são mais afins. Então, somos potencialmente médiuns, e se não temos a devida vigilância mental, corremos o risco de estarmos vivendo o pensamento de outrem, e não o nosso próprio. Daí, o conselho básico de Santo Agostinho, na pergunta 919 de 0 Livro dos Espíritos sobre a questão do "conhece-te a ti mesmo". Só podemos dizer se somos ou não médiuns se os efeitos da nossa ação psíquica forem ostensivos ou sob observação experimental. Com relação ao transe mediúnico em si, é preciso exercitar as possibilidades que vão se apresentando e não decidir qual mediunidade que queremos ter, pois então corremos o risco de bloquear os gérmens das nossas possibilidades medianímicas latentes. O conselho dos espíritos é que essas forças devem ser desenvolvidas acompanhadas de renovação moral, para que possamos vencer as forças inferiores que nos cercam neste mundo de expiação e provas. TRANSE E MEDIUNIDADE Trecho do livro Mediunismo, de Ramatís. Psicografia de Hercílio Mães. Editora do Conhecimento. Alguns médium com os quais temos tido contato afirmam resolutamente que nada se recordam do conteúdo espiritual que recebem dos desencarnados, deixando-nos convictos de que todos eles são absolutamente sonâbulos. O médium sonâmbulo que for incapaz de avaliar de imediato ou posteriormente, ao menos, um só pensamento dos comunicantes desencarnados, além de muito raro, é um dos tipos mais apropriados para atender às pesquisas cientificas e identificar os espíritos dos “falecidos”, cumprindo a finalidade da alma. No sonambulismo perfeito enquadra-se melhor o médium de fenômenos físicos, que, em geral, só depois do transe completo é que fornece o ectoplasma para a consecução de trabalhos mediúnicos desse gênero. Ele precisa submeter-se passivamente aos técnicos do Além, para lograr o melhor êxito possível na fenomenologia de materializações, voz direta, transportes ou levitações, que se produzem pela manipulação da força ectoplásmica que se exsuda pela contextura perispiritual do médium. Conforme já vo-lo dissemos, os desencarnados comunicam-se pelo cérebro perispiritual dos médiuns intuitivos. Nos sonâbulos acionam-lhes diretamente o cérebro físico e no médium mecânico movimentam-lhe a mão na psicografia inconsciente. Entretanto, sempre o médium terá um conhecimento parcial daquilo de que é intermediário, pois só nos casos de obsessão completa, em que se entidades malévolas, depois de tenaz ação “diabólica”, conseguem assenhorear-se completamente do comando mental do obsidiado, é que então se poderia aceitar o sonambulismo absoluto e sem qualquer lampejo de razão. É certo que muitos médiuns, embora sejam sinceros e bem intencionados, alegam que são sonâmbulos e que de nada se recordam do transe mediúnico, temerosos de não inspirarem a devida confiança aos seus ouvintes. Nem sempre o fazem por vaidade ou má intenção, pois é evidente que o público fica mais convicto das comunicações do Além quando crê no completo alheamento do médium naquilo que transmite mediunicamente. Notas: (Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 28, páginas 26-29)
sinto-me:
publicado por Pai Pedro de Ogum às 09:41

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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2006

Sagrado e profano no universo mágico religioso das plantas rituais afro-brasileiras

 (Conferência  - XXIII Encontro Cultural de Laranjeiras
Laranjeiras, Sergipe)
1999 
 

Maria Thereza Lemos de Arruda Camargo
    
  Letra E maiúscula floridasta comunicação não pretende fazer uma abordagem teórica sobre o sagrado e o profano, já bastante trabalhado por estudiosos que se debruçaram sobre o assunto e que, de certa forma, influenciaram minhas posições sobre essa matéria cheia de desvios intrigantes, levando o pesquisador a pensar e repensar quando da análise dos fatos que os envolvem.


Seguindo o pensamento de Durkheim (1989), os seres sagrados são por definição seres separadosAs coisas sagradas são aquelas que os interditos protegem e isolam.
Em se tratando de planta ritual nos sistemas de crenças afro-brasileiras, tal separação dá-se com o deslocamento de sua relação com outros sistemas e pela imputação à ela de um valor sacral, valor este que será legitimado por meio de ritos próprios, os quais caracterizarão seu papel dentro do sistema de crenças afro-brasileiros.

Esse deslocamento inserirá cada planta no universo mítico e é com base nesse universo que se consolida todo o conjunto rirualístico. Trata-se de um ato cosmogônico conforme Mircea Eliade (1986), através do qual esse universo mítico é criado, e a ritualização que a ele corresponde, sempre que repetido, vai simbolizar o ritual da cosmogonia.  Assim, são divindades do panteão afro-brasileiro relacionadas a esse universo mítico que vão administrar esses objetos sagrados que são as plantas.

O conjunto de ritos a serem rigorosamente observados dentro do sistema religioso visam separar o sagrado do profano, impedindo a invasão de seus domínios, visto que as mesmas plantas consagradas aos deuses fazem parte, também, do sistema de vida cotidiana dos envolvidos com tais sistemas de crenças.

A não observância de certos preceitos religiosos relacionados ao sagrado por meio de atos considerados de profanação, segundo o sistema de crença em estudo, pode desencadear aos protagonistas punições de toda ordem, como até mesmo, doenças e morte. Tais punições que podem estar na esfera do sagrado, do mundo sobrenatural, podem ser, também, relacionados com o universo profano dos homens que deliberadamente impõem sanções que o próprio sistema determina, além da reprovação pública a que está o autor da profanação exposto, visto que éste público que o acusa se sente ferido em seus sentimentos e respeito para com o sagrado.

Embora o sagrado se oponha ao profano, é difícil desassociar um do outro, pois estão sempre próximos, como supõe Durkheim (1989: 363) (...) um supõe o outro.  Mas, eles não deixam de ser diferentes e, ainda que seja apenas para compreender as suas relações é necessário distingui-los

Mary Douglas (1966:44) cita o valor médico de um culto ioruba de uma divindade da varíola, em que é recomendado o isolamento do doente e que este deve ser tratado por um sacerdote que já tenha contraído a doença, tornando-se, assim, imune.
Acrescenta, ainda, que os iorubas usam a mão esquerda para lidar com a coisa "suja", por que a mão direita é usada para comer, pois sabem do risco de contaminação se esse costume não for observado.

Ao serem analisados os procedimentos acima referidos, julgo ter deparado com uma situação ambígua, em que a sujeira pode ter uma relação com o sagrado, entendida também como impureza, assim como o não usar a mão direita ter relação com a higiene, quando as pessoas envolvidas estariam se protegendo de contaminação não usando para comer a mão que tocou a "sujeira", o que sugere um ato de cunho profano envolvido com o suposto sagrado.  Então, pergunta-se: para que lado fica o ato de não usar a mão direita para não se contaminar?

Mircea Eliade (1996:27) diz que a experiência profana jamais se encontra em estado puro.  Seja qual for o grau de dessacralização do mundo a que tenha chegado, o homem que optou por uma vida profana, não consegue abolir completamente o comportamento religioso (...) a existência mais dessacralizada conserva traços de uma valorização religiosa do mundo.

Há de se considerar o momento exato em que o sagrado e profano se processam, uma vez que para tal há sempre um ritual.  Ao se adicionar uma planta condimentícia durante a preparação de uma comida, há todo um ritual necessário a ser obedecido para que o resultado desejado seja alcançado, tal como a preparação prévia desse condimento e o momento exato de ser incorporado à comida em elaboração, tornando-se um ato sagrado para aquele que a prepara.  A relação desses procedimentos com o sistema de vida cotidiana mostra o estreito laço que une o sagrado ao profano, uma vez que a preparação da comida com a mesma erva condimentícia pode estar relacionada ao sistema religioso, onde a ritualização dos atos estão na esfera do sagrado com a celebração e consagração da comida ritual ao seu deus.

Estão aí momentos diferentes, relacionados a sistemas diferentes, impondo seus próprios ritos, de onde se apreende que, embora os processos de preparação da comida sejam os mesmos, o momento não o é, pois estando relacionados a sistemas diferentes, a sacralização dos ritos se faz em esferas diferentes.

O sistema religioso poderá entender que a relação do ritual de preparação da comida dentro do sistema de vida cotidiana seja um ato profano, segundo o pensamento religioso que o governa, mas aqueles que a preparam emprestam ao ritual um caráter de certo modo sagrado também, visto que dependeu dele o resultado almejado, qual seja, a boa qualidade da comida elaborada, segundo os preceitos determinados por aqueles que detêm o conhecimento da arte de preparar aquela comida.

O especialista da comida profana é colocado em pedestal de onde é ouvido e respeitado por seus "discípulos". É sagrado o que ele diz.  A não observância de suas determinações não implica em punições propriamente ditas aos desobedientes, mas em censuras pelos grupos que os cercam, uma vez que, o que o especialista diz torna-se sagrado para aqueles que o tem como mestre.

No sistema religioso, através do universo do sobrenatural, é a divindade que está no controle de tudo, ditando normas que o homem sacraliza por meio de ritos próprios, cuja inobservância nos momentos sagrados dos rituais de preparação das comidas propiciatórias, implica em punições já acima referidas.

No sistema de vida cotidiana, preso ao mundo terreno, o ritual é administrado pelo próprio homem, enquanto no sistema de crenças ora em estudo, preso ao universo sobrenatural, o ritual é administrado pelo divino, que podem ser deuses ou entidades divinizadas, que um dia pertenceram ao mundo dos homens.

Transportando estes pensamentos para os banhos rituais, de valor significativo nos sistemas de crenças afro-brasileiros, onde as plantas desempenham papéis específicos, segundo as diferentes finalidades para os quais são preparados, tais banhos, investidos de valor simbólico, de caráter sacral, vão atender, também, ao ato de limpar.  Este ato pode ao mesmo tempo atender a necessidade de limpeza do corpo, entendido como um ato higiênico, a fim de preservar a integridade física, assim como uma limpeza espiritual de purificação, determinados para diferentes momentos sagrados da vida religiosa, tal como durante os processos de iniciação, nas lavagens de contas, etc.  Neste caso deparamos com a mesma idéia de que o sagrado e o profano se encontram em territórios  limítrofes, onde se confundem, chegando a se supor uma certa ambigüidade, que sugere interpretações contraditórias.

É importante se considerar que o banho ritual às vezes não compreende uma forma de lavagem de corpo sugerindo ato higiênico. Na cerimônia de lavagem da cabeça durante o período de iniciação religiosa, o iniciante é submetido a um ritual em que sua cabeça, inclinada sobre uma bacia grande, é lavada com sabão africano e água, onde são misturadas folhas trituradas.  Enquanto suas mãos e braços são lavados, vão sendo formulados votos para "que as mãos só toquem em coisas boas, não em coisas más"; para lavagem dos pés, são feitos votos para "que os pés não pisem em nada que seja mau".  Todos esses procedimentos a serem obedecidos durante o banho ritual, têm o valor simbólico de purificação.

Os banhos com plantas aromáticas, conhecidos por banhos de cheiro, são comuns na vida privada de indivíduos, especialmente daqueles envolvidos com a vida religiosa dos sistemas de crenças afro-brasileiros, comum no norte do País, como foi estudado em Belém do Pará por Napoleão Figueiredo (1983). Segundo o autor, o banho de cheiro envolve dois aspectos: um popular com ocorrência no período de festas juninas e natalinas, e outro, cerimonial, com incidência nos rituais de Batuque, de Umbanda e de Jurema.

O banho de cheiro popular, conforme o autor citado acima, não obedece um receituário estabelecido.  São raízes, folhas, cascas, flores e resinas fazendo parte da formulação que, segundo a tradição popular, tem o poder de trazer felicidade, destruir azar, afastar mau-olhado, etc.  Na preparação de tais banhos, são recomendados alguns procedimentos, dentre eles o de macerar muito bem, colocá-lo no sereno, tomar o banho à meia noite e não enxugar o corpo com toalha.

Ao se analisar tais procedimentos percebe-se que os efeitos almejados pelos usuários do banho de cheiro popular estão relacionados a um conjunto de crenças voltados ao sobrenatural também, porém, de cunho profano, cujos ritos o próprio povo cria e recria sempre que há uma oportunidade de repeti-los.  Neste caso, tanto os ritos de preparação dos banhos como seu uso, são sacralizados por aqueles que admitem sua eficácia devido à observância de todos os preceitos recomendados. Seria sacralizar uma crença num sobrenatural desvinculado de qualquer sistema religioso.

Napoleão Figueiredo também cita outros tipos de banhos rituais preparados com plantas aromáticas, chamados ariachés e amacis usados no Batuque, Jurema, Umbanda e variantes, na cidade de Belém. Segundo o autor, na obra citada acima, ariaché é banho feito com plantas aromáticas, usado nas cerimônias de lavagem do corpo, da casa, da guma, dos otás, das guias, dos búzios e dos amuletos.  Usado na lavagem de limpeza, proteção, descarga ou como atrativo. No corpo, é usado dos ombros para baixo, enquanto as guias, os otás e os búzios são mergulhados no banho durante dezesseis dias.  Os amacis  são usados para a lavagem da cabeça, nas cerimônias de feitura, confirmação e fortificação dos filhos e filhas de santo.

Napoleão Figueiredo, na mesma obra citada, comenta que as forças do Universo, manipuladas por especialistas que se utilizam de rituais exteriorizados por meio de cerimoniais complexos, definem os métodos pelos quais tais forças se colocam ao alcance do homem, a fim de satisfazer seus desejos. A competência para desencadear essas forças está colocada nas mãos de especialistas que trabalham com o "não natural".

Entende-se, portanto, que ao se lidar com o "não natural" ou "sobrenatural", não relacionados diretamente a sistemas religiosos, mas simplesmente à crença em forças ocultas, se é assim que se pode expressar, depara-se, também, com situações ambíguas.  Pode-se, assim, entender por que a ritualização na preparação e uso do banho aromático popular pode ser apenas uma prática de hábito rotineiro, em que as pessoas o fazem com freqüência, repetindo o ritual mecanicamente.  Visto por este ângulo, a sacralização se confunde com o profano ao se relacionar o banho aromático ao sistema de vida cotidiana, podendo ser entendido tanto como prática sacralizada, como profana.
 

Referências bibliográficas

Douglas, Mary. Pureza e perigo. São Paulo, Perspectiva, 1966 (Coleção Debates -    Antropologia)
Durkheim, Émile. As formas elementares de vida religiosa. São Paulo, Ed. Paulinas,1989.
Eliade, Mircea . O sagrado e o profano  -  A essência das religiões. São Paulo, Martins Fontes, 1992.
Figueiredo, Napoleão. Banhos de cheiro, ariachés & amacis.  Rio de Janeiro,  FUNARTE/INF, 1983.
Verger, Pierre. Bori, primeira cerimônia de iniciação ao culto dos òrisà nagô na Bahia, Brasil.  In: Olóòrisà  -  escritos sobre a religião dos orixás.  Coordenador: Carlos Eugênio Marcondes Moura. São Paulo, AGORA, 1981. 

publicado por Pai Pedro de Ogum às 09:13

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Quinta-feira, 10 de Novembro de 2005

Oração ao Preto Velho

- Por Pai Ronaldo Linares -

 

Meu bondoso Preto-Velho!

Aqui estou de joelhos, agradecido constrito, aguardando sua benção.

 

Quantas vezes com a alma ferida, com o coração irado, com a mente entorpecida pela dor da injustiça eu clamava por vingança, e Tu, oculto lá no fundo do meu Eu, com bondade compassiva me sussurravas: ESPERANÇA.

 

Quantas vezes desejei romper com a humanidade, enfrentar o mal com maldade, olho por olho, dente por dente, e Tu, escondido em minha mente, me dizias simplesmente: "Sei que fere o coração a maldade e a traição, mas, responder com ofensas, não lhe trará a solução. Pára, pensa, medita e ofereça-lhe o perdão.

Eu também sofri bastante, eu também fui humilhado, eu também me revoltei e também fui injustiçado. Das savanas africanas, moço, forte, livre, num instante transformado em escravo acorrentado, nenhuma oportunidade eu tive.

Uma revolta crescente me envolvia intensamente, porque algo me dizia, que eu nunca mais veria minha Aruanda de então, não ouviria a passarada, o bramir dos elefantes, o rugido do leão, minha raça de gigantes que tanto orgulho tivera, jazia despedaçada, nua, fria, acorrentada num infecto porão.

Um ódio intenso o meu peito atormentava, por que OIÀ não mandava uma grande tempestade?

Que Xangô com seus raios partisse aquela nave amaldiçoada, que matasse aquela gente, que tão cruel se mostrara, que até minha pobre mãezinha, tão frágil, já tão velhinha, por maldade acorrentara.

E Iemanjá, onde estava que nossa desgraça não via, nossa dor não sentia, o seu peito não sangrava?

Seus ouvidos não ouviam a súplica que eu lhe fazia?

Se Iemanjá ordenasse, o mar se abriria, as ondas nos envolveriam; ao meu povo ela daria a desejada esperança, e aos que nos escravizavam, a necessária vingança. Porém, nada aconteceu, minha mãezinha não resistiu e morreu; seu corpo ao mar foi lançado, o meu povo amedrontado, no mercado foi vendido, uns pra cá, outros pra lá e, como gado, com ferro em brasa marcado.

Onde é que estava Ogum? Que aquela gente não vencia, onde estavam as suas armas, as suas lanças de guerra?

Porém, nada acontecia, e a toda parte que olhava, somente um coisa via... terra. Terra que sempre exigia mais de nossos corpos suados, de nossos corpos cansados. Era a senzala, era o tronco, o gato de sete rabos que nos arrancava o couro, era a lida, era a colheita, que para nós era estafa, para o senhor era ouro.

Quantas vezes, depois que o sol se escondia, lá no fundo da senzala, com os mais velhos aprendia, que o nosso destino no fim não seria sempre assim, quantas vezes me disseram que Zambi olhava por mim... Bem me lembro uma manhã, que o rancor era grande, vi sair da casa grande, a filha do meu patrão.

Ingênua, desprotegida, meu pensamento voou: eis a hora da vingança, vou matar essa criança, vou vingar a minha gente, e se por isso morrer, sei que vou morrer contente.

E a pequena caminhava alegre, despreocupada, vinha em minha direção, como a fera aguarda a caça, eu esperava ansioso, minha hora era chegada.

Eu trazia as mãos suadas, nesse momento odioso, meu coração disparava, vi o tronco, vi o chicote, vi meu povo sofrendo, apodrecendo, morrendo e nada mais vi então.

Correndo como um possesso, agarrei-a por um braço e levantei-a do chão. Porém, para minha surpresa, mal eu ergui a menina, uma serpente ferina, como se fora o próprio vento, fere o espaço, errando, por minha causa, o seu bote tão fatal; tudo ocorreu tão de repente, tudo foi de forma tal, que ali parado eu ficara, olhando a serpente que sumia no matagal.

Depois, com a criança em meus braços, olhei meus punhos de aço que deviam matá-la... olhei seus lindos olhinhos que insistiam em me fitar.

Fez-me um gesto de carinho, eu estava emocionado, não sabia o que falar, não sabia o que pensar. Meus pensamentos estavam numa grande confusão, vi a corrente, o tronco, as minhas mãos que vingavam, vi o chicote, a serpente errando o bote... senti um aperto no coração, as minhas mãos calejadas pelo machado, pela enxada, minhas mãos não matariam, não haveria vingança, pois meu Deus não permitira que morresse essa criança.

Assim o tempo passou, de rapaz forte de antes, bem pouca coisa restou, até que um dia chegou, e Benedito acabou...

Mas, do outro lado da morte eu encontrei nova vida, mais longa, muito mais forte, mais de amor e de perdão, os sofrimentos de outrora já não importam agora, por que nada foi em vão...

Fomos mártires nessa vida, desta Umbanda tão querida, religião do coração, da paz, do amor, do perdão".

 

(Escrito por Pai Ronaldo Linares, em 20 de Outubro de 1964, entregue em mãos, por ele, ao Jornal de Umbanda Sagrada e publicado no mesmo em Maio de 2005).

 

Notas: Pai Ronaldo Antônio Linares, presidente da Federação Umbandista do Grande ABC, é responsável pelo Santuário Nacional da Umbanda.
publicado por Pai Pedro de Ogum às 10:40

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Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005

UMBANDA EU SOU...........


SOU A FUGA PARA ALGUNS, A CORAGEM PARA OUTROS.

SOU O TAMBOR QUE ECOA NOS TERREIROS, TRAZENDO O SOM DAS SELVAS E DAS SENZALAS.

SOU O CÂNTICO QUE CHAMA AO CONVÍVIO SERES DE OUTROS PLANOS.

SOU A SENZALA DO PRETO VELHO, A CERIMÔNIA DO PAJÉ; A ENCRUZILHADA DO EXU,
O JARDIM DA IBEIJADA, O NIRVANA DO HINDU E O CÉU DOS ORIXÁS.

SOU O CAFÉ AMARGO E O CACHIMBO DO PRETO VELHO, O CHARUTO DO CABOCLO E DO EXU; O CIGARRO DA POMBA-GIRA E O DOCE DO IBEJI.

SOU GARGALHADA DA POMBA GIRA, O REQUEBRO DA CIGANA, A SERIEDADE DO EXU.

SOU O SORRISO E A MEIGUICE DOS PRETOS VELHOS; A BRINCADEIRA DAS CRIANÇAS E A SABEDORIA DOS CABOCLOS.

SOU O FLUÍDO QUE SE DESPRENDE DAS MÃOS DO MÉDIUM LEVANDO A SAÚDE E A PAZ.

SOU O ISOLAMENTO DOS ORIENTAIS ONDE O MANTRA SE MISTURA AO PERFUME SUAVE DO INCENSO.

SOU O TEMPLO DOS SINCEROS E O TEATRO DOS ACTORES.
SOU LIVRE.
SOU DETERMINADA E FORTE.

MINHAS FORÇAS?
ELAS ESTÃO NO HOMEM QUE SOFRE E QUE CLAMA POR PIEDADE E POR AMOR.

MINHAS FORÇAS ESTÃO NAS ENTIDADES ESPIRITUAIS QUE ME UTILIZAM PARA SEU CRESCIMENTO.
ESTÃO NOS ELEMENTOS. NA ÁGUA, NA TERRA, NO FOGO E NO AR; NA PEMBA,
NA MANDALA, DO PONTO RISCADO.
ESTÃO FINALMENTE NA TUA CRENÇA, NA TUA FÉ, QUE É O ELEMENTO MAIS IMPORTANTE NA MINHA ALQUIMIA.
MINHAS FORÇAS ESTÃO EM TI, NO TEU INTERIOR, LÁ NO FUNDO NA ÚLTIMA PARTÍCULA DA TUA MENTE, ONDE TE LIGAS AO CRIADOR.

QUEM SOU?

SOU A HUMILDADE, MAS CRESÇO QUANDO COMBATIDA.
SOU A PRECE, A MAGIA, O ENSINAMENTO MILENAR, SOU CULTURA.
SOU O MISTÉRIO, O SEGREDO.
SOU O AMOR E A ESPERANÇA
SOU A CURA.
SOU DE TI.
SOU DE DEUS.
SOU UMBANDA.

SÓ ISSO. SOU UMBANDA.
publicado por Pai Pedro de Ogum às 11:42

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Terça-feira, 27 de Setembro de 2005

Pombagira e as faces inconfessas do Brasil

Por Reginaldo Prandi

Do livro de Reginaldo Prandi, Herdeiras do Axé.
São Paulo, Hucitec, 1996, Capítulo IV, pp. 139-164.


I: Personagens de duvidosa moralidade:
O Brasil tem uma larga tradição católica de devoção aos santos, com os quais os fiéis estabelecem relações de favor e de troca que presumem sempre uma certa intimidade com as coisas do mundo sagrado (Camargo et alii, 1973). Com o espraiamento das tradições afro-brasileiras no curso deste século, parece que esta intimidade com personagens do mundo sagrado — agora sobretudo com divindades afro-brasileiras, com as quais os santos se sincretizam, mais os espíritos dos mortos — teria se intensificado. De fato, há uma infindável lista de famílias ou classes de entidades sobrenaturais com que fiéis brasileiros podem estabelecer relações religiosas e mágicas e contatos personalizados, especialmente através de cerimônias em que essas entidades se apresentam através do transe de incorporação: os caboclos, pretos-velhos, ciganos, príncipes, marinheiros, guias de luz, espíritos das trevas, encantados, além dos orixás e voduns.
Pombagira, cultuada nos candomblés e umbandas, é um desses personagens muito populares no Brasil. Sua origem está nos candomblés, em que seu culto se constituiu a partir de entrecruzamentos de tradições africanas e européias. Pombagira é considerada um Exu feminino. Exu, na tradição dos candomblés de origem predominantemente iorubá (ritos Ketu, Efan, Nagô pernambucano) é o orixá mensageiro entre os homens e o mundo de todos os orixás. Os orixás são divindades identificadas com elementos da natureza (o mar, a água dos rios, o trovão, o arco-íris, o fogo, as tempestades, as folhas etc.) e sincretizados com santos católicos, Nossa Senhora e o próprio Jesus Cristo. Assim, Oxalá, o maior dos orixás, divindade da criação, é sincretizado com Jesus, Iemanjá, a Grande Mãe dos orixás e dos brasileiros, com Nossa Senhora da Conceição. Exu, o orixá trickster, o que deve ser sempre homenageado em primeiro lugar, o orixá fálico, que gosta de confundir os homens, que só trabalha por dinheiro, é aquele sincretizado com o Diabo.
Na língua ritual dos candomblés angola (de tradição banto), o nome de Exu é Bongbogirá. Certamente Pombagira (Pomba Gira) é uma corruptela de Bongbogirá, e esse nome acabou por se restringir à qualidade feminina de Exu (Augras, 1989). Na umbanda, formada nos anos 30 deste século do encontro de tradições religiosas afro-brasileiras com o espiritismo Kardecista francês, Pombagira faz parte do panteão de entidades que trabalham na "esquerda", isto é, que podem ser invocadas para "trabalhar para o mal", em contraste com aquelas entidades da "direita", que só seriam invocadas em nome do "bem" (Camargo, 1961: Prandi, 1991a).
Dona Pombagira, que tem um lugar muito especial nas religiões afro-brasileiras, pode também ser encontrada nos espaços não religiosos da cultura brasileira: nas novelas de televisão, no cinema, na música popular, nas conversas do dia-a-dia. Por influência kardecista na umbanda, Pombagira é o espírito de uma mulher (e não o orixá) que em vida teria sido uma prostituta ou cortesã, mulher de baixos princípios morais, capaz de dominar os homens por suas proezas sexuais, amante do luxo, do dinheiro, e de toda sorte de prazeres.
No Brasil, sobretudo entre as populações pobres urbanas, é comum apelar a Pombagira para a solução de problemas relacionados a fracassos e desejos da vida amorosa e da sexualidade, além de inúmeros outros que envolvem situações de aflição. Estudar os cultos da Pombagira permite-nos entender algo das aspirações e frustrações de largas parcelas da população que estão muito distantes de um código de ética e moralidade embasado em valores da tradição ocidental cristã. Pois para Dona Pombagira qualquer desejo pode ser atendido: não há limites para a fantasia humana.
Embora conserve do candomblé a veneração dos orixás, a umbanda, religião que desenvolveu e sistematizou o culto a Pombagira como entidade dotada de identidade própria, é uma religião centrada no culto dos caboclos e pretos-velhos, além de outras entidades. Embora o candomblé não faça distinção entre o bem e o mal, no sentido judaico-cristão, uma vez que o seu sistema de moralidade baseia-se na relação estrita entre homem e orixá, relação esta de caráter propiciatório e sacrificial, e não entre os homens como uma comunidade em que o bem do indivíduo está inscrito no bem coletivo (Prandi, 1991a), a umbanda, por sua herança kardecista, preservou o bem e o mal como dois campos legítimos de atuação, mas tratou logo de os separar em departamentos estanques. A umbanda se divide numa linha da direita, voltada para a prática do bem e que trata com entidades "desenvolvidas", e numa linha da "esquerda", a parte que pode trabalhar para o "mal", também chamada quimbanda, e cujas divindades, "atrasadas" ou demoníacas, sincretizam-se com aquelas do inferno católico ou delas são tributárias. Esta divisão, contudo, pode ser meramente formal, como uma orientação classificatória estritamente ritual e com frouxa importância ética. Na prática, não há quimbanda sem umbanda nem quimbandeiro sem umbandista, pois são duas faces de uma mesma concepção religiosa.
Assim, estão do lado "direito" os orixás, sincretizados com os santos católicos, e que ocupam no panteão o posto de chefes de linhas e de falanges, que são reverenciados, mas que pouco ou nada participam do "trabalho" da umbanda, isto é, da intervenção mágica no mundo dos homens para a solução de todos os seus problemas, que é o objetivo primeiro da umbanda enquanto religião ritual. Ainda do lado do "bem" estão o caboclo (que representa a origem brasileira autêntica, o antepassado indígena) e o preto-velho (símbolo da raiz africana e marca do passado escravista e de uma vida de sofrimentos e purgação de pecados). Embora religião surgida neste século, durante e em função do processo intenso de urbanização e industrialização, o panteão da umbanda é constituído sobretudo de entidades extraídas de um passado histórico que remonta pelo menos ao século XIX. Ela nunca incorporou, sistematicamente, os espíritos de homens e mulheres ilustres contemporâneos que marcam o universo das entidades do espiritismo kardecista.
De todas as classes de entidades da umbanda, que são muitas, certamente o preto-velho é o de maior reconhecimento público: impossível não gostar de um preto-velho, mesmo quando se trata de um não-umbandista. Ele é sábio, paciente, tolerante, carinhoso. Já o caboclo é o valente, o selvagem (o índio) antes de tudo, destemido, intrépido, ameaçador, sério, e muito competente nas artes das curas. O preto velho consola e sugere, o caboclo ordena e determina. O preto-velho acalma, o caboclo arrebata. O preto-velho contempla, reflete, assente, recolhe-se na imobilidade de sua velhice e de seu passado de trabalho escravo; o caboclo mexe-se, intriga, canta e dança, e dança e dança como o guerreiro livre que um dia foi. Os caboclos fumam charuto e os preto-velhos, cachimbo; todas as entidades da umbanda fumam — a fumaça e seu uso ritual marcando a herança indígena da umbanda, aliança constitutiva com o passado do solo brasileiro.
Do panteão da direita também fazem parte os boiadeiros, os ciganos, as princesas. O boiadeiro é um caboclo que em vida foi um valente do Sertão. Veste-se como o sertanejo, com roupas e chapéu de couro, e cumpre um papel ritual muito semelhante aos caboclos índios, que se cobrem de vistosos cocares. Igualmente são bons curadores. Ciganos dizem o futuro mas não sabem curar; como os príncipes, estão acima das misérias terrenas. Marinheiros sabem ler e contar, e conhecem dinheiro, o que não acontece com nenhuma outra entidade, mas carregam muito dos vícios do homem do mar: gostam muito de mulher da vida, bebem em demasia, são sempre infiéis no amor, e caminham sempre com pouco equilíbrio. Uma sua cantiga, imortalizada nas vozes de Clementina de Jesus e Caetano Veloso, diz:
Oh, marinheiro, marinheiro, marinheiro só
Quem te ensinou a nadar, marinheiro só?
Ou foi o tombo do navio
Ou foi o balanço do mar

Lá vem lá vem marinheiro só
Como ele vem faceiro
Todo de branco, marinheiro só
Com seu bonézinho
O lado da esquerda é povoado pelos Exus e Pombagiras, basicamente (Arcela, 1980). Ambos são mal-educados, despudorados, agressivos. Falam palavrão e dão estrepitosas gargalhadas. Chegam pela meia-noite, os Exus com suas mãos em garras e seus pés feito cascos de animais satânicos, as Pombagiras com seus trajes escandalosos nas cores vermelho e preto, sua rosa vermelha nos longos cabelos negros, seu jeito de prostituta, ora do bordel mais miserável ora de elegantes salões de meretrício, jogo e perdição; vez por outra é a grande dama, fina e requintada, mas sempre dama da noite. Nas religiões afro-brasileiras, todo o cerimonial é cantado ao som dos atabaques, e quase todo também dançando. As cantigas dos candomblés e os pontos-cantados da umbanda são instrumentos de identidade das entidades. Assim, canta-se para Pombagira quando ela chega incorporada:
De vermelho e negro
Vestida na noite o mistério traz
Ela é moça bonita
Oi, girando, girando, girando lá

Se, por vezes, tanto Exus como Pombagiras podem vir muito elegantes e amigáveis, jamais serão, entretanto, confiáveis e desinteressados. Todo o mundo tem medo de Exu e Pombagira, ou pelo menos diz que tem. Desconfia-se deles, pois, se de fato são entidades diabólicas, não merecem confiança, mesmo quando deles nos valemos. Eles fazem questão de demonstrar animosidade. Conheci muito Exu que chama todas as pessoas de "filho-da-puta", que é a maior ofensa que se pode fazer a um brasileiro. Exus e Pombagiras fazem questão de demonstrar o quanto eles desprezam aqueles que os procuram.
Há ainda um certo território de difícil demarcação, que, embora formalmente situado na "direita", dá passagem para muitas entidades que se comportam como da "esquerda". Ora são Exus metamorfoseados de caboclos, ora são marinheiros e baianos.
Se com os marinheiros já estamos em território muito próximo da linha da "esquerda", com os baianos é quase impossível se saber ao certo. Baianos e baianas têm a aparência de caboclos e pretos-velhos, mas se comportam como Exus e Pombagiras. Lembrando que as giras (sessões rituais de transe com canto e dança) são organizadas separadamente para entidades da "direita" e da "esquerda", pode-se imaginar que os baianos — de criação muito recente, mas com uma popularidade que já quase alcança a dos caboclos e pretos-velhos — são uma espécie de disfarce pelo qual Exu e Pombagira podem participar das giras da "direita" sem serem molestados. Se um dia a umbanda separou o bem do mal, com a intenção inescondível de cultuar a ambos, parece que, com o tempo, ela vem procurando apagar essa diferença. Os baianos representariam esta disposição. De fato, os baianos são as entidades da "direita" mais próximas da "esquerda" em termos do comportamento estereotipado: eles são zombeteiros, relacionam-se com seus fiéis e clientes não escondendo o seu escárnio por eles, falam com despudor em relação às questões de caráter sexual, revelando com destemperança, para quem quiser ouvir, pormenores da intimidade das pessoas. Um dia, numa gira, uma baiana de nome Chica me disse que a confundiam com Pombagira, coisa que ela não era, só porque preferia os homens sexualmente bem dotados. Ela dizia falar muita besteira porque as pessoas gostavam de ouvir besteiras, bebia muito porque as pessoas gostavam de beber, e falava das intimidades porque as pessoas gostavam de se exibir mas não tinham coragem para isto. "E o Senhor não acha que isto é muito bom?", me perguntava. "Então, porque eu gosto mesmo é de ajudar os outros, eu dou o que eles querem."
II: Pombagira no universo dos Exus e dos eguns
Antes de mais nada, Pombagira é um Exu, ou melhor, um Exu-mulher, como ela mesma gosta de ser chamada. Como Exu, ela compõe um riquíssimo e muito variado panteão de diabos, em que ela não somente aparece como um dos Exus, mas é também casada com pelo menos um deles. Na concepção umbandista, Exu é um espírito do mal, um anjo decaído, um anjo expulso do céu, um demônio, enfim. De Pombagira se diz ser mulher de demônios e morar no inferno e nas encruzilhadas, como esclarecem suas cantigas:
A porta do inferno estremeceu
O povo corre pra ver quem é
Eu vi uma gargalhada na encruza
É Pombagira, a mulher do Lucifer (pesquisa de campo)

Ela é mulher de sete Exu
Ela é Pomba Gira Rainha
Ela é Rainha das Encruzilhadas
Ela é mulher de sete Exu (Molina, s/d: 25)
O candomblé tem pouquíssima preocupação em construir um corpo teórico doutrinário e uma organização teológica das suas entidades e o culto da Pombagira segue de perto o culto dos orixás, assentado em mitos e tradições de origem presumidamente africana, não existindo praticamente nada escrito sobre Pombagira. A umbanda, entretanto, dispõe de vasta bibliografia também sobre Pombagira. Essa literatura desenvolve primariamente a idéia de um panteão sincrético dos Exus, dos quais Pombagira é um, e oferece minuciosos preceitos rituais. Discos também são disponíveis com os pontos-cantados.
Segundo essa literatura, a entidade suprema da "esquerda" é o Diabo Maioral, ou Exu Sombra, que só incorpora raramente. Ele tem como generais: Exu Marabô ou diabo Put Satanaika, Exu Mangueira ou diabo Agalieraps, Exu-Mor ou diabo Belzebu, Exu Rei das Sete Encruzilhadas ou diabo Astaroth, Exu Tranca Ruas ou diabo Tarchimache, Exu Veludo ou diabo Sagathana, Exu Tiriri ou diabo Fleuruty, Exu dos Rios ou diabo Nesbiros e Exu Calunga ou diabo Syrach. Sob as ordens destes e comandando outros mais estão: Exu Ventania ou diabo Baechard, Exu Quebra Galho ou diabo Frismost, Exu das Sete Cruzes ou diabo Merifild, Exu Tronqueira ou diabo Clistheret, Exu das Sete Poeiras ou diabo Silcharde, Exu Gira Mundo ou diabo Segal, Exu das Matas ou diabo Hicpacth, Exu das Pedras ou diabo Humots, Exu dos Cemitérios ou diabo Frucissière, Exu Morcego ou diabo Guland, Exu das Sete Portas ou diabo Sugat, Exu da Pedra Negra ou diabo Claunech, Exu da Capa Preta ou diabo Musigin, Exu Marabá ou diabo Huictogaras, e o nosso Exu-Mulher, Exu Pombagira, simplesmente Pombagira ou diabo Klepoth. Mas há também os Exus que trabalham sob as ordens do orixá Omulu, o senhor dos cemitérios, e seus ajudantes Exu Caveira ou diabo Sergulath e Exu da Meia-Noite ou diabo Hael, cujos nomes mais conhecidos são Exu Tata Caveira (Proculo), Exu Brasa (Haristum) Exu Mirim (Serguth), Exu Pemba (Brulefer) e Exu Pagão ou diabo Bucons (Fontennelle, s/d; Bittencourt, 1989; Omolubá, 1990).
Cada Exu tem características próprias, cantigas e pontos-riscados (desenhos feitos a giz com os elementos simbólicos da entidade). Cada um cuida de determinadas tarefas, sendo grande e complexa a divisão de trabalho entre eles. Por exemplo, Exu Veludo oferece proteção contra os inimigos. Exu Tranca Rua pode gerar todo tipo de obstáculos na vida de uma pessoa. Exu Pagão tem o poder de instalar o ódio no coração das pessoas. Exu Mirim é o guardião das crianças e também faz trabalhos de amarração de amor. Exu Pemba é o propagador das doenças venéreas e facilitador dos amores clandestinos. Exu Morcego tem o poder de transmitir qualquer doença contagiosa. Exu das Sete Portas facilita a abertura de fechaduras, cofres e outros compartimentos secretos — materiais e simbólicos! Exu Tranca Tudo é o regente de festins e orgias. Exu da Pedra Negra é invocado para o sucesso em transações comerciais. Exu Tiriti pode enfraquecer a memória e a consciência. Exu da Capa Preta comanda as arruaças, os desentendimentos e a discórdia.
Pombagira trata dos casos de amor, protege as mulheres que a procuram, é capaz de propiciar qualquer tipo de união amorosa e sexual.
Nos terreiros, os nomes dos demônios são muito pouco conhecidos e me parece que poucos iniciados se interessam por eles. As hierarquias e ordens dos Exus também são pouco consideradas. Na prática dos terreiros, o Exu mais importante é o Exu do fundador ou do chefe do terreiro, ao qual se subordinam os Exus dos filhos-de-santo, sendo permitido a cada iniciado ter mais de um Exu. Nos candomblés da nação angola (Prandi, 1991a) e na maioria dos terreiros de umbanda, o iniciado tem um Exu masculino e uma Pombagira, além do orixá principal, orixá secundário (juntó), caboclo etc. Nessas modalidades religiosa, o mesmo iniciado pode entrar em transe de diferentes entidades. Uma gira de umbanda muito se assemelha a um grande palco do Brasil, povoado por tipos populares das mais diferentes origens.
Todos os Exus são donos das encruzilhadas, onde devem ser depositadas as oferendas que lhes são dadas. Mas, dependendo da forma e da localização da encruzilhada, ela pode pertencer a este ou àquele Exu. Todas as encruzilhadas em forma de T pertencem a Pombagira. A Encruza-Maior, uma encruzilhada em T em que cada uma das ruas que a formam nascem de encruzilhadas também em T, é onde reina a maior das Pombagiras, a Rainha, em respeito à qual nenhuma oferenda destinada a outras Pombagiras pode ser ali depositada, sob o risco de mortal castigo.
Pombagira é singular mas é também plural. Elas são muitas, cada qual com nome, aparência, preferências, símbolos e cantigas particulares. Entre dezenas, as Pombagiras mais conhecidas são: Pombagira Rainha, Maria Padilha, Pombagira Sete Saias, Maria Molambo, Pomba Gira da Calunga, Pombagira Cigana, Pombagira do Cruzeiro, Pombagira Cigana dos Sete Cruzeiros, Pombagira das Almas, Pombagira Maria Quitéria, Pombagira Dama da Noite, Pombagira Menina, Pombagira Mirongueira e Pombagira Menina da Praia.
Os Exus, e mais precisamente muitas Pombagiras, podem também ser considerados eguns, ou seja, espíritos de mortos, alguns de biografia mítica bem popular.
Maria Padilha, talvez a mais popular Pombagira, é considerada espírito de uma mulher muito bonita, branca, sedutora, e que em vida teria sido prostituta grã-fina ou influente cortesã. A escritora Marlyse Meyer publicou em 1993 seu interessante livro Maria Padilha e toda sua quadrilha, contando a história de uma amante de Pedro I (1334-1369), rei de Castela, a qual se chamava Maria Padilha. Seguindo uma pista da historiadora Laura Mello e Souza (1986), Meyer vasculha o Romancero General de romances castellanos anteriores ao siglo XVIII, depois documentos da Inquisição, construindo a trajetória de aventuras e feitiçaria de uma tal de Dona Maria Padilha e toda a sua quadrilha, de Montalvan a Beja, de Beja a Angola, de Angola a Recife e de Recife para os terreiros de São Paulo e de todo o Brasil. O livro é uma construção literária baseada em fatos documentais no que diz respeito à personagem histórica ibérica e em concepções míticas sobre a Padilha afro-brasileira. Evidentemente não encontra provas, e nem pretende encontrá-las, de que uma é a outra. Talvez um avatar imaginário, isto sim. E que pode, quem sabe, vir a ser, um dia, incorporado à mitologia umbandista.
Autores umbandistas, muitas vezes, conforme suas palavras, orientados pelas próprias entidades, publicam ricas e imaginosas biografias de Pombagira. Assim, Maria Molambo, uma Pombagira que sempre se veste de trapos, teria sido, no final do período Colonial no Brasil, a noiva prometida a um influente herdeiro patriarcal e que, apaixonada por outro homem, com ele fugiu de Alagoas para Pernambuco. Foram perseguidos incansavelmente pela família ultrajada e desejosa de vingança e encontrados três anos e meio depois. O jovem amante foi morto e ela levada de volta ao pai que cuspiu em seu rosto e a expulsou de casa para sempre. Como tinha uma filha pequena, a quem devia sustentar, Rosa Maria, este era seu nome, submeteu-se a trabalhar em casa de parentes na cidade de Olinda. Com a morte da filha, de novo viu-se na rua, prostituindo-se para sobreviver. Tuberculosa e abandonada, foi enfim buscada por parentes para receber a herança deixada pelos pais mortos. Rica, teria então se dedicado à caridade até sua morte, quando então, no outro mundo, conheceu Maria Padilha e entrou para a linha das Pombagiras (Omolubá, 1990).
Embora sejam muitas as versões sobre a personagem Pombagira, ela sempre aparece relacionada à prostituição, como sugere esta cantiga:
Disseram que iam me matar
Na porta do cabaré
Passei a noite lá
E ninguém me matou (pesquisa de campo)
Seu caráter de entidade perigosa e feiticeira, com a qual se deve tomar muito cuidado, também é sempre marcado:
Pombagira é a mulher de sete maridos
Não mexa com ela
Ela é um perigo (pesquisa de campo)

Pombagira girou
Pombagira girou no congá da Bahia
Pomba gira vem de longe
pra fazer feitiçaria (pesquisa de campo)

Pombagira vem sempre para trabalhar e trabalhar contra aqueles que são seus inimigos e inimigos de seus devotos. Ela considera seus amigos todos aqueles que a procuram necessitando seus favores e que sabem como agradecer-lhe e agradá-la. Deve-se presentear Pombagira com coisas que ela usa no terreiro, quando incorporada: tecidos sedosos para suas roupas nas cores vermelho e preto, perfumes, jóias e bijuterias, champanhe e outras bebidas, cigarro, cigarrilha e piteiras, rosas vermelhas abertas (nunca botões), além das oferendas de obrigação, os animais sacrificiais (sobretudo no candomblé) e as de despachos deixados nas encruzilhadas, cemitérios e outros locais, a depender do trabalho que se faz, sempre iluminado pelas velas vermelhas, pretas e, às vezes, brancas.
Para se ser amigo e devoto de Pombagira é preciso ter uma causa em que ela possa trabalhar, pois é o feitiço que a fortalece e lhe dá prestígio:

Demandas ela não rejeita
Ela gosta de demandar
Com seu garfo formoso
Seus inimigos gosta de espetar (Omolubá, 1990: 70)

Eu quero filho pra defender
E amigos pra espetar
Eu é Rainha das Sete Encruzilhadas
É lá que eu faço a minha morada (ibidem: 71)

Não há mãe-de-santo ou pai-de-santo que admita trabalhar para o mal. O mal, quando acontece, é sempre uma conseqüência do bem, pois as situações que envolvem os Exus são sempre situações contraditórias (Trindade, 1985). Se uma mulher está apaixonada por um homem comprometido e procura ajuda no terreiro, a única responsabilidade da mãe-de-santo e da Pombagira é a de atender à súplica de quem faz o pedido. Se a outra mulher tiver que ser abandonada, a culpa é dela mesma, que não procurou a proteção necessária, não tendo assim propiciado as entidades que a deveriam defender. Quando duas ou mais pessoas estão engajadas em pólos opostos de uma disputa, declara-se acirrada demanda (disputa, guerra) entre os litigantes humanos e seus protetores sobrenaturais. As demandas que envolvem questões amorosas são um campo específico de atuação da Pombagira. Questões de bem e de mal são irrelevantes:

Ela é Maria Padilha
De sandalhinha de pau
Ela trabalha para o bem
Mas também trabalha para o mal (ibidem: 70)

Pombagira, como praticamente todas as entidades que baixam nos terreiros de umbanda, sempre vêm para trabalhar, isto é, ajudar através da magia a quem precisa e busca ajuda. O conceito de "trabalho", isto é, uma prática mágica que interfere no mundo é central na umbanda e na construção de suas entidades (Prandi, 1991a; Pordeus Jr., 1993). Há sempre um grande número de pontos-cantados que se referem a esta "missão", como este:

É na banda do mar
É, é, é na Umbanda
Vem, vem da Quimbanda
Pombagira vem trabalhar (Molina, s/d: 55)
Pombagira, entretanto, não vive só de feitiços, ela não vem só para "trabalhar". Nas grandes festas de Exu e Pombagira, especialmente nos terreiros de candomblé em que há o costume de se oferecer apenas uma grande festa anual para essas entidades, Pombagira vem para se divertir, dançar e ser apreciada e homenageada, conforme o padrão do culto aos orixás, os quais jamais dão consultas, conselhos ou receitas de cura durante o transe de possessão. Um toque de Pombagira sempre tem um tom de festa e diversão, apesar do clima geralmente sombrio e das expressões muito estereotipadas do transe (Arcella, 1980). É assim que Pombagira se expressa nessas ocasiões:

Com meu vestido vermelho
Eu venho pra girar
Com meu colar, brinco e pulseira
Eu venho pra girar

Eu uso os melhores perfumes
Para a todos agradar
Eu sou a Pombagira
Eu venho pra girar

Este é o meu destino
O meu destino é este
É me divertir
Bebo, fumo, pulo e danço
Pra subsistir
Assim cumpro o meu destino
Que é me divertir (pesquisa de campo)
Sempre se diz que quem é amigo de Pombagira alcança todos os seus favores, mas quem é seu inimigo corre sempre sério risco. Daí, é muito freqüente, entre os adeptos, atitudes de medo e respeito para com Pombagira, mesmo quando dela não se pretende qualquer favor:

Quem não me respeitar
Oi, logo se afunda
Eu sou Maria Padilha
Dos sete cruzeiros da calunga

Quem não gosta de Maria Padilha
Tem, tem que se arrebentar
Ela é bonita, ela é formosa
Oh! bela, vem trabalhar (Ribeiro, 1991: 84)
Não é raro o envolvimento da Pombagira em casos de polícia e seu aparecimento em reportagens, novelas e séries de televisão. Num desses notórios casos, ocorrido no Rio de Janeiro em 1979, e amplamente discutido na literatura antropológica (Contins, 1983; Contins & Goldman, 1985; Maggie, 1992), um homem foi assassinado a mando da mulher por causa da sua suposta impotência sexual. Entre os envolvidos no crime, havia uma mulher que recebia Pombagira, que teria fornecido pós e trabalhos mágicos para o assassinato, mas como os pós e trabalhos mágicos não deram certo, a própria Pombagira teria sugerido, conforme depoimentos dos implicados, o uso do revólver. O comerciante foi morto a tiro disparado por outra mulher, depois do fracasso de um jovem faxineiro na tentativa de assassinato. Durante os trâmites na polícia e no judiciários, além dos personagens em carne e osso, compareceu Pombagira, em transe. Acodem, a pedido das autoridades, um psiquiatra, um pai-de-santo e um pastor evangélico. Os envolvidos acabam condenados. O caso, além do enorme interesse popular despertado, ensejou a produção dos mais variados discursos sobre a Pombagira (ou sua participação no crime): o mágico-religioso, o jornalístico, o jurídico, o psiquiátrico e o antropológico. Como o povo que certamente ela representa e simboliza, dona Pombagira, nesse caso, não se esgota em nenhuma dessas fontes de explicação, populares ou eruditas. Mas fica bem claro que, ainda que Pombagira seja uma entidade espiritual de baixo nível hierárquico de religiões de baixo prestígio social, sua presença no imaginário extravasa os limites dos seus seguidores para se fazer representar no pensamento das mais diversas classes sociais do país.
III: O que Pombagira pode fazer pelos mortais? Favores e oferendas
Pode-se pedir de tudo a Pombagira, como a qualquer divindade ou entidade afro-brasileira, mas sua fama está muito colada às questões de afeto, amor e sexualidade.
Quando se recorre a Pombagira, busca-se o conforto de três maneiras: 1) consultando-se com ela durante uma gira ou toque em que ela está presente pelo transe, em sessões que ocorrem muito tarde da noite, geralmente às sextas-feiras; 2) em contato com ela em sessão reservada, geralmente à tarde, quando o terreiro oferece consultas privadas; 3) tendo o pai ou mãe-de-santo como intermediador, podendo eles usar o jogo de búzios, o oráculo dos orixás (ver Capítulo III), o que acontece quando se trata de terreiro mais próximo de práticas do candomblé. A um pedido sempre corresponde algum tipo de oferenda. Vejamos, a título de ilustração, três fórmulas para se alcançarem favores de Pombagira.
1) Oferenda para Pombagira Cigana prender um homem ao lado de uma mulher para sempre: Perto da meia-noite, numa encruzilhada em forma de T, depois de pedir licença ao dono supremo de todas as encruzilhadas, Exu, recitar ou cantar dois pontos de Pombagira e depois arriar, sobre uma toalha de cores vermelho e preto, um batom, um par de tamancos, um par de brincos, sete velas vermelhas, uma garrafa de cachaça, vinho ou champanhe, sete fitas vermelhas e sete rosas vermelhas. Fazer o pedido e se afastar de costas (Alkimin, 1993: 26).
2) Oferenda a Pombagira Sete Saias para transformar uma inimiga em grande amiga: Preparar uma farofa de farinha de mandioca crua misturada com mel e arrumar no centro de um alguidar (prato de barro). Em volta colocar sete velas brancas, sete fitas de cores diferentes, sete rosas vermelhas, uma garrafa de champanhe e uma cigarrilha. Arriar numa encruzilhada em T, depois de pedir licença a Exu, numa noite de sábado ou segunda-feira (ibidem: 34).
3) Trabalho para Pombagira Calunga do Mar para despertar o interesse sexual de um homem: Numa meia-noite de segunda-feira, arriar na praia, depois de pedir licença a Ogum Beira-Mar e Iemanjá, um prato de barro contendo um limão, um maço de cigarros, sete contas de porcelana, um pente e um batom. Entrar na água e entregar, uma a uma, doze rosas amarelas. Junto ao prato, acender sete velas vermelhas (ibidem: 42).
A umbanda praticamente eliminou o sacrifício ritual, por isso Pombagira tem sua "dieta" limitada aos seguintes alimentos: farofa de farinha de mandioca com azeite de dendê e pimenta, que é o padê, comida predileta de Exu; farofa de farinha de mandioca com mel; aguardente, vinho branco ou champanhe (cidra, uma espécie de champanhe barata feita de maçã); carne crua com azeite de dendê e pimenta; farofa com carne-seca desfiada e pimenta; coração de boi assado na brasa, com sal e pimenta. No candomblé, entretanto, Pombagira recebe sacrifício votivo de galinhas pretas e, quando se pretende atingir objetivos mais difíceis, de cabras pretas e novilhas. Na umbanda a oferenda de alimento preferencialmente vai para um lugar fora do terreiro (encruzilhada, praia etc.), mas no candomblé as comidas são depositadas ao "pé da Pombagira", isto é, junto às suas representações materiais compostas de boneca de ferro (geralmente com chifres e rabo, como o diabo), tridentes arredondados de ferro, lanças de ferro e correntes (elementos presentes também nos pontos-riscados), representações que permanecem guardadas, longe dos olhos dos não-iniciados, nas dependências reservadas para o culto de Exu.
Descobrir qual é a oferenda certa para agradar Pombagira, e assim conseguir o favor almejado, representa sempre um grande desafio para os pais e mães-de-santo que presidem os cultos. O prestígio de muitos deles vem da fama que alcançam por serem considerados, por seguidores e clientes, bons conhecedores das fórmulas corretas para esse agrado.
IV: O mundo de Pombagira e dos Exus e o mundo dos homens
Se tanto os Exus masculinos como os variadíssimos avatares, formas e invocações de Pombagira, o Exu-Mulher, estão sincretizados com o demônio católico, no dia-a-dia dos terreiros este dado tem importância muito secundária. Esses diabos nem são tão maus e nem seu culto soa estranho para os fiéis. Penso que ninguém se imagina fazendo alguma coisa errada ao invocar, receber em transe, cultuar ou simplesmente interagir com Pombagira. Quando um devoto invoca Exu e Pombagira, dificilmente ele tem em mente estar tratando com divindades diabólicas que impliquem qualquer aliança com o inferno e as forças do mal. Na verdade, o que se observa é uma grande intimidade com os Exus, a ponto de os fiéis a eles se referirem carinhosamente e muito intimamente como "os compadres".
Nos terreiros de umbanda e nos candomblés que cultuam as formas umbandizadas de Exu, a concepção mais generalizada de Pombagira, é de que se trata de uma entidade muito parecida com os seres humanos. Ela teria tido uma vida passada que espelha certamente uma das mais difíceis condições humanas: a prostituição. Mas é justamente essa condição que permitiu a ela um total conhecimento e domínio de uma das mais difíceis áreas da vida das pessoas comuns, que é a vida sexual e o relacionamento humano fora dos padrões sociais de comportamento aceitos e recomendados. Assim, acredita-se que Pombagira é dotada de uma experiência de vida real e muito rica que a maioria dos mortais jamais conheceu, e por isso seus conselhos e socorros vêm de alguém que é capaz, antes de mais nada, de compreender os desejos, fantasias, angústias e desespero alheios.
Para Monique Augras, Pombagira representa uma espécie de recuperação brasileira de forças e características de divindades africanas que, no Brasil, no contato com a civilização católica, teriam passado por um processo de "cristianização". Ela está se referindo às Grandes Mães, as poderosas e temidas Iyami Oshorongás dos Ioruba, quase esquecidas no Brasil, e a Iemanjá, que ao se aclimar no Novo Mundo perdeu muito de seus traços originais, modelando-se a um sincretismo com Nossa Senhora que a tornou uma mãe quase assexuada, muito diferente da figura africana sensual, envolvida em casos de paixões avassaladoras, infidelidade, incesto e estupro (Augras, 1989).
Com Pombagira, no plano do ritual que é desenvolvido para se atuar no governo do cotidiano, assegura-se o acesso às dimensões mais próximas do mundo da natureza, dos instintos, aspirações e desejos inconfessos, o que estou chamando aqui de as faces inconfessas do Brasil. O culto de Pombagira revela, de modo muito explícito esse lado "menos nobre" da concepção popular de mundo e de agir no mundo entre nós, o que é muito negador dos estereótipos de brasileiro cordial, bonzinho, solidário e pacato. Com Pombagira guerra é guerra, salve-se quem puder.
Devemos no lembrar que as religiões afro-brasileiras são religiões que aceitam o mundo como ele é. Este mundo é considerado o lugar onde todas as realizações pessoais são moralmente desejáveis e possíveis. O bom seguidor das religiões dos orixás deve fazer todo o possível para que seus desejos se realizem, pois é através da realização humana que os deuses ficam mais fortes, e podem assim mais nos ajudar. Esse empenho em ser feliz não pode se enfraquecer diante de nenhuma barreira, mesmo que a felicidade implique o infortúnio do outro. De outro lado, o código de moralidade dessas religiões, se é que é possível usar aqui a idéia de moralidade, estabelece uma relação de lealdade e de reciprocidade entre o fiel e suas entidades divinas ou espirituais, nunca entre os homens como comunidade solidária (Prandi, 1991a; Fry, 1975). Na própria constituição dessas religiões no Brasil, o culto dos ancestrais (egunguns) como a dimensão religiosa controladora da moralidade, tal como na África de então e sobretudo nas regiões de cultura iorubá, foi em grande parte perdido, primeiro porque a moralidade no mundo escravista estava sob o controle estrito do mundo do branco, com sua religião católica, esta sim a grande fonte de orientação do comportamento; segundo porque a escravidão desagregava a família e destruía as referências tribais e do clã, essenciais no culto do ancestral egungun. Vingou, das religiões negras originárias, o culto dos orixás (e voduns e inquices, estes diluídos e substituídos pelos orixás), centrado na pessoa e na idéia já contemporânea de reforçamento da individualidade através do sacrifício iniciático, no candomblé, e depois pela troca clientelística, na umbanda. De fato, as religiões afro-brasileiras espelham muito as condições históricas de sua formação: religiões de subalternos (primeiro os escravos, depois os negros livres marginalizados, mais tarde os pobres urbanos) que se formam também como religiões subalternas, isto é, no mínimo, religiões tributárias do catolicismo, que até hoje, em grande medida, aparece como a religião que dá identidade aos seguidores dos cultos afro-brasileiros. Quando as religiões dos orixás e voduns eram religiões de grupos negros isolados (mais ou menos até 40 ou 50 anos atrás), o catolicismo, além de ser a face voltada para o mundo branco exterior, dominante e ameaçador, era ele também o elemento que, tendo o sincretismo como instrumento operador, rompia com esse isolamento sócio-cultural para fazer de todos, mais que negros, participantes de uma identidade nacional: ser brasileiro. Mais tarde, quando as religiões afro-brasileiras romperam com as barreiras de cor, geografia e origem, produzindo-se suas novas modalidades de caráter universalizado, agora religiões para todos, independente de cor e geografia, ainda que estes todos sejam majoritariamente os pobres, a persistência do sincretismo católico passou a indicar uma dependência estrutural dessas religiões para com as fontes axiológicas mais gerais referidas à sociedade brasileira. Ainda é o catolicismo que diz o que é certo e o que é errado quando se trata de se pensar a relação com o outro. Quando se busca, contudo, romper momentaneamente com o código do que é certo e errado, as religiões afro-brasileiras não têm nenhuma objeção a apresentar, desde que se preservem as prerrogativas das divindades. Mas a ruptura só pode ser momentânea e em casos particulares, mesmo porque qualquer ruptura definitiva acarretaria uma separação não somente no âmbito da religião, mas no domínio mais geral da vida em sociedade.
Não é de se estranhar, portanto, que o culto a Pombagira faça parte do lado mais escondido das religiões afro-brasileiras, que é conhecido sobretudo pelo nome de quimbanda, pois as motivações básicas do culto também pertencem a dimensões do indivíduo muito encobertas pelos padrões de moralidade da sociedade ocidental-cristã. Nem é de se estranhar que tenha sido a umbanda que melhor desenvolveu esta entidade, pois foi a umbanda, como movimento de constituição de uma religião referida aos orixás e aos pactos de troca entre homem e divindade e ao mesmo tempo preocupada em absorver a moralidade cristã, que separou o bem do mal, sendo portanto, obrigada a criar panteões separados para dar conta de cada um. Mas se, formalmente, a umbanda separou o mundo dos "demônios", ela nunca pôde dispor deles nem tratá-los como entidades das quais só nos cabe manter o maior afastamento possível, sob pena de perdição e danação eterna. Porque a umbanda nunca se cristianizou, ao contrário do que pode fazer entender a idéia de sincretismo religioso: ela reconhece o mal como um elemento constitutivo da natureza humana, e o descaracteriza como mal, criando todas as possibilidades rituais para sua manipulação a favor dos homens.
Por tudo isto se diz que as religiões afro-brasileiras são religiões de liberação da personalidade, pois não faz parte nem de seu ideário nem de suas práticas rituais o acobertamento e aniquilamento das paixões humanas de toda natureza, por mais recônditas que sejam elas. Isto é exatamente o contrário do que pregam e exercitam as religiões pentecostais, que são o grande antagonista do candomblé e da umbanda nos dias de hoje, a ponto de declararem a estas uma espécie de guerra santa, que contamina, com intransigência e uso freqüente da violência física, as periferias mais pobres das grandes cidades brasileiras (Mariano, 1995).
Mas se as religiões afro-brasileiras são, neste sentido, liberadoras do indivíduo, o fato de elas supervalorizarem a relação homem–entidade e darem pouca importância aos valores de solidariedade e justiça social faz com que elas dotem seus seguidores de uma especial abordagem mágica e egoísta do mundo, desinteressando-os da possibilidade de ações no sentido de transformação do mundo e de uma conseqüente participação política importante, num contexto como o brasileiro, para a promoção de qualquer idéia mais sólida e solidária de liberdade (Prandi, 1993).
Na luta dos homens e mulheres brasileiros que procuram o mundo dos Exus para a realização de seus anseios mais íntimos — homens e mulheres que são em geral de classes sociais médias-baixas e pobres, quase sempre de pouca escolaridade e reduzida informação e para quem as mudanças sociais têm trazido pouca ou nenhuma vantagem real na qualidade de suas vidas — dona Pombagira representa sem dúvida uma importante valorização da intimidade de cada um, pois para Pombagira não existe desejo ilegítimo, nem aspiração inalcançável, nem fantasia reprovável. Como se existisse um mundo de felicidade, cujo acesso ela controla e governa, que fosse exatamente o contrário do frustrante mundo do nosso cotidiano.

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Segunda-feira, 12 de Setembro de 2005

Saber o que é ser Umbandista

"Se a sua Estrela não brilha, não tente apagar o brilho da minha"

 

A CONDUTA NO TEMPLO DE UMBANDA

 

O sucesso dos trabalhos efetuados em uma sessão espiritual depende, em grande parte, da concentração e da postura de médiuns e assistentes presentes. O Templo de Umbanda é um local sagrado, especialmente preparados para as actividades espirituais, e que têm sobre seus espaços uma cúpula espiritual responsável pelas diretrizes básicas de amparo, orientação e segurança daqueles que, ou buscam ali a solução ou o abrandamento de seus males, ou dos que emprestam sua estrutura física para servirem de veículos à prática do bem. Apesar disto, alguns participantes julgam que, por tratar-se de culto de invocação, não se deve dar a devida atenção e respeito, sendo tais virtudes ausentes nestes indivíduos. Respeito, palavra que muitos bradam quando são contrariados, mas que cai no esquecimento daqueles que muito ofendem. Temos visto, para nossa tristeza, que existem conversas paralelas, mexericos, algazarras, exibicionismos, bajulações etc., esquecendo-se que tais comportamentos atraem e "alimentam" os kiumbas, que, aproveitando-se das vibrações negativas emanadas por estas pessoas, desarmonizam e quebram a esfera fluídica positiva, comprometendo assim os trabalhos assistenciais. Devemos lembrar que o silêncio e a pureza de pensamentos são essenciais ao exercício da fé. Temos observado também que alguns assistentes, e mesmo alguns médiuns, dirigirem-se desrespeitosamente aos espíritos trabalhadores (Entidades). Debocham de suas características e duvidam de sua eficiência. Entretanto, quando passam por uma série de sofrimentos físicos e espirituais, recorrem àqueles mesmos espíritos que outrora foram alvos de sua indiferença. Restabelecidos, atribuem sua melhora ao acaso. Devem, médiuns e assistentes, observar o silêncio e o pensamento em situações ou coisas que representem fluídos do bem. Este procedimento tem como consequência a irmanação energética com os espíritos, decorrendo daí o derramamento sobre o terreiro do elixir etéreo da paz e da fraternidade. O que se consegue do mundo astral é, antes de tudo, fruto da bondade e do merecimento de cada um. A conduta recta e positiva deve ser a tónica em uma agremiação umbandista, para que os Guias e Protetores possam instalar no mental e no coração de cada participante sementes de bondade, amor e proteção. A homogeneidade de pensamentos é instrumento de poder do ser humano, rumo a concretização de seus desejos, sendo fundamental que se apresentem límpidos e sinceros num Casa de Umbanda.

 

ÉTICA NA UMBANDA

 

A Umbanda é uma Religião. Isto é um facto. A par dos princípios sadios e básicos que norteiam a religião, muitas pessoas, desde o início do culto, sempre pugnaram pela elevação da Umbanda nos mais diferentes aspectos. Entre eles, o cunho subjetivo (pessoal) sempre foi alvo das mais contundentes discussões. Temas como moral, ética, conduta mediúnica etc., sempre foram objectos de polémicas, onde cada um por si, tenta fazer ver aos outros que tal ou qual conduta é certa ou errada. No entanto, por trás destas discussões comportamentais, existem duas forças antagônicas degladiando-se incessantemente: a força da moral, dos bons costumes, da ética, da espiritualidade superior, da verdade; e a força da subjugação, da mentira, da permissividade, da parcialidade, da imoralidade.Na Umbanda, como em outros segmentos religiosos, há uma pluralidade de idéias, de ideais, um heterogeneidade de interesses em relação à religião. Existem aqueles que apenas servem-se ou tentam servir-se da religião para os seus próprios interesses. Não esclarecem nem difundem os sublimes ensinamentos e metas do astral superior; pregam ritualísticas sem base, sem fundamentos; fazem do terreiro de Umbanda um circo, não discutem abertamente os problemas na religião, porque, se discutirem, colocarão sob avaliação as suas condutas distorcidas. Outros mais corajosos e comprometidos com o aperfeiçoamento, estão sempre a comentar e orientar quanto aos fenômenos negativos que ora se apresentam, mostrando o caminho diante dos problemas emergentes. A ética por exemplo, conjunto de princípios e deveres morais que o homem tem para com Deus e a sociedade, é um factor que deve preponderar em qualquer pessoa que queira ver a Umbanda fortalecer-se moralmente e intelectualmente. Para que tal progresso ocorra torna-se necessário trazermos à tona os focos destoantes do comportamento. A partir daí, veremos melhor quem são aqueles realmente comprometidos com as diretrizes de Oxalá. Visualisaremos também outros tantos que estão somente preocupados em sedimentar a obscuridade, a confusão, a permissividade. Os verdadeiros umbandistas não temem discutir os aspectos subjetivos e materiais da religião, pois são sabedores que tal acção só melhorará a nossa religião, fazendo com que no futuro tenhamos uma Umbanda melhor, mais moralizado, mais elevado, de melhores médiuns e assistentes. Quanto àqueles que insistem em esconder os problemas na religião, fazem-no porque, ocultando os focos destoantes, estarão camuflando as aberrações ético-morais de si mesmos, contaminados que estão de condutas que os costumes, o caráter e a honestidade sempre repeliram.

 

NA UMBANDA TODOS SÃO IGUAIS


No meio das actividades espirito-materiais nos terreiros de Umbanda que pregam a igualdade, a fraternidade, o amor , um facto, dentre de muitos, nos chama à atenção. Por isso mesmo, merece uma análise mais profunda e esclarecedora por parte daqueles que querem ver a Umbanda mais forte e coesa. A Umbanda, assim como outros agrupamentos religiosos, é formada por pessoas das mais diferentes classes econômico-sociais e étnicas, que formam o que se denomina de meio religioso intercorrente. Também é de conhecimento geral que, não obstante as pessoas terem profissões ou ofícios diferentes, todos deverão estar ali, naquele espaço, imbuídas da mesma finalidade: auxílio espiritual e material aos necessitados. Faz-se então necessário traçar uma linha divisória entre o status que algumas pessoas possam ter em sociedade e o trabalho espiritual exercido pelas mesmas. Todos, independentemente dos títulos honoríficos ou profissionais que possam ter, deverão estar irmanados com aqueles que não puderam alcançar um estágio intelectual ou cultural mais elevado, no sentido de, juntos, poderem dar a sua cota de sacrifício em prol da Umbanda. Com muito pesar, observamos que algumas pessoas ainda julgam a existência da bondade e do altruísmo pela riqueza material ou intelectual que alguns detêm. Não que bens ou cultura sejam nocivos; muito pelo contrário, se bem utilizados, são de grande valia para o progresso da humanidade. Referimo-nos a médiuns que tratam de maneira diferente abastados e pobres; que tratam com pompa os que possuem títulos, desprezando aqueles que possuem quando muito a primeira classe; que dão atenção e mantém diálogos sómente com aqueles que têm automóvel novo e sucesso econômico. A soberba, a vaidade, o orgulho, a ganância, o egocentrismo e a ambição doentia não deixam ver a estas pessoas que o que importa na Umbanda é o SER, será dizer, ser honesto, ser dedicado à religião, ser simples, ser humilde, e não o TER, ter títulos profissionais, carrões último modelo, mansões sumptuosas, e um belo saldo bancário. A religião jamais poderá ser utilizada como ferramenta de projeção social, bem como em complemento de sucesso profissional. A Umbanda, esta elevada religião, foi criada no plano astral trazendo como carro-chefe os espíritos de índios e negros, duas das raças mais martirizadas do globo terrestre, e que, em última análise, representam a humildade, a dignidade, a sinceridade e o alto grau de espiritualidade, sentimentos e virtudes ainda ausentes em muitos corações. Na Umbanda não há lugar para ostentações terrenas, não há lugar para títulos materiais, tanto para espíritos quanto para médiuns e assistentes. Na Umbanda não se manifestam espíritos com o rótulo de "doutores" ou "mestres", mas sim os esforçados e trabalhadores Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Crianças etc. que, seguindo as directrizes da espiritualidade superior, não medem esforços no sentido de auxiliarem os habitantes da Terra, encarnados ou não, a progredirem espiritualmente. Que esta simples dissertação possa de alguma forma contribuir para que alguns irmãos umbandistas, ainda impressionados com títulos e posses terrenos, alcancem o verdadeiro sentido da palavra IGUALDADE, e assim colaborem para que cada vez mais a Umbanda possa se tornar, não uma religião de ricos e pobres; de doutores e proletários, mas sim em segmento religioso de irmãos, unidos por laços de amor e fraternidade.



VOCÊ É UMBANDISTA ?


Uma das questões de relevância dentro da comunidade umbandista diz respeito a se apontar, dentro de um raciocínio aplicável, a consciência do ser humano, se determinadas pessoas podem ser consideradas, de facto e de direito, como filhos da Corrente Astral de Umbanda. Não queremos de forma alguma aplicar fórmulas matemáticas aos aspectos humanos, pois entendemos que cada um, dentro de seu estágio evolucional, tem uma maneira própria de se situar naquilo que conhece como religião, uma vez que os espíritos encarnados encontram-se em diferentes degraus da escala espírito-progressiva. No entanto, é certo e racional que firmemos parâmetros básicos que possam nortear uma definição, se não perfeita, pelo menos razoável, no que diz respeito a ser ou não ser considerado umbandista. Tais considerações racima referidas prendem-se ao facto de que, ao vivenciarmos o Movimento Umbandista, nos deparamos com situações (actos e factos) que nos impulsionam a repelir determinadas formas de pensamento e comportamento, incompatíveis com os fundamentos da Umbanda Será umbandista aquele indivíduo que faz caridade vinculada a favores posteriores, ou aquele que se promove para um lugar de destaque, promovendo o "toma lá, dá cá" ? Será que pode ser considerado umbandista aquele que é cúmplice da escravidão religiosa, não esclarecendo aos enclausurados que só o conhecimento os libertará dos vendilhões do templo ? Será que é considerado umbandista o indivíduo que se omite diante do comportamento distorcido de um irmão de fé, não o auxiliando a desprender-se de certos conceitos prejudiciais a sua evolução ? Será que é umbandista aquele que, ao observar um irmão de fé com faculdades espirituais, morais, intelectuais e culturais que possam ser úteis para o progresso da Umbanda, ao invés de incentivá-lo a prosseguir, trata sorrateiramente de lhe "puxar o tapete" , com medo que sua imagem fique ofuscada, ou por inveja ? Será que é umbandista aquele que valoriza as pessoas pelos títulos profissionais ou honoríficos e pelos bens que estas possuem, deixando em segundo plano os valores morais, éticos e espirituais ? Será que é considerado umbandista o indivíduo que ganha notoriedade num templo através de conchavos, ou através da mostra do saldo de sua conta bancária, e que tenta a todo o custo ser o centro das atenções. Será que tudo o que foi escrito até agora servirá de alerta e conselho, para que se regenerem e possam engrossar as fileiras dos verdadeiros filhos de Umbanda? Esperamos que sim.


 

Autor Pedro Nina

pnina@sapo.pt
publicado por Pai Pedro de Ogum às 15:30

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Sexta-feira, 3 de Junho de 2005

Transe Xamânico

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POSTURAS QUE LEVAM AO INFINITO
Ao estudar imagens de antigos povos tribais, a antropóloga Felicitas Goodman descobriu que determinadas posições corporais eram utilizadas por xamãs e pajés para provocar o transe espiritual. A partir daí, ela recuperou essa técnica e vem aplicando-a com sucesso. Neste artigo, Jacques Vroemen - um ex-materialista convicto que experimentou o método na prática - relata o que viu na terra dos xamãs.
Por Jacques Vroemey

Nos anos 70, os livros de Carlos Castañeda fascinavam muitos que estavam com vontade de abandonar uma época racional demais com seus fenômenos colaterais, horrivelmente irracionais. O mestre de Castañeda, o índio xamã Don Juan, se recusava a ver "duas realidades" diferentes como campos separados. E assim Castañeda chegou à conclusão de que a realidade invisível é a outra face, sempre presente, da realidade exterior, objetiva, e que os sonhos noturnos são muitas vezes sombras de um campo de experiência rejeitado, onde se pode andar por caminhos diversos e ir mais além.

Há alguns anos, conheci a antropóloga americana Felicitas Goodman.
Com ela aprendi como entrar num outro nível de consciência, ficando durante algum tempo na mesma posição. Nesta situação se vê - sem drogas - um mundo que não conseguimos enxergar em estado normal da consciência. Tal estado pode ser comparado à experiência dos sonhos, mas fica-se totalmente desperto e pode-se sair e entrar dele de forma voluntária, registrando-se os acontecimentos.
A gente se prepara para a "viagem" através de exercícios respiratórios - um método praticado durante milhares de anos pelos xamãs para induzir o transe. Enquanto se
fica sempre na mesma postura, se ouve um tambor ou matraca - co-nhecido na literatura como o "navio" ou "cavalo" do xamã.
Durante um seminário para nos ensinar a técnica primordial da "viagem da alma", falávamos sobre nossas experiências e impressões do “outro mundo", e Felicitas Goodman nos explicou que o mundo dos velhos mitos se abrira para nós... Encontramos cenários, animais e plantas também descritos nos contos de fada. Era a terra dos xamãs, e a viagem para lá traz bem-estar e energia às pessoas.

Em seus seminários, primeiramente Felicitas trabalhava com as técnicas já conhecidas. A idéia de que também a postura do corpo seria muito importante surgiu pela primeira vez quando ela observava e comparava imagens e esculturas de
povos tribais tradicionais. Por que, perguntava ela, os xamãs, pajés e sacerdotes foram freqüentemente apresentados nas mesmas posturas, sempre se repetindo? Será que se tratava de posturas corporais usadas para provocar o transe?
Felicitas testou a hipótese com a ajuda voluntária de estudantes da Ohio State University, e as experiências confirmaram sua idéia.
Baseando-se em comparações de métodos xamanistas de vários povos, Felicitas Goodman chegou á conclusão de que a indução de um transe através de uma determinada posição corporal relaciona-se a uma sabedoria universal. Na Lapônia e com os índios inuit (esquimós), do noroeste do Canadá, ela encontrou os mesmos métodos para induzir a "viagem da alma". Os druidas celtas e os gregos também conheciam esses métodos. A professora descobriu ainda a mesma posição do corpo num desenho de um xamã-caçador nas cavernas de Lascaux e numa representação da divindade egípcia Osíris.
As experiências que tivemos no seminário de Felicitas não eram apenas interessantes do ponto de vista etnológico, mas também psicológico. Minhas viagens pelo subconsciente me deram uma idéia muito melhor das camadas mais profundas de minha consciência. Ali não está escuro como muitos pensam, apenas misterioso, e encontramos muitas máscaras. Os "espíritos" não podem se mostrar a nós de outro modo para não nos prejudicar. Mas, acima de tudo, podemos encontrar nesse mundo nossos aliados, nossos ajudantes espirituais.
Surpreendentemente, encontrei meu primeiro aliado quando, de volta à fria Holanda, decidi outra vez fazer uma "viagem". Desde então, o aliado aparece como uma pantera negra, e não lembra nem um pouca o gatinho branco que vive comigo a realidade de todos os dias. Inúmeras imagens das chamadas culturas "primitivas" mostram que panteras, pumas, pássaros e plantas se oferecem como ajudantes às pessoas viajando no "além-mundo".
Cada postura diferente do corpo influi especificamente no tipo de transe. Algumas, por exemplo, mostram ao xamã onde sua tribo pode encontrar alimentação e caça; qual a causa de um problema social ou de saúde; ou em que local erguer uma nova construção.

No último verão, durante uma sessão, Felicitas Goodman pedimos para convidar os "espíritos" a nos ajudar na execução de uma dança de máscaras.
Nós nos encontrávamos numa kiva, a sala de meditação tradicional dos índios.
A realidade se transformou. A sala se expandiu até um tamanho bem maior, onde se achavam muitos outros viajantes. De repente, entendi que os espirites dos índios que já viviam nesse lugar nos acompanhavam. Enquanto estávamos sentados num círculo, esperançosos, ouvi alguma coisa no telhado. Pensei que fosse um galho qualquer, mas ali não existem árvores e eu sabia que não estava ventando. De repente, estava fora da kiva. Pássaros gigantes vindos das montanhas se aproximavam. Alguns já estavam sentados em cima do telhado, e outros estavam enfeitando o espaço entre as poucas casas de adobe. Estava tudo fantástico: eles catavam grandes arco-íris do horizonte, estendendo-os sobe a região. Realmente a dança seria uma grande festa.
Fiquei, porém, decepcionado quando a maraca que nos acompanhava parou de repente. Sem essa companheira de viagem, era difícil e desaconselhável - demorar por mais tempo naquele estado de consciência. A kiva assumia novamente
suas proporções normais, os pássaros haviam desaparecido e não se ouvia mais nada vindo de fora.
No dia seguinte choveu um pouco - como é costumeiro em agosto no Novo México - mas apareceram dois arco-íris completos. Eu nunca vira coisa igual. Como postura básica de nossa viagem escolhemos uma originária dos povos siberianos, denominada ali de chiltan, ou "chamada dos espíritos". Bem, os espíritos vieram realmente! Outras pessoas que participavam da sessão tinham visto as entidades de uma forma diferente, muitas vezes como animais, figuras luminosas ou sonoras, ou também como vaga-lumes enormes.
Semanas depois, li um artigo do etnólogo Michael Harner sobre suas primeiras experiências com esse transe e fiquei muito surpreso: grandes pássaros negros se aproximaram dele, escreveu. Harner achou que eram os "mestres do universo", mas seu companheiro, um xamã jívaro (tribo amazônica), ria dele: "Eles sempre pensam que são", disse. É preciso saber orientar-se no mundo dos espiritos para entender que também ali existem hierarquias e que nem todos os espíritos se encontram num nível mais elevado do que os seres humanos. Tampouco são bons ou maus. Podem ser úteis ou perigosos, sendo necessária muita experiência para poder discriminá-los.
As técnicas de transe para a cura são muito importantes na vida dos povos tradicionais. Com a ajuda da "postura urso", tive a primeira experiência de transe que me levou a ver a matéria que estava estudando - a antropologia das culturas - de um ângulo totalmente diferente.
Durante anos, tudo foi confrontado com material etnográfico, contendo informações sobre outros povos - em geral, uma mistura de imagens e textos. Já que essas imagens eram para nós, estudantes, totalmente incompreensíveis, nos textos se tentava dar explicações. Mas, infelizmente, tais explicações vieram de pessoas também ignorantes em relação à cultura em questão. Quem pega na mão uma obra desse tipo - sobre arte africana ou oceânica - encontra sempre explicações do tipo: "Imagens dos ancestrais são usadas durante o ritual da colheita." O que me impressionou muito mais do que a explicação superficial foi a expressão das imagens, mostrando o estado de ser em que o artista se encontrava e do qual ele queria transmitir algo ao observador. E assim cheguei à conclusão de que minha primeira impressão estava certa: esse tipo de arte popular tem uma função específica!
Mesmo assim, me senti bastante incomodado quando Felicitas me fez adotar durante meus primeiros seminários a "postura do urso", que ela descobrira em representações artísticas de muitos povos do hemisfério norte. O urso, também chamado de "avô urso", surge nos mitos dessas culturas como o curandeiro de uma outra realidade.
Deve-se, no caso, imitar todas as posturas-transe exatamente como representadas na imagem ou escultura. Até a posição exata dos dedos é bem visível naquelas imagens. A expressão do rosto de uma figura também mostra que tipo de "viagem" se fará, adotando-se aquela postura.
Ficamos em pé, de olhos fechados, num círculo, esperançosos, a cabeça inclinada um pouco para trás, as mãos juntas de uma certa maneira, em frente do corpo, quando a matraca começou a se manifestar. No início, com muita curiosidade, divertido, ouvi os grãos duros sendo sacudidos dentro da cabaça.
O ritmo suave da matraca me levou para uma viagem. O som da cabaça estava agora dividido em dois: um som mais baixo ao lado de um mais alto, sons graves e agudos, ou cheios e pesados ao lado de sons leves. Sentias como as ondas de duas águas, onde podia mergulhar se quisesse. Ao mesmo tempo algo se abriu sobre mim, irradiando calor.
Como era pequeno em comparação a tudo ao meu redor! Estava num barco, era gostoso ser levado observando, olhando para cima; sabia que estava deitado no porão de um navio. Mas aí descobri que não estava num navio, e sim dentro de uma baleia. Vi as poderosas costelas do animal me levando pelos oceanos do mundo.
A sensação de se deixar levar daquela maneira por um animal gigantesco é impossível de descrever. Cada onda causada pelos movimentos da cauda da baleia parecia um mar em si. Pinóquio e Jonas devem ter conhecido aquela sensação: de ser muito pequeno, pequeníssimo, e por isso mesmo bem protegido. Não só o quarto em que me encontrava se expandia, também o tempo era muito mais longo do que o tempo do relógio. Minha viagem dentro da baleia parecia durar uma eternidade.
A matraca silenciara e nós nos sentamos de novo num círculo, como se fosse combinado. A praia onde fui jogado como um Robinson Crusoe, contente de sé encontrar na sua ilha, parecia um tapete macio.
Agora sei que o êxtase é muitas vezes descrito de modo espetacular demais. Eu pessoalmente tive uma experiência de êxtase comparável a um delicioso passeio de carro pelas montanhas. Olhei para os outros. O que lhes teria acontecido?
As experiências deles pareciam as minhas, mas muitas eram bem mais movimentadas. Sem dúvida alguma, a qualidade das imagens e experiências dependem do ponto de partida do transe. Um terço dos meus companheiros descreveram o "grande espaço ao meu redor", por exemplo, não como uma baleia, mas como um enorme urso: tocavam na pele macia do bicho, viram suas patas enormes, sua boca e seus olhos. O animal se inclinava sobre eles, abraçando-os, protegendo-os.
Quando mais tarde folheei meus livros do tempo de estudante, vi uma imagem do "avô-urso" e seus dentes grandes me lembravam as costelas da minha baleia.
Todos nós nos sentíamos surpresos com a realidade da experiência e alguém descreveu detalhes como um animal passando, uma cadeia de montanhas, ou um túnel. Porque, em geral, a gente só percebe uma pequena parte de tudo. Somente nas conversas depois da experiência, todas as percepções individuais se ajuntam para formar um mosaico.
Quase todos falavam depois de um certo sofrimento de que já estavam conscientes antes, mas que agora, através do transe, sentiam mais. Alguns receberam conselhos de como poderiam diminuir seu padecimento. `Alguém, sofrendo de dores crônicas nas costas, teve a impressão de que o aconselharam a mudar a postura do corpo, que estava errada. Outros receberam conselhos psicológicos sobre a causa dos seus problemas e como curá-los. Felicitas contou que certa vez, durante uma sessão, um médico alemão sentiu-se sendo levantado do chão pelo urso e colocado no alto de uma árvore, de onde pôde ver sua própria clínica. E ali, pela primeira vez em sua vida, ele notou como era pesado e difícil o trabalho e a responsabilidade dos enfermeiros.
Fizemos uma viagem pelos mitos do urso, pelo reino daquele grande animal protetor de que tanto falam os povos nórdicos em suas lendas. Praticamente todos os participantes passaram pelas mesmas experiências, mas mesmo assim essas não são consideradas como relevantes pela ciência ocidental, pois não podem ser comprovadas cientificamente.
Para mim, o mais importante é saber o que vai acontecer comigo daqui para a frente. Tenho agora a absoluta certeza de que nem tudo no mundo é como parece - uma certeza que continua crescendo. Estou sozinho no meu mundo espiritual, mas não sem companhia -uma companhia invisível para os outros. Em todo caso, sei agora que a minha existência tem raízes numa realidade profunda.
publicado por Pai Pedro de Ogum às 12:45

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Quarta-feira, 1 de Junho de 2005

O Paradigma do Saber para Ser

O Paradigma do Saber para Ser
Por Pedro Nina
Notas para Reflexão
Junho 2003
 
Estas notas pretendem dar a conhecer e contribuir para a reflexão, de alguns temas de interesse sobre a Umbanda, numa vertente comportamental, e não do conhecimento oculto e esotérico; pois para, esse conhecimento só nos poderá ser ensinado pelas Entidades.
Por isso torna-se necessário, não dar opnião, mas transcrever ideias e apontamentos que tenho encontrado durante esta Senda que é o Caminho Espiritual na Umbanda.
Todos os temas foram extraídos de livros, conversas, dissertações e várias reuniões on-line, em que se debatem temas práticos da Umbanda. Não se pretende com isto considerar qualquer particularidade, mas sim, dar algumas notas e informação para se encontrar a "Consciência do que é ser Umbandista".
Tentar explicar duma forma simples alguns detalhes da Umbanda, por vezes tão simples de demonstrar e ao mesmo tempo tão difícil de praticar.
 
É este o nosso de desafio maior
 
UMA PALAVRA SOBRE O SINCRETISMO
 
Um dos assuntos que mais tem chamado a atenção daqueles que estão inseridos no meio umbandista, e que tem causado uma grande confusão principalmente na mente dos iniciados ao Culto Umbandista, é, sem dúvida, o Sincretismo Religioso.
Para entendermos melhor o processo de semelhança entre as divindades cultuadas pelos diversos povos africanos (Gêges, Nagôs, Congoleses, Angolanos etc.) e os santos católicos, e seus reflexos dentro da Corrente Astral de Umbanda, torna-se necessário voltarmos ao século XVI, período em que os negros começaram a desembarcar em Terras de Santa Cruz (Brasil).
Tratados como animais pelos senhores de engenho, os negros escravos, nas poucas horas de descanso, praticavam rituais próprios de adoração e evocação das suas divindades, às quais chamavam Orixás, inkices, bacuros, voduns etc. No entanto, era forte a influência e a pressão que os sacerdotes católicos exerciam sobre os latifundiários, para que estes os auxiliassem na tarefa de destruir a religiosidade dos negros.Pois bem, diante da feroz vigilância e repressão, os negros, inteligentemente, passaram a utilizar nos seus rituais imagens de santos católicos, que colocavam nos seus altares (congás), ocultando a representação dos seus deuses por sob as ditas imagens, e com isso passando aos brancos a idéia de estarem a cultuar os santos católicos.
Com o avanço do processo de conhecimento dos negros sobre o catolicismo, estes começaram a detectar alguns pontos em comum entre as divindades africanas e os santos da igreja.
Descobriram por exemplo que São Sebastião foi vítima de flechas no interior da mata, assemelhando-o a Oxósse, o orixá das matas, cujo símbolo é o arco e a flecha. Tomaram conhecimento que São Jorge tinha sido um soldado com muitos feitos militares, passando os negros a assemelhá-lo a Ogum, o orixá vencedor de batalhas, e cujo símbolo é a espada, instrumento igualmente utilizado pelos militares no Império Romano.
Tiveram também conhecimento que São Lázaro teria tido o seu corpo coberto de chagas, assemelhando-o de imediato a Omulú /Obaluayê, orixá responsável por doenças reajustadoras, em especial a varíola, patologia que causa feridas no corpo.
Assim aconteceram outras semelhanças entre orixás e santos católicos. De acordo com a divindade cultuada em determinado dia, os negros utilizavam as imagens dos santos assemelhados, primeiro para despistarem os brancos e, segundo, porque mesmo sendo oprimidos e maltratados tinham dignidade bastante para respeitarem a religiosidade alheia.
Deste relato histórico anteriormente citado é que se sedimentou o sincretismo, ou seja a semelhança entre orixás e santos, os primeiros, divindades africanas, os segundos, personalidades da igreja católica.
Até aqui se verifica que as religiões inseridas no contexto são o catolicismo e os cultos africanistas. Assim sendo, a Umbanda nunca esteve presente no processo de sincretismo, pois nem sequer tinha sido anunciada no plano físico.
As Energias Espirituais não tinham nomes específicos conhecidos pelos humanos, tão pouco tinham passado pelo processo de encarnação. Vieram trabalhar na Umbanda uma gama de esforçados e bondosos espíritos, porém em níveis diferentes de evolução,nomeadamente, índios, asiáticos, europeus, africanos etc. Ocorre que a grande maioria dos espíritos que encarnaram e desencarnaram em solo africano, e mesmo aqueles que foram trazidos para o Brasil como escravos, e ainda os que aqui nasciam já escravos, tinham pouca elevação espiritual e cultural, não tendo discernimento quanto aos reais valores astrais. Deste modo, ainda estavam muito apegados às lembranças dos cultos que praticavam, sentindo-se por isto desfamiliarizados com a Corrente Espírito-Fraternal em que iriam trabalhar. Os Senhores do Cosmo, observando tal dificuldade, permitiram a estes espíritos chamarem as Potências Cósmicas de Orixás, a fim de "se sentirem em casa".
Outros espíritos mais evoluidos da Corrente de Umbanda, (entendendo o que ocorria) passaram a aceitar os nomes Xangô, Oxósse, Iemanjá, Ogum, e assim por diante.
A confusão começa quando algumas pessoas ligadas aos cultos africanistas, e por isto enraizadas no sincretismo já falado, começam a migrar para a Umbanda. Achando que as Potências Cósmicas da Umbanda e as suas divindades são a mesma coisa, trazem também o sincretismo afro-católico.
Deste equívoco, vemos hoje como resultado, umbandistas estarem numa Gira em louvor á Cosmopotência nomeada Ogum, reverenciando São Jorge; numa Gira em louvor a Cosmopotência nomeada Oxósse, reverenciando São Sebastião; numa Gira em louvor a Cosmopotência nomeada Xangô, reverenciando São Jerônimo, e assim por diante.
Respeitamos os santos católicos que, diga-se de passagem, foram encarnados como nós, com virtudes e defeitos, mas devemos ter em mente que os mesmos são próprios da igreja católica e não da Umbanda.
Porém, o mais importante é que os umbandistas tenham consciência de que as Potências Cósmicas da Umbanda (nomeadas Orixás), Santos Católicos e Divindades Africanas, embora devam ser alvos do mesmo respeito, não são a mesma coisa.
 
OS CAMPOS VIBRATÓRIOS
 
Desde o advento da humanidade no globo terrestre, a natureza tem sido fonte inesgotável de recursos bio-energéticos para a criação, evolução e sedimentação dos vários organismos que a compõem. As antigas religiões orientais como o Bramanismo, Hinduísmo, Confucionismo, Budismo, além dos cultos ameríndios e africanos, sempre valorizaram a natureza como essência catalisadora de energias para equilibrar a psico-fisiologia do ser humano.
É da natureza que se extraiem os elementos necessários ao reajustamento das faculdades biopsicomotoras, tão importantes à mente, ao espírito e a parte corpórea. É na natureza que há uma maior interacção entre o plano material e o astral. Em contacto com rios, florestas, cachoeiras, mares etc., absorvemos as vibrações emanadas do Cosmo, que são recepcionadas nestes locais de captação fluídico-espiritual. É na natureza que encontramos o habitat de certas formas espirituais, de evolução diferente dos seres humanos, chamados por alguns de gnomos, silfos, salamandras, ondinas etc., o que na Umbanda nomeamos Elementais ou Espíritos da Natureza.
Os Elementais são os responsáveis pela manipulação etérea dos materiais existentes nestes sítios vibracionais, condensando partículas energéticas que muitas vezes são utilizadas por Caboclos, Pretos-Velhos, Exus e Crianças, entre outros, para trabalhos de cura, desobsessão, neutralização de demandas e assim por diante.
Têm tal importância os Elementais na dinâmica telúrico-cósmica que Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, no capítulo dedicado à categoria e classe dos seres espirituais, cita a existência de seres (os Elementais) responsáveis pela protecção, cultivo e manipulação de elementos ligados aos diversos campos vibratórios.
Alguns pensam que as florestas, rios, mares, pedreiras etc. são lugares somente destinados à adoração dos Orixás, o que é um engano. Na realidade, quando nos dirigimos a estes lugares, somos nós, médiuns, que recebemos as graças e os cuidados que todo aquele que serve de mediador à acção dos espíritos bons necessita ter.
Durante uma gira, somos ofertados pelos nossos Guias e Protetores com uma contínua carga de fluídos positivos, cujos elementos constitutivos são retirados das flores, folhas, raízes, água doce, água salgada etc. Neste aspecto, o trabalho das Entidades é facilitado, pois estando os seus aparelhos em contacto directo com a natureza, e por isto sujeitos à influência das energias dali emanadas, a missão de impregnação fluídica positiva torna-se mais eficaz, o que seria difícil acontecer longe destes campos. Devido à agregação de cargas eletromagnéticas densamente negativas sobre as cidades, produto do actual estágio consciencional e comportamental das pessoas, os fluidos dos sítios vibratórios sofrem, quando direccionados para outro lugar, o ataque de energias negativas chamadas formas-pensamento e também de espíritos de baixa vibração (kiumbas), que impedem, total ou parcialmente, que aquelas energias cheguem ao seu destino.
Desta forma, a natureza constitui-se em fonte de equilíbrio, reequilíbrio, harmonização, desintoxicação, limpeza, imantação, frente aos trabalhos de Umbanda.
 
OS PONTOS CANTADOS E SEU SIGNIFICADO
 
Um dos fundamentos de vital importância para a harmonização e eficácia dos trabalhos dentro de um templo umbandista é, sem dúvida, o que diz respeito aos Pontos Cantados (curimbas).
Em tempos imemoriais, o Homem materialista e ligado quase exclusivamente aos aspectos físicos que o rodeavam, tomado de um profundo vazio de consciência, resolveu traçar caminhos que o fizessem resgatar a verdadeira finalidade de sua existência. Alicerçado em princípios aceites, passou a procurar o elo de ligação com o Criador, a fim de se redimir do tempo perdido e desvirtuado para outras acções.
Uma das formas encontradas para a reaproximação com o Divino foi a música, onde se exprimiam o respeito, a obediência e o amor ao Pai Maior. Desta forma, os cânticos tornaram-se um atributo socio-religioso, comum a todas as religiões onde, cada uma delas, com as suas características próprias, exteriorizavam a sua adoração, devoção e servidão aos desígnios do Plano Astral Superior.
Na realidade os Pontos Cantados são verdadeiros mantras, preces, que dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contacto íntimo com as Potências Espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás dos pontos, que se entoados com conhecimento, amor, fé e racionalidade provoca, através das ondas sonoras, a atracção, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes nas nossas vidas.
A Umbanda é dirigida por sete Forças Cósmicas Inteligentes, que são as principais e, que por influência dos Pretos-Velhos, receberam o nome de Orixás, sendo que a irradiação ou linha de Oxalá , precede todas as demais, razão pela qual as comanda.
Todas estas irradiações têm os seus pontos cantados próprios, com palavras-chave específicas e a justaposição de termos magísticos, de forma que o responsável pelo ponto deve ter conhecimento do fundamento esotérico (oculto) da canção.
Temos visto em algumas ocasiões determinadas pessoas até com boas intenções, mas sem conhecimento, "puxarem" pontos em horas não apropriadas e sem nenhuma afinidade com o trabalho ora realizado. Tal facto pode causar transtornos à eficácia do que está a ser feito, uma vez que podem atrair forças não afetas àquele trabalho, ou ainda despertar energias contrárias ao trabalho espiritual.
Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborado por pessoas diretamente) Os Pontos de Raiz ou espirituais jamais podem ser modificados, pois constituem-se em termos harmoniometricamente organizados, ou seja, com palavras colocadas em correlação exacta, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando forças para os mais diversos fins (sempre positivos).
No que concerne aos Pontos cantados terrenos, a Espiritualidade aceita-os, desde que pautados na razão, bom senso e fé de quem os compõe.
Vimos pelo acima exposto que os pontos, por serem de grande importância e fundamento, devem ser alvo de todo o cuidado, respeito e atenção por parte daqueles que as utilizam, sendo ferramenta poderosa de auxílio aos Pretos-Velhos, Caboclos, Exus, e demais espíritos que actuam dentro da Corrente Astral de Umbanda.
 
O USO DO FUMO NOS TERREIROS DE UMBANDA
 
O fumo é a erva mais tradicional da terapêutica psico-espiritual praticada na Umbanda. Originário do novo mundo, os nativos fumavam o tabaco picado e enrolado nas suas próprias folhas, ou na de outras plantas, conhecendo o processo de curar e fermentar o fumo, melhorando o gosto e o aroma.
Durante o período físico em que o fumo germina, cresce e desenvolve-se, condensando as mais variadas energias do solo e do meio ambiente, absorvendo calor, magnetismo, raios infravermelhos e ultravioletas do sol, polarização eletrizante da lua, éter físico, sais minerais, oxigênio, hidrogênio, luminosidade, aroma, fluidos etéreos, cor, vitaminas, nitrogênio, fósforo, potássio e o húmus da terra. Assim, o fumo condensa uma forte carga etérea e astral que, ao ser libertada pela queima, emana energias que atuam positivamente no mundo oculto, podendo desintegrar fluídos adversos à contextura perispiritual dos encarnados e desencarnados.
O charuto, o cigarro ou ainda o cachimbo, são utilizados pelas Entidades como defumadores individuais no seu trabalho. Ao lançar a fumaça sobre a aura, os plexos ou feridas, os espíritos utilizam a sua magia em benefício daqueles que os procuram.
No fabrico dos charutos (palavra derivada do tâmil churutu), as folhas, após o processo de secagem, são reunidas em manocas de 15 a 20 folhas e submetidas a fermentação, destinada a diminuir a percentagem de nicotina, aumentar a combustividade do fumo e uniformizar a sua coloração.
Desta maneira, como o defumador, o charuto, o cigarro ou o cachimbo são instrumentos fundamentais na acção mágica dos trabalhos umbandistas executados pelas Entidades. A queima do tabaco funciona como um defumador individual, próprio, dirigido ao objetivo do Guia, e não traz nenhum vício tabagista, representando apenas um meio de descarrego, um bálsamo vitalizador e ativador dos chakras dos consulentes.
Vemos assim que, como ensinou um Preto Velho, "na fumaça está o segredo dos trabalhos da Umbanda".
 
DEFUMAÇÃO: SEUS EFEITOS ASTRAIS E FÍSICOS
 
Deus, perfeito na sua criação, dotou o Homem de vários sentidos, para que o seu espírito tivesse assim portas de comunicação com o mundo físico, ajudando-o a viver, integrar-se e evoluir nesta escola chamada Terra.
Dentro destes sentidos está o olfacto, que ao captar os aromas, desperta-nos lembranças e associações, aflorando as nossas emoções, fazendo-nos rir, ou chorar de saudades.
Quem já não voltou ao passado, sentindo fragrâncias que fizessem lembrar a infância distante ? Ou, para nós umbandistas, que ao sentirmos o aroma vindo do charuto ou do defumador, não lembramos imediatamente dos nossos queridos Pretos-Velhos e Caboclos?
Assim, através dos aromas podemos ficar relaxados, agitados, próximos ou afastados de pessoas, coisas ou lugares. Por este motivo, os templos do Egito antigo, dos Hindus, Persas, e hoje os templos umbandistas sensibilizavam o olfacto através dos odores da defumação, criando harmonia e aumentando o teor das vibrações psíquicas, produzindo condições de recepção e inspiração nos planos físico e espiritual.
Além de influenciar as nossas vibrações psíquicas, as ervas utilizadas na defumação são poderosos agentes de limpeza vibratória, que tornam o ambiente mais agradável e leve. Ao queimarmos as ervas, libertamos em alguns minutos de defumação todo o poder energético aglutinado em meses ou anos no solo da Terra, absorção de nutrientes dos raios de sol, da lua, do ar, além dos próprios elementos constitutivos das ervas.
Deste modo, projecta-se uma força capaz de desagregar miasmas astrais que dominam a maioria dos ambientes humanos, produto da baixa qualidade de pensamentos e desejos, como raiva, vingança, inveja, orgulho, mágoa, sensualidade etc.
Existem, para cada objectivo que se tem ao fazer-se uma defumação, diferentes tipos de ervas que associadas, permitem energizar e harmonizar pessoas e ambientes, pois ao queimá-las, produzem reacções agradáveis ou desagradáveis no mundo invisível. Há vegetais cujas auras são agressivas, repulsivas, picantes ou corrosivas, que põem em fuga alguns desencarnados de vibração inferior. Os antigos Magos, graças ao seu conhecimento e experiência incomuns, sabiam combinar certas ervas de emanações tão poderosas, que traçavam barreiras intransponíveis aos espíritos intrusos ou que tencionavam distorcer o trabalho de magia.
Apesar das ervas servirem de barreiras fluídico-magnéticas para os espíritos inferiores, o seu poder é temporário, pois os Espiritos do plano astral de baixa vibração são atraídos novamente pelos nossos pensamentos e atos turvos, que nos deixam na mesma faixa vibratória inferior (Lei de Afinidades). Portanto, vigilância quanto ao nível dos pensamentos e actos.
A defumação deve ser feita em turíbulos de barro (elemento natural neutro), que mantém as qualidades e os efeitos dos elementos constitutivos das ervas. Efectuar defumação em recipientes de alumínio, ferro ou similares é um equívoco, pois estes metais ao entrarem em contacto com o carvão em brasa, libertam toxinas que irão neutralizar, total ou parcialmente, a eficácia das ervas.
Convém lembrar que ao manipular o defumador, deve-se estar concentrado, a fim de se potencializar os seus efeitos, impedindo assim que este acto liúrgico-magístico de limpeza psico-espiritual se transforme apenas em acto mecânico de agitação do turíbulo.
 
O SAL GROSSO NA TERAPÊUTICA ESPIRITUAL
 
Um dos compostos químicos naturais mais utilizados em trabalhos de limpeza espiritual no templo umbandista é o conhecido Sal Grosso.
A generalidade das pessoas e um grande número de médiuns que militam nas ordes umbandistas desconhecem o fundamento de tal prática. Os que a conhecem, limitam-e a dizer que o sal grosso serve para banho de descarrego.
O Sal Grosso, assim chamado por não ter passado por processos de refinação industrial, é um composto químico natural cientificamente denominado Cloreto de Sódio, derivado da coesão de dois outros elementos químicos naturais, que são o cloro e o sódio.
O Cloro é formado por moléculas de grande poder germicida e bactericida, sendo utilizado em várias finalidades depurativas. O Sódio, outro elemento formador do Sal Grosso, é um metal invisível a olho nú, e tem como função agir como condutor térmico e eliminador de corpos nocivos à saúde.
Falamos até agora do sal grosso enquanto composto químico formado pela junção natural do cloro e do sódio, elementos existentes no nosso planeta.
O aparecimento do Sal Grosso ou cristalizado deu-se a partir da fusão daqueles elementos já mencionados, obedecendo á espiral de determinadas circunstâncias ligadas ao planeta Terra, e também a precipitação de condições para a sua condensação. Saliento, antes de continuarmos, que estamos a falar de elementos químicos naturais, e não destes produtos químicos industriais.
É do conhecimento geral que a matéria tangível aos nossos sentidos foi formada a partir da Química Astral, sendo esta um dos reflexos de actuação do Fluído Universal.
Os elementos químicos astrais durante a formação da Terra, entraram num ciclo de condensação permanente, dando origem ao planeta tal qual o conhecemos, tanto é verdade, que o centro do nosso planeta recebe continuamente estes elementos astrais que, sob certas condições, formam novos elementos químicos condensados (densos, materializados). Soma-se a isto o facto incontestável do centro da Terra estar sob a dinâmica de uma força centrífuga (de dentro para fora), que expele para a crosta os elementos supracitados.
Desta forma, é notório que o cloro e o sódio são elementos químicos resultantes do comumente,designado por, cloro e sódio astrais, que condensados e fundidos, deram origem ao Cloreto de Sódio (sal).
Assim sendo, os éteres do sal grosso é que fazem a limpeza fluídica do ser humano. O cloro em forma etérea será o responsável pela limpeza do corpo astral, do corpo vital, da aura, enquanto o sódio, também em forma etérea, terá a função de condutor e disìpador dos miasmas e cargas fluídicas negativas.
É comum as entidades espirituais ao ministrarem banhos de descarrego com sal grosso, orientarem os consulentes a secarem-se naturalmente. Tal medida é aconselhada para que as partículas etéreas do sal grosso possam atingir com maior eficácia o perispírito, o duplo etérico, desagregando assim as energias negativas.
Os Caboclos, Pretos-Velhos e demais entidades que actuam na Umbanda, orientam como terapêutica físico-espiritual o banho de mar. E por quê ? Porque o mar contém o sal, e o fundamento para tal prática é o mesmo do descarrego com sal grosso acrescido, é claro, do elemento químico natural Iodo, com grande poder anti-séptico. Os banhos de mar limpam e higienizam os Centros de Força (chakras), a aura, o corpo vital, e assim por diante.
Em suma, aí estão expostos os fundamentos basilares do uso do sal grosso. Muito mais poderia ser dito a respeito, mas esperamos que tais informações sejam úteis aos filhos de Umbanda, e que os mesmos possam tomar ou ministrar banhos, com esclarecimento específico da função e acção daquele composto químico natural.
 
ONDE VIVEM OS CABOCLOS ?
 
Muitas pessoas que vivenciam a Umbanda já ouviram falar que os Caboclos quando se despedem do terreiro, onde actuam incorporados em seus médiuns, dizem que vão para a cidade de Juremá.
Outros falam subir para o Humaitá, e assim por diante.
Sabemos, no entanto, que os Caboclos não voltam para as florestas como ordinariamente voltam os que lá habitam. No espaço, onde se situam as esferas vibratórias, vivem os Caboclos agrupados, segundo a faixa vibracional de actuação, junto á psico-esfera da Terra. São verdadeiras cidades onde se cumpre o mandato de Oxalá assim determinou, colaborando com a humanidade.
Estes agrupamentos se dividem em sete, pois sete são as faixas de atuação vibratória onde os Caboclos irão desenvolver e aperfeiçoar seus médiuns, para os trabalhos realizados nas sete esferas do espírito.
É para as cidades espirituais que os Caboclos responsáveis pelos diversos terreiros levam os médiuns, dirigentes e demais trabalhadores, para aprenderem um pouco mais sobre a Umbanda.
Portanto, Caboclo não se dilui no ar e depois volta a se agrupar em moléculas, para descer em seus aparelhos, a fim de dar prosseguimento aos serviços de caridade.
Estas moradas possuem grandes núcleos de trabalhos diversos, onde o Caboclo faz sua evolução, contrariando o que muitos irmãos da Terra, que pensam que Caboclo tudo pode, tudo sabe e tudo faz. Enganam-se os que assim pensam, uma vez que o espaço é povoado de seres dos mais deferentes níveis de formação intelecto-moral.
O antigo habitante das matas quer ser mais do que guerreiro, quer alcançar seus antigos mitos pela transformação.
Os Orixás, que são potências da natureza, que estam além da personalidade humana, fazem descer a mais pura energia-matéria para ser trabalhada pelos Caboclos no espaço-tempo das esferas que compreendem a Terra, morada provisória de alguns espíritos em evolução.
Lá, na morada de luz dos Caboclos, existem outros espíritos aprendendo o manejo das energias, das forças que estabelecerão um padrão vibratório de equilíbrio para os consulentes que vêm às terreiros de Umbanda em busca de um conforto espiritual.
Estas "aldeias" se movem entre as esferas, ora estão em zonas próximas às trevas, socorrendo espíritos dementes, ora estão sobre algumas cidades do plano visível, etéreas, ou sobre o que resta de florestas preservadas pelo Homem. De lá extraem, com a ajuda dos Elementais, os remédios para a cura dos males do corpo.
É preciso que os mediuns se aprofundem nos seus conhecimentos espirituais para que seus Caboclos possam revelar o mundo invisível, segundo o que é permitido e necessário, para que os umbandistas conheçam melhor um pouco mais além do ritual e práticas física verificadas no terreiro.
Caboclo é mais que um espírito que pode ter sido um índio e que deixou a matéria pelos braços do desencarne.
Em nossas andanças pelo espaço, temos visto muitos Caboclos tristes com aqueles que somente buscam seus préstimos para a solução da vida material e, em alguns casos, para atender a pedidos efêmeros.
Alguns Caboclos ficariam felizes se pudessem levar seus médiuns até as cidades da Juremá.
Entretanto, a falta de compreensão, entendimento, desprendimento de alguns poucos, são os que os mantêm afastados até a hora derradeira.
Preparem-se, a fim de seguir os passos de seus Guias de Luz. Somente os que buscam exercer a mediunidade conscientemente, como verdadeiros sacerdotes, compreenderão que para chegar a Aruanda, terão primeiro que provar do cálice da amargura.
Somente assim poderão encontrar o caminho de volta, sem atalhos tenebrosos e interpretações errôneas sobre a Umbanda, que não divide seus filhos, mas sim vem para reuni-los em torno de uma só bandeira, a da Luz de Oxalá.
O único sacrifício que a Umbanda pede é o aperfeiçoamento moral de seus tutelados.
 
A PRÁTICA DA MEDIUNIDADE NA UMBANDA
 
A prática mediúnico na Umbanda exige um grau de responsabilidade em que seria aconselhável que o assistente, no decurso de seu preparo, fizesse uma análise séria de sua capacidade de renúncia e da sua disposição de se dedicar ao ministério sacerdotal da religião – porque o médium de Umbanda é o sacerdote da religião – para que, mais tarde, não venha a se ressentir de um acto praticado por simples entusiasmo ou por qualquer outro motivo que não se compatibilize com a prática.
A sua conduta no templo tem que ser a conducta do sacerdote sempre disposto a transformar em saúde e alegria, a dor e o sofrimento do próximo.
Fora do templo, nos locais públicos de trabalho profano onde quer que o levem seus interesses materiais, deverá estar o cidadão correcto, de moral , de conduta e práticas irreprováveis.
Jamais um verdadeiro médium umbandista deixará de cumprir o seu dever para se dedicar a atividades de lazer.
É aconselhável que o exame sugerido seja feito com o máximo critério, durante o preparo, porque da atividade mediúnica não decorrerá jamais qualquer paga ou retribuição, quer seja em dinheiro ou, indiretamente, através de presentes ou outra qualquer forma de retribuição.
Os benefícios auferidos são outros. É o sentimento do dever cumprido.
É a certeza de estarmos a serviço de Oxalá, socorrendo irmãos, usando a magnífica faculdade da mediunidade que nos foi concedida , como sublime forma de praticarmos o Bem, elevando nossos espíritos e abrindo-lhes créditos na contabilidade cármica.
E quanto mais forte se sentir o corpo, tanto mais o espírito se sentirá gratificado.
O exercício da função mediúnica na Umbanda é o sacerdócio que somente poderá ser exercido com eficiência, quando a opção pela missão religiosa tenha sido feita com tranquila consciência das pessoas que podem dedicar a vida ao bem-estar do próximo.
O procedimento correcto no templo, no decorrer dos trabalhos espirituais ou no atendimento ao público, sem distinção de raça ou credo religioso, a atuação harmoniosa no lar, com a família, a lealdade e a seriedade nos locais de trabalho e no relacionamento com os companheiros da vida terrena, são características indispensáveis ao médium.
Sobre as qualidades de mediunidade, sabemos que, a semiconsciente é a que encontramos com maior frequência. Quando referimo-nos a semiconsciência, não abrimos margem à intervenção do médium na comunicação do Guia ou à interferência do estado de espírito do aparelho, influenciando negativamente a mensagem transmitida
O médium não pode participar a não ser como veículo de comunicação, mantendo-se totalmente neutro ou, ainda melhor, alheio ao que está passando como intermediário entre a espiritualidade e o plano terreno.
A discrição do médium sobre os assuntos que sua semiconsciência pode registrar, durante a incorporação, é primordial no uso da faculdade mediúnica e tão importante quanto o segredo profissional do médico. O médium que refere a outro o que foi confiado ao Guia, incorre numa falha que prejudica a actuação da Entidade que se manifesta e abala a confiança do irmão que busca uma orientação ou uma palavra de conforto.
Poderíamos dizer que compete ao Guia corrigir o erro do aparelho, quando fora do alcance de sua vibração. Todavia, a responsabilidade do procedimento mediúnico, do cumprimento correcto da posição de mediador, cabe ao médium, que, por sua indiscrição, pela incapacidade de manter um segredo, os motivos que levaram o irmão ao Guia, põe em jogo a confiança neste depositada.
Não compete ao médium, também, relatar o êxito dos trabalhos desenvolvidos pela entidade de que é aparelho ou enaltecê-los. Todos nós sabemos dos resultados obtidos pela actuação do Caboclo, Preto-Velho, Exu, Criança etc., sempre positivos, visando constantemente restabelecer na mente do filho que os procura, a fé, a serenidade, a confiança de que os problemas que parecem insolúveis, virão a ter soluções aceitáveis, e que todos nós, vencendo com firmeza os obstáculos e nos empenhando pelo progresso espiritual, teremos condições de atingir nosso objetivo e cumprir correctamente a missão mediúnica.
 
TODO UMBANDISTA É ESPIRITUALIZADO ?
 
Desde tempos remotos, onde as religiões ainda estavam em formação, o Homem, indivíduo pensante, sempre esteve envolto em interesses espirituais e materiais.
Os primeiros consubstanciavam-se em preocupação com o próximo no sentido de mostrar-lhes o caminho a seguir em sua jornada de espírito encarnado, fixando na sua mente a importância dos ensinos Divinos junto a seus pares, e de que o amor, a compreensão e tantos outros sentimentos positivos deveriam ser a base para o progresso espiritual dos habitantes deste planeta.
De outro lado, existiam aqueles que encravavam este processo apenas como instrumento de se alcançar projetos materias, vale dizer, subjugação, enriquecimento, egocentrismo, status, e outros aspectos negativos que os fizessem perpétuos em suas ambições.
Na realidade observamos que actualmente ainda podemos detectar muitos focos destoantes, no caso, em nossa religião, pois muitos se dizem umbandistas só porque se vestem de branco, frequentam um terreiro e pior, dizem-se instrumentos de espíritos de "alta evolução".
Estes argumentos não resistem a uma avaliação pessoal e detida do perfil ético e moral de quem os proclama, e aí entra o fator Espiritualidade, onde deverá ser observada a coerência do que se fala e do que se pratica no quotidiano; se há no coração destes a intenção de ajudar o próximo, de querer ver a religião progredir, de prestigiar aqueles que, através de conhecimentos mais vastos, poderão dar continuidade a um terreiro, de perdoar, de se confraternizar, de enaltecer as qualidades de outrem, será concerteza mais um ponto para a Umbanda.
Ser espiritualiazado é revelar as virtudes e não falar dos defeitos alheios, é tentar melhorar-se moralmente, eticamente, intelectualmente.
Pobres daqueles que tendo conhecimento do âmbito da Umbanda, não aprenderam nada sobre a espiritualidade.
 
A CONDUTA NO TEMPLO DE UMBANDA
 
O sucesso dos trabalhos efetuados em uma sessão espiritual depende, em grande parte, da concentração e da postura de médiuns e assistentes presentes.
O Templo de Umbanda é um local sagrado, especialmente preparados para as actividades espirituais, e que têm sobre seus espaços uma cúpula espiritual responsável pelas diretrizes básicas de amparo, orientação e segurança daqueles que, ou buscam ali a solução ou o abrandamento de seus males, ou dos que emprestam sua estrutura física para servirem de veículos à prática do bem.
Apesar disto, alguns participantes julgam que, por tratar-se de culto de invocação, não se deve dar a devida atenção e respeito, sendo tais virtudes ausentes nestes indivíduos. Respeito, palavra que muitos bradam quando são contrariados, mas que cai no esquecimento daqueles que muito ofendem.
Temos visto, para nossa tristeza, que existem conversas paralelas, mexericos, algazarras, exibicionismos, bajulações etc., esquecendo-se que tais comportamentos atraem e "alimentam" os kiumbas, que, aproveitando-se das vibrações negativas emanadas por estas pessoas, desarmonizam e quebram a esfera fluídica positiva, comprometendo assim os trabalhos assistenciais.
Devemos lembrar que o silêncio e a pureza de pensamentos são essenciais ao exercício da fé.
Temos observado também que alguns assistentes, e mesmo alguns médiuns, dirigirem-se desrespeitosamente aos espíritos trabalhadores (Entidades). Debocham de suas características e duvidam de sua eficiência. Entretanto, quando passam por uma série de sofrimentos físicos e espirituais, recorrem àqueles mesmos espíritos que outrora foram alvos de sua indiferença. Restabelecidos, atribuem sua melhora ao acaso.
Devem, médiuns e assistentes, observar o silêncio e o pensamento em situações ou coisas que representem fluídos do bem. Este procedimento tem como consequência a irmanação energética com os espíritos, decorrendo daí o derramamento sobre o terreiro do elixir etéreo da paz e da fraternidade.
O que se consegue do mundo astral é, antes de tudo, fruto da bondade e do merecimento de cada um.
A conduta recta e positiva deve ser a tónica em uma agremiação umbandista, para que os Guias e Protetores possam instalar no mental e no coração de cada participante sementes de bondade, amor e proteção.
A homogeneidade de pensamentos é instrumento de poder do ser humano, rumo a concretização de seus desejos, sendo fundamental que se apresentem límpidos e sinceros num Casa de Umbanda.
 
ÉTICA NA UMBANDA
 
A Umbanda é uma Religião.  Isto é um facto.
A par dos princípios sadios e básicos que norteiam a religião, muitas pessoas, desde o início do culto, sempre pugnaram pela elevação da Umbanda nos mais diferentes aspectos. Entre eles, o cunho subjetivo (pessoal) sempre foi alvo das mais contundentes discussões.
Temas como moral, ética, conduta mediúnica etc., sempre foram objectos de polémicas, onde cada um por si, tenta fazer ver aos outros que tal ou qual conduta é certa ou errada.
No entanto, por trás destas discussões comportamentais, existem duas forças antagônicas degladiando-se incessantemente: a força da moral, dos bons costumes, da ética, da espiritualidade superior, da verdade; e a força da subjugação, da mentira, da permissividade, da parcialidade, da imoralidade.Na Umbanda, como em outros segmentos religiosos, há uma pluralidade de idéias, de ideais, um heterogeneidade de interesses em relação à religião. Existem aqueles que apenas servem-se ou tentam servir-se da religião para os seus próprios interesses.
Não esclarecem nem difundem os sublimes ensinamentos e metas do astral superior; pregam ritualísticas sem base, sem fundamentos; fazem do terreiro de Umbanda um circo, não discutem abertamente os problemas na religião, porque, se discutirem, colocarão sob avaliação as suas condutas distorcidas.
Outros mais corajosos e comprometidos com o aperfeiçoamento, estão sempre a comentar e orientar quanto aos fenômenos negativos que ora se apresentam, mostrando o caminho diante dos problemas emergentes.
A ética por exemplo, conjunto de princípios e deveres morais que o homem tem para com Deus e a sociedade, é um factor que deve preponderar em qualquer pessoa que queira ver a Umbanda fortalecer-se moralmente e intelectualmente. Para que tal progresso ocorra torna-se necessário trazermos à tona os focos destoantes do comportamento. A partir daí, veremos melhor quem são aqueles realmente comprometidos com as diretrizes de Oxalá. Visualisaremos também outros tantos que estão somente preocupados em sedimentar a obscuridade, a confusão, a permissividade.
Os verdadeiros umbandistas não temem discutir os aspectos subjetivos e materiais da religião, pois são sabedores que tal acção só melhorará a nossa religião, fazendo com que no futuro tenhamos uma Umbanda melhor, mais moralizado, mais elevado, de melhores médiuns e assistentes.
Quanto àqueles que insistem em esconder os problemas na religião, fazem-no porque, ocultando os focos destoantes, estarão camuflando as aberrações ético-morais de si mesmos, contaminados que estão de condutas que os costumes, o caráter e a honestidade sempre repeliram. 
 
NA UMBANDA TODOS SÃO IGUAIS
 
No meio das actividades espirito-materiais nos terreiros de Umbanda que pregam a igualdade, a fraternidade, o amor , um facto, dentre de muitos, nos chama à atenção.
Por isso mesmo, merece uma análise mais profunda e esclarecedora por parte daqueles que querem ver a Umbanda mais forte e coesa.
A Umbanda, assim como outros agrupamentos religiosos, é formada por pessoas das mais diferentes classes econômico-sociais e étnicas, que formam o que se denomina de meio religioso intercorrente.
Também é de conhecimento geral que, não obstante as pessoas terem profissões ou ofícios diferentes, todos deverão estar ali, naquele espaço, imbuídas da mesma finalidade: auxílio espiritual e material aos necessitados.
Faz-se então necessário traçar uma linha divisória entre o status que algumas pessoas possam ter em sociedade e o trabalho espiritual exercido pelas mesmas. Todos, independentemente dos títulos honoríficos ou profissionais que possam ter, deverão estar irmanados com aqueles que não puderam alcançar um estágio intelectual ou cultural mais elevado, no sentido de, juntos, poderem dar a sua cota de sacrifício em prol da Umbanda.
Com muito pesar, observamos que algumas pessoas ainda julgam a existência da bondade e do altruísmo pela riqueza material ou intelectual que alguns detêm. Não que bens ou cultura sejam nocivos; muito pelo contrário, se bem utilizados, são de grande valia para o progresso da humanidade.
Referimo-nos a médiuns que tratam de maneira diferente abastados e pobres; que tratam com pompa os que possuem títulos, desprezando aqueles que possuem quando muito a primeira classe; que dão atenção e mantém diálogos sómente com aqueles que têm automóvel novo e sucesso econômico.
A soberba, a vaidade, o orgulho, a ganância, o egocentrismo e a ambição doentia não deixam ver a estas pessoas que o que importa na Umbanda é o SER, será dizer, ser honesto, ser dedicado à religião, ser simples, ser humilde, e não o TER, ter títulos profissionais, carrões último modelo, mansões sumptuosas, e um belo saldo bancário. A religião jamais poderá ser utilizada como ferramenta de projeção social, bem como em complemento de sucesso profissional.
A Umbanda, esta elevada religião, foi criada no plano astral trazendo como carro-chefe os espíritos de índios e negros, duas das raças mais martirizadas do globo terrestre, e que, em última análise, representam a humildade, a dignidade, a sinceridade e o alto grau de espiritualidade, sentimentos e virtudes ainda ausentes em muitos corações. Na Umbanda não há lugar para ostentações terrenas, não há lugar para títulos materiais, tanto para espíritos quanto para médiuns e assistentes.
Na Umbanda não se manifestam espíritos com o rótulo de "doutores" ou "mestres", mas sim os esforçados e trabalhadores Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Crianças etc. que, seguindo as directrizes da espiritualidade superior, não medem esforços no sentido de auxiliarem os habitantes da Terra, encarnados ou não, a progredirem espiritualmente.
Que esta simples dissertação possa de alguma forma contribuir para que alguns irmãos umbandistas, ainda impressionados com títulos e posses terrenas, alcancem o verdadeiro sentido da palavra IGUALDADE, e assim colaborem para que cada vez mais a Umbanda possa se tornar, não uma religião de ricos e pobres; de doutores e proletários, mas sim em segmento religioso de irmãos, unidos por laços de amor e fraternidade.
 
VOCÊ É UMBANDISTA ?
 
Uma das questões de relevância dentro da comunidade umbandista diz respeito a se apontar, dentro de um raciocínio aplicável, a consciência do ser humano, se determinadas pessoas podem ser consideradas, de facto e de direito, como filhos da Corrente Astral de Umbanda.
Não queremos de forma alguma aplicar fórmulas matemáticas aos aspectos humanos, pois entendemos que cada um, dentro de seu estágio evolucional, tem uma maneira própria de se situar naquilo que conhece como religião, uma vez que os espíritos encarnados encontram-se em diferentes degraus da escala espírito-progressiva.
No entanto, é certo e racional que firmemos parâmetros básicos que possam nortear uma definição, se não perfeita, pelo menos razoável, no que diz respeito a ser ou não ser considerado umbandista.
Tais considerações racima referidas prendem-se ao facto de que, ao vivenciarmos o Movimento Umbandista, nos deparamos com situações (actos e factos) que nos impulsionam a repelir determinadas formas de pensamento e comportamento, incompatíveis com os fundamentos da Umbanda.
 
Será umbandista aquele indivíduo que faz caridade vinculada a favores posteriores, ou aquele que se promove para um lugar de destaque, promovendo o "toma lá, dá cá" ?
 
Será que pode ser considerado umbandista aquele que é cúmplice da escravidão religiosa, não esclarecendo aos enclausurados que só o conhecimento os libertará dos vendilhões do templo ?
 
Será que é considerado umbandista o indivíduo que se omite diante do comportamento distorcido de um irmão de fé, não o auxiliando a desprender-se de certos conceitos prejudiciais a sua evolução ?
 
Será que é umbandista aquele que, ao observar um irmão de fé com faculdades espirituais, morais, intelectuais e culturais que possam ser úteis para o progresso da Umbanda, ao invés de incentivá-lo a prosseguir, trata sorrateiramente de lhe "puxar o tapete" , com medo que sua imagem fique ofuscada, ou por inveja ?
 
Será que é umbandista aquele que valoriza as pessoas pelos títulos profissionais ou honoríficos e pelos bens que estas possuem, deixando em segundo plano os valores morais, éticos e espirituais ?
 
Será que é considerado umbandista o indivíduo que ganha notoriedade num templo através de conchavos, ou através da mostra do saldo de sua conta bancária, e que tenta a todo o custo ser o centro das atenções.
 
Será que tudo o que foi escrito até agora servirá de alerta e conselho, para que se regenerem e possam engrossar as fileiras dos verdadeiros filhos de Umbanda?
 
Esperamos que sim.
 
UMA VELHA HISTÓRIA
As sete lágrimas de um Preto Velho
 
No cantinho de um Terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto-Velho chorava.
 
De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pela face e, não sei porque, contei-as...
 
Foram sete, e na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o:
- Fala Pai-Velho, diz a teu filho porque mostras assim uma tão visível dor?
E ele suavemente respondeu:
- Estás vendo esta multidão que entre e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma daquelas pessoas.
A primeira, dei a estes indiferentes que vêm aqui em busca de distração, na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem entender...
A segunda, a estes eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam...
A terceira, distribuí aos maus, àqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar o semelhante...
A quarta, aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, não conhecendo a palavra GRATIDÃO...
A quinta, aos que chegam suaves, têm riso e elogio na flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: "Creio na Umbanda, nos teus Caboclos e nos Pretos-Velhos, mas somente se vencerem o meu caso ou me curarem disto ou daquilo..."
A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscando aconchegos e conchavos. Seus olhos revelam um interesse diferente...
A sétima, meu filho, notas como foi grande e como deslizou pesada?
Foi a última lágrima, aquela que vive nos "OLHOS" de todos os "GUIAS ELEVADOS". Fiz doação desta aos médiuns vaidosos que somente aparecem no Centro em dia de festa, faltam às doutrinas, esquecem que existe tantos irmãos precisando de caridade, tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual...
Assim meu filho, foi para todos estes que viste cair, uma a uma, as SETE LÁGRIMAS DO PRETO VELHO.
Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar:
- Não tens mais nada a dizer Preto-Velho?
E daquela "Forma Velha", vi um véu caindo e um clarão intenso que ofuscava tanto, e ouvi mais uma vez...
- Mando a Luz de Minha Transfiguração para aqueles que pensam que estão esquecidos... eles formam a maior destas multidões.
São os HUMILDES, os SIMPLES. Estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança, pela razão... São os FILHOS-DE-FÉ.
São também os Aparelhos, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas chamam-se DOM e FÉ, e cujos "salários" de cada noite são pagos quase sempre com uma moeda, que traduz o seu valor numa única palavra... a INGRATIDÃO
 
Olhe bem para o que é Umbanda....!
 
AO CABOCLO
 
A vós que num passado recente, chegaste até a mim, ser imperfeito e fraco e me deste a alegria de ser vosso aparelho, eu dirijo esta homenagem.
 
Meu pai Caboclo, que com a vossa pujança e firmeza me fazes esquecer as agruras da vida diária. Que com a vossa vibração atenuas todas as minhas mágoas e sofrimentos.
 
Vós, meu Caboclo, que tão alto estás, tens a humildade suficiente de abaixar a vossa vibração para chegar a mim, vosso aparelho e a vossos filhos. Na serenidade de vossas palavras trazes a sabedoria milenar dos velhos sábios, que muitas vezes nós não conseguimos entender, por estarmos tão distantes da vossa sabedoria.
 
Vós que tens maneiras muitas vezes estranhas, de fazer-nos entender os acontecimentos.
 
Que sois, a luz que clareia a escuridão da noite, da minha ignorância terrena.
 
Na vossa presença sinto-me igual um grão de areia diante da imensidão do deserto. Vós que ostentas as mais variadas formas de apresentação, mas que em todas sempre transmites a beleza e a serenidade. Que com a vossa presença nas minhas horas más, em que muitas vezes sinto vontade de abandonar a luta, fazes com que me transforme novamente no mais audáz guerreiro.
 
Meu Pai, que a vossa vibração possa estar sempre comigo e com vossos filhos. Que possas conduzir-me para que eu possa desempenhar a missão que me foi outorgada. Que possas tornar os meus ouvidos surdos a maledicências, que faças dos meus lábios a porta onde possa sair somente vossos ensinamentos.
 
Que possas tornar a minha matéria suficientemente forte para a batalha contra os inimigos da espiritualidade. Que através da vossa sabedoria, os vossos filhos possam ter uma visão mais real da verdadeira espiritualidade.
 
QUEDAS E FRACASSOS DE MÉDIUNS
 
"É com grande triteza, que vimos, dentro de uma serena e acurada observação, quase que direta sobre pessoas e casos, testemunhando,constatando, como é grande o número de médiums fracassados ou decaídos e que é pior, sem termos visto ou sentido neles o menor desejo de reabilitação sincera, pautada na escoimação real de suas mazelas, de suas vaidades, de suas intransigências,etc... O que temos observado cuidadosamente na maioria desses médiums fracassados são tormentos de remorso, que,como chagas de fogo, queima-lhes a consciência, sem que eles tenham forças para se reeguer moralmente, pois se enterraram tanto no pântano do astral-inferior, se endividaram tanto com os "marginais do astral"que, dentro dessa situação, é difícil mesmo se libertar de suas garras... Isso porque o casamento de fluídos entre esse médiums fracassados e esses "marginais do astral " - os quiumbas - já se deu a tanto tempo, que o divórcio,a libertação se lhes apresenta dentro de tais condições de sofrimento, de tais impactos, ainda acresidos na renúncia indispensável a uma série de injunções, que o infeliz médium decaído prefere continuar com seus remorsos... Mas, situemos desde já, dentre os diversos meios pelos quais os médiums têm fracassado, os três aspectos principais ou os três pontos-vitais que os precipitam nos abismos de uma queda mediúnica etc. Ei-los:
 
1) A VAIDADE EXCESSIVA, que causa o empolgamento e lança o médium nos maiores desatinos, abrindo os seus canais medianímicos a toda sorte de influências negativas.
 
2) A AMBIÇÃO PELO DINHEIRO FÁCIL, exaltada pelo interesse que ele identifica nos "filhos-de-fé" em o agradar, em o presentear, para pedir favores, trabalhos, pontos, afirmações, que envolvem elementos materiais.
 
3) A PREDISPOSIÇÃO SENSUAL INCONTIDA, que lhe obscurece a razão, dada a facilidade que encontra no meio do elemento feminino ou masculino, que gira em torno de si por interesses vários e que comumente se deixa fascinar pelo "cartaz"de médium-chefe, babá, "chefe-de-terreiro", etc
 
Como a coisa começa a balançar a moral-mediúnica desses aparelhos?
 
A VAIDADE EXCESSIVA
 
O primeiro caso - o de vaidade excessiva: - uma criatura, homem ou mulher, tem o dom mediúnico. Naturalmente que o trouxe de berço, isto é, desde que se preparava para encarnar. Em certa altura de sua vida, manifesta-se a sua mediunidade. Eis que surge o protetor - caboblo ou preto-velho.Como no médium de fato da Corrente Astral de Umbanda a entidade também é de fato, é claro que ela faz coisas extraordinárias. Cura. Ajuda. Aconselha. Tem conhecimentos irrefutavéis...São tantos os casos positivos do protetor através da mediunidade do médium, que logo se forma em torno dele uma corrente de admiração, e de fanatismo também. A maioria dos elementos que o cercam, diante das coisas que vêem, são levados a agradar,a bajular e com essas coisas, inconscientemente, vão-lhe incentivando a vaidade latente. Isso de forma contínua.Devido a fortes predisposições à vaidade, começa por não dar muita atenção aos conselhos de suas entidades, não escuta as advertências que seu protetor vem fazendo...chega a ponto de se julgar o tal, quase um "pequeno-deus". Ele pensa que a força é dele...que o protetor é dele.O médium vai crescendo em gestos, em palavras, pois que todos se acostumam a acatá-lo em respeitoso silêncio, quando não,pelo medo ou por interesse próprio...Vai crescendo sua vaidade e logo começa a fazer exibições mediúnicas...Passa "trabalhar" sem estar corretamente mediunizado. Sua entidade protetora pode usar certos meios para manifestar seu desagrado, mas respeita também seu livre-arbítrio.Então, começam os desatinos, as bobagens e as confusões e respectiva falta de penetração nos casos e coisas. Começa a criar casos, a ter preferências e outras coisas mais. O ambiente de terreiro sai da tônica vibracional dos velhos tempos.
 
O pobre médium que fracassou pela excessiva vaidade no íntimo é um sofredor, muitos se desesperam com o viver da arte de representar os caboclos, os pretos-velhos,etc... Enfim, ser um "artista do mediunismo", tembém cança, porque a descrença é o "golpe de misericórdia" em suas almas.
 
Terceiro caso - a queda pelo fator sexo. Este é um dos aspectos mais escabrosos, um dos lados mais escusos e um dos mais d
publicado por Pai Pedro de Ogum às 09:18

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Homenagem ao Caboclo

Ao Caboclo 


A vós que num passado recente, chegaste até a mim, ser imperfeito e fraco e me deste a alegria de ser vosso aparelho, eu dirijo esta homenagem.


Meu pai Caboclo, que com a vossa pujança e firmeza me fazes esquecer as agruras da vida diária. Que com a vossa vibração atenuas todas as minhas mágoas e sofrimentos.


Vós, meu Caboclo, que tão alto estás, tens a humildade suficiente de abaixar a vossa vibração para chegar a mim, vosso aparelho e a vossos filhos. Na serenidade de vossas palavras trazes a sabedoria milenar dos velhos sábios, que muitas vezes nós não conseguimos entender, por estarmos tão distantes da vossa sabedoria.


Vós que tens maneiras muitas vezes estranhas, de fazer-nos entender os acontecimentos. Que sois, a luz que clareia a escuridão da noite, da minha ignorância terrena.Na vossa presença sinto-me igual um grão de areia diante da imensidão do deserto. Vós que ostentas as mais variadas formas de apresentação, mas que em todas sempre transmites a beleza e a serenidade. Que com a vossa presença nas minhas horas más, em que muitas vezes sinto vontade de abandonar a luta, fazes com que me transforme novamente no mais audáz guerreiro.


Meu Pai, que a vossa vibração possa estar sempre comigo e com vossos filhos. Que possas conduzir-me para que eu possa desempenhar a missão que me foi outorgada. Que possas tornar os meus ouvidos surdos a maledicências, que faças dos meus lábios a porta onde possa sair somente vossos ensinamentos. Que possas tornar a minha matéria suficientemente forte para a batalha contra os inimigos da espiritualidade. Que através da vossa sabedoria, os vossos filhos possam ter uma visão mais real da verdadeira espiritualidade.

publicado por Pai Pedro de Ogum às 09:14

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As três Nações de Candomblé

As Três Nações
JEJE « KETU « ANGOLA
Dos muitos grupos de escravos vindo para o Brasil,
03(três) categorias ou nações se destacaram:
Negros Fons ou Nação Jeje

Negros Yorubás ou Nação Ketu

Negros Bantos ou Nação Angola

Cada uma dessas 03 (três) nações tem dialeto e ritualística própria. Mas,
houve uma grande coligação entre os deuses adorados nessas 03 (três) nações, por exemplo:
Na Nação Jeje os deuses são chamados de Voduns

Na Nação Ketu, de Orixás

Na Nação de Angola, de Inkices

NAÇÃO JEJE

A palavra JEJE vem do yorubá adjeje que significa estrangeiro, forasteiro.

Portanto, não existe e nunca existiu nenhuma nação Jeje, em termos políticos.
O que é chamado de nação Jeje é o candomblé formado pelos povos fons vindoda região de Dahomé e pelos povos mahins.
Jeje era o nome dado de forma perjurativa pelos yorubás para as pessoas que habitavam o leste, porque os mahins eram uma tribo do lado leste e Saluvá ou Savalu eram povos do lado sul. O termo Saluvá ou Savalu, na verdade, vem de "Savê" que era o lugar onde se cultuava Nanã.
Nanã, uma das origens das quais seria Bariba, uma antiga dinastia originária de um filho de Oduduá, que é o fundador de Savê (tendo neste caso a ver com os povos fons).
O Abomei ficava no oeste, enquanto Axantis era a tribo do norte.
Todas essas tribos eram de povos Jeje.
Os povos Jejes se enumeravam em muitas tribos e idiomas, como:

Axantis Gans Agonis Popós Crus, dentre outros.

Portanto, teríamos dezenas de idiomas para uma tribo só, ou seja, todas eram Jeje, o que foge evidentemente às leis da lingüística - muitas tribos falando diversos idiomas, dialetos e cultuando os mesmos Voduns.
As diferenças vinham, por exemplo, dos Minas - Gans ou Agonis,Popós que falavam a língua das Tobosses, que a meu ver, existe uma grande confusão com essa língua.
Os primeiros negros Jeje chegados ao Brasil entraram por São Luís do Maranhão
e de São Luís desceram para Salvador, Bahia e de lá para Cachoeira e São Félix.
Também ali, há uma grande concentração de povos Jeje. Além de São Luís (Maranhão), Salvador e Cachoeira e São Félix (Bahia), o Amazonas e bem mais tarde o Rio de Janeiro, foram lugares aonde encontram-se evidências desta cultura.

Os Voduns:Segue alguns nomes dos Deuses Voduns:

*Ayzan - Vodun da nata da terra
*Sogbô - Vodun do trovão da família de Heviosso
*Aguê - Vodun da folhagem
*Loko - Vodun do tempo

Os vodun-ses da família de Dan são chamados de Megitó, enquanto que da família de Kaviuno, do sexo masculino, são chamados de Doté; e do sexo feminino, de Doné.

Os cumprimentos ou pedidos de bençãos entre os iniciados da família de Dan seria
“Megitó Benoí?” Resposta: “Benoí”; e aos iniciados da família Kaviuno, ou seja, Doté e Doné seria “Doté Ao?” Resposta: "Aótin".

O termo usado "Okolofé", cuja resposta é "Olorun Kolofé" vem da fusão das Nações de Jeje e de Ketu.

Muitos Voduns Jeje são originários de Ajudá. Porém, o culto desses voduns só cresceram no antigo Dahomé.
Muitos desses Voduns não se fundiram com os orixás nagos e desapareceram totalmente.
O culto da serpente Dãng-bi é um exemplo, pois ele nasceu em Ajudá, foi para o Dahomé, atravessou o Atlântico e foi até as Antilhas.

Quanto a classificação dos Voduns Jeje, por exemplo, no Jeje Mahin tem-se a classificação do povo da terra, ou os voduns Caviunos, que seriam os voduns Azanssu, Nanã e Becém.
Temos, também, o vodun chamado Ayzain que vem da nata da terra. Este é um vodun que nasce em cima da terra.
É o vodun protetor da Azan, onde Azan quer dizer "esteira", em Jeje. Achamos em outro dialeto Jeje, o dialeto Gans-Crus, também o termo Zenin ou Azeni ou Zani e ainda o Zoklé. Ainda sobre os voduns da terra encontramos Loko.
Ele apesar de estar ligado também aos astros e a família de Heviosso, também está na família Caviuno, porque Loko é árvore sagrada; é a gameleira branca, que é uma árvore muito importante na nação Jeje. Seus filhos são chamados de Lokoses.

Ague, Azaká é também um vodun Caviuno. A família Heviosso é encabeçada por Badë, Acorumbé, também filho de Sogbô, chamado de Runhó. Mawu-Lissá seria o orixá Oxalá dos yorubás. Sogbô também tem particularidade com o Orixá em Yorubá, Xangô, e ainda com o filho mais velho do Deus do trovão que seria Averekete, que é filho de Ague e irmão de Anaite. Anaite seria uma outra família que viria da família de Aziri, pois são as Aziris ou Tobosses que viriam a ser as Yabás dos Yorubás, achamos assim Aziritobosse.

,A palavra Ewe-Fon, por exemplo, a casa de candomblé da nação Jeje chama-se
Kwe = "casa". A casa matricial em Cachoeira e São Félix chama-se Kwe Ceja Undé.
Toda casa Jeje tem que ser situada afastada das ruas, dentro de florestas, onde exista espaço com árvores sagradas e rios. Depende das matas, das cachoeiras e depende de animais, porque o Jeje também tem a ver com os animais. Existem até cultos com os animais tais como, o leopardo, crocodilo, pantera, gavião e elefante que são identificados com os voduns. Então, este espaço sagrado, este grande sítio, esta grande fazenda onde fica o Kwe chama-se Runpame, que quer dizer "fazenda" na língua Ewe-Fon. Sendo assim, a casa chama-se Kwe e o local onde fica situado o candomblé, Runpame. No Maranhão predomina o culto às divindades como Azoanador e Tobosses e vários Voduns onde a "sacerdotisa" é chamada Noche e o cargo masculino, Toivoduno.

Histórico - no Brasil: "Kwe Ceja Undé", esta casa , é chamada em Cachoeira de "Roça de Baixo" foi fundada por escravos como Manoel Ventura, Tixerem, Zé do Brechó e Ludovina Pessoa.Ludovina Pessoa era esposa de Manoel Ventura, que no caso africano é o dono da terra. Eles eram donos do sítio e foram os fundadores da Kwe Ceja Undé. Essa Kwe ainda seria chamada de Pozerren, que vem de Kipó, "pantera".

A roça de cima que também é em Cachoeira é oriunda do Jeje Dahomé, ou seja, uma outra forma de Jeje. Estou falando do Mahin, que era comandada por Sinhá Romana que vinha a ser "Irmã de santo" de Ludovina Pessoa (esta última mais tarde assumiria o cargo de Gaiacú na Kwe de Boa Ventura). Mas, pela ordem temos Manoel Ventura, que seria o fundador, depois viria Sinhá Pararase, Sinhá Balle e atualmente Gamo Loko-se.
O Kwe Ceja Undé encontra-se em controvérsia, ou seja, Gamo Loko-se é escolhida por Sinhá Pararase para ser a verdadeira herdeira do trono e Gaiacú Agué-se, que seria Elisa Gonçalves de Souza, vem a ser a dona da terra atualmente.
Ela pertence a família Gonçalves, os donos da terra. Assim, temos os fundadores da Kwe Ceja Undé.

NoRio de Janeiro, saindo de Cachoeira , Tatá Fomutinho deu obrigação com Maria Angorense, conhecida como Kisinbi Kisinbi.

Os Cargos: Os demais cargos são os mais importantes na hierarquia

Babalawo:Um Babalawo, ou Pai dos segredos (awô) é muito respeitado pela cultura yorubá.O Babalawo, como o nome diz, é o conhecedor de todos os mistérios e segredos no culto à Orunmilá, sendo portanto sacerdote de ifá. Somente o Babalawo pode manipular o Rosário de ifá que em yorubá recebe o nome de opele-ifá e em ewe, língua da cultura fon ou Jeje tem o nome de agú-magá. Ainda na cultura Jeje, ifá é chamado de Vodun-fá ou Deus do destino e o Babalawo é denominado de Bokunó.

Ogan: Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados: Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. A palavra Pejigan quer dizer “Senhor que zela pelo altar sagrado”, porque Peji = "altar sagrado" e Gan = "senhor". O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Runpi e Lé são Jeje.
No Ketu, os atabaques são chamados de Ilú. Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé, etc.

A Nação Jeje é muito particular em suas propriedades. É uma nação que vive de forma independente em seus cultos e tradições de raízes profundas em solo africano e trazida de forma fiel pelos negros ao Brasil.

AJOIÉ E EKEDI:A palavra “ajoié” é correspondente feminino de ogan pois, a palavra ekedi, ou ekejí, vem do dialeto ewe, falado pelos negros fons ou Jeje.Portanto, o correspondente yorubá de ekedi é ajoié, onde a palavra ajoié significa“mãe que o orixá escolheu e confirmou”.Assim como os demais oloyés,
uma ajoié tem o direito a uma cadeira no barracão.
Deve ser sempre chamada de “mãe”, por todos os componentes da casa de orixá, devendo-se trocar com ela pedidos de bençãos. Os comportamentos determinados para os ogans devem ser seguidos pelas ajoiés.Em dias de festa, uma ajoié deverá vestir-se com seus trajes rituais, seus fios de contas, um ojá na cabeça e trazendo no ombro sua inseparável toalha, sua principal ferramenta de trabalho no barracão e também símbolo do óyé, ou cargo que ocupa.
A toalha de uma ajoié destina-se, entre outras coisas, a enxugar o rosto dos omo-orixás manifestados. Uma ajoié ainda é responsável pela arrumação e organização das roupas que vestirão os omo-orixás nos dias de festas, como também, pelos ojás que enfeitarão várias partes do barracão nestes dias.
Mas, a tarefa de uma ajoié não se restringe apenas a cuidar dos orixás, roupas e outras coisas. Uma ajoié também é porta-voz do orixá em terra.
É ela que em muitas das vezes transmite ao Babalorixá ou Yalorixá o recado deixado pelo próprio orixá da casa.
No Candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de "Iyárobá". Já na Nação de Angola, é chamada de "makota de angúzo".
Mas, como relatei anteriormente, "ekedi" é nome de origem Jeje mas, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil, seja qual for a Nação.

ABIYAN:Dentro dos cultos afros-brasileiros existe uma categoria de pessoas que são classificadas de Abiyans.
A palavra Abiyan quer dizer:
Abi= "aquele que" e An= seria uma contração de "Onã", que quer dizer “caminho”.
As duas palavras aglutinadas formaram o termo Abiyan, que quer dizer “aquele que começa”, “um novo caminho”. O Abiyan é uma pessoa que está começando um novo caminho, uma nova vida espiritual.

O Abiyan também pode ter fios de contas lavados, obrigação de bori e, até em alguns casos, ter orixá assentado.

O Abiyan é um pré-iniciado e não um simples frequentador, como muitas das vezes é classificado.Pode desempenhar várias atividades dentro de um terreiro, como por exemplo, varrer, ajudar na limpeza, ajudar nos cafés da manhã e almoços comunitários realizados em dias de festas de orixá, lavar louças, ajudar na decoração do barracão, enfim, o Abiyan pode desempenhar várias tarefas sem maior envolvimento religioso.

O período de Abiyan é de muita importância pois, é nesse período que o recém-chegado no Candomblé passa a observar o comportamento e a conviver com os já iniciados.

Existem pessoas que passaram por um longo período sendo Abiyan, antes de se iniciarem no Candomblé. Portanto, vale ressaltar a importância deste período, ou seja, Abiyan e dizer que o frequentador em yorubá, chama-se Lemó-mú.

Dialeto ewe

Algumas Palavras mais utilizadas

*esin = água
*atinçá = árvore
*agrusa = porco
*kpo = pote
*zó ou izó = fogo
*avun = cachorro
*nivu = bezerro
*bakuxé = parto de barro
*kuentó = kuentó
*yan = fio de contas
*vodun-se = filho do vodun ou iniciados da Nação Jeje
*yawo = filho do vodun ou iniciados da Nação Ketu
*muzenza = filho do vodun ou iniciados da Nação Angola
*tó = banho
*zandro = cerimônia Jeje
*sidagã = auxiliar da Dagã na Cerimônia a Legba
*zerrin = ritual fúnebre Jeje
*sarapocã = cerimônia feita 07(sete) dias antes da festa pública de apresentação do(a) iniciado(a) no Jeje
*sabaji = quarto sagrado onde fica os assentos dos Voduns
*runjebe = colar de contas usado após 07(sete) anos de iniciação
*runbono = primeiro filho iniciado na Casa Jeje
*rundeme = quarto onde fica os Voduns
*ronco = quarto sagrado de iniciação
*bejereçu = cerimônia de matança






NAÇÃO KETU
O culto dos orixás remonta de muitos séculos, talvez sendo um dos mais antigos cultos religiosos de toda história da humanidade.
O objetivo principal deste culto é o equilíbrio entre o ser humano e a divindade aí chamada de orixá.
A religião de orixá tem por base ensinamentos que são passados de geração a geração de forma oral.
Basicamente este culto está assim organizado:

Olorun - Senhor Supremo ou Deus Todo Poderoso.
Olodumare – Senhor do Destino .
Orunmilá – Divindade da Sabedoria (Senhor do Oráculo de Ifá)
Orixá – Divindade de Comunicação entre Olodumare e os homens, também chamado de elegun, onde a palavra elegun quer dizer
"aquele que pode ser possuído pelo Orixá".
Egungun – Espíritos dos Ancestrais

Os mitos são muito importantes no culto dos orixás, pois é através deles que encontramos explicações plausíveis para determinados ritos.

O MITO DA CRIAÇÃO Yorubá: Olodumaré enviou Oxalá para que criasse o mundo. A ele foi confiado um saco de areia, uma galinha com 5 (cinco) dedos e um camaleão.
A areia deveria ser jogada no oceano e a galinha posta em cima para que ciscasse e fizesse aparecer a terra. Por último, colocaria o camaleão para saber se a terra estava firme.

Oxalá foi avisado para fazer uma oferenda à Exu antes de sair para cumprir sua missão. Por ser um orixá funfun, Oxalá se achava acima de todos e, sendo assim, negligenciou a oferenda à Exu. Descontente, Exu resolveu vingar-se de Oxalá, fazendo-o sentir muita sede. Não tendo outra alternativa, Oxalá furou com seu opasoro o tronco de uma palmeira. Dela escorreu um líquido refrescante que era o vinho de Palma. Com o vinho, ele saciou sua sede, embriagou-se e acabou dormindo.

Olodumaré, vendo que Oxalá não havia cumprido a sua tarefa, enviou Oduduwa para verificar o ocorrido. Ao retornar e avisar que Oxalá estava embriagado, Oduduwa cumpriu sua tarefa e os outros orixás vieram se reunir a ele, descendo dos céus, graças a uma corrente que ainda se podia ver no Bosque de Olose.

Apesar do erro cometido, uma nova chance foi dada à Oxalá: a honra de criar os homens. Entretanto, incorrigível, embriagou-se novamente e começou a fabricar anões, corcundas, albinos e toda espécie de monstros.Oduduwa interveio novamente. Acabou com os monstros gerados por Oxalá e criou homens sadios e vigorosos, que foram insuflados com a vida por Olodumaré.

Esta situação provocou uma guerra entre Oduduwa e Oxalá. O último, Oxalá, foi então derrotado e Oduduwa tornou-se o primeiro Oba Oni Ifé ou "O primeiro Rei de Ifé".


Cargos (postos) ocupados em um Ilê Axé

Olóyès , Ogãns e Àjòiès

Iyalorixá/Babalorixá: Mãe ou Pai de Santo, é o posto mais elevado do ILê; tem a função de iniciar e completar o ato de iniciação dos olorixás.
Iyaegbé/Babaegbé: É a segunda pessoa do axé. Conselheira, responsável pela manutenção da Ordem, Tradição e Hierarquia. Posto paralelo ao da Iyalorixá ou Babalorixá.
Iyalaxé: Mãe do axé, a que distribui o axé. É quem escolhe os Oloyes de acordo com as determinações superiores.
Iyakekere: Mãe pequena do axé ou da comunidade. Sempre pronta a ajudar e ensinar a todos no Ilê.
Ojubonã: É a mãe criadeira.
Iyamoro: Responsável pelo Ipadê de Exú. Junto com a Agimuda, Agba e Igèna.
Iyaefun/Babaefun: Responsável pela pintura dos Iyawos.
Iyadagan: Auxilia a Iyamoro e vice-versa. Também possui sub-postos Otun-Dagan e Osi-dagan.
Iyabassé: Responsável no preparo dos alimentos sagrados. Todos Olorixás podem auxilia-la, sendo ela a única responsável por qualquer falha eventual.
Iyarubá: Carrega a esteira para o iniciando. E usa toalha de Orixá no ombro.
Aiyaba Ewe: Responsável em determinados atos em obrigações de "cantar folhas". Geralmente filhas de Oxun.
Aiybá: Bate o ejé em grandes obrigações. Tem sub-posto Otun e Osi.
Ològun: Cargo masculino, despacha aos Ebós das grandes obrigações, a preferência é para os filhos de Ogun, depois Odé e Oluwaiyê.
Oloya: Cargo feminino, despacha os Ebós das grandes obrigações, na falta de Ològun. São filhas de Oya.
Mayê: Mexe com as coisas mais secretas do Axé, ligadas a iniciação do Adoxú.
Agbeni Oyê: Posto paralelo a Mayê, divide a mesma causa.
Oyê: Se relaciona com a Yaefun/Babaefun; ou seja, coisas de AWO para iniciação.
Olopondá: Grande responsabilidade na inicição, no âmbito altamente secreto.
Iyalabaké: Responsável pela alimentação do iniciado, enquanto o mesmo se encontrar de obrigação.
Kólàbá: Responsável pelo Làbá, simbolo de Xângo.
Agimuda: Relação com o Ipadê de Exú. Aquela que carrega a espada. Titulo feminino usado no culto de Oya e Geledé.
Iyatojuomó: Responsável pelas crianças do Axé.
Iyasíhà Aiyabá é quem segura o estandarte de Oxalá.
Omolàra: Posto de confiança.
Sarapegbé: Mensageiro de coisas civis e de awo.
Akòwé Ilê Xangô: É a Secretária da casa de Xângo. Zelo, Orô e compras.
Babalossayn: Responsável pela colheita das folhas. Cargo de extrema importância.

Axogun: Responsável pelos sacrifícios. Traz axé de Ogun. Trabalha em conjunto com Iyalorixá/Babalorixá, Oloyês e Ogans. Não pode errar. Responsável direto pelos sacrifícios do ínicio ao fim do ato. Soberano nestas obrigações, é quem se comunica com o Orixá para quem se destina a obrigação, transmitindo à Iyalaxé as respostas e mandamentos. Deve ser chamado de Pai. E também possui sub-posto Otun e Osi.
OgaláTebessê: Dono dos toques, cânticos e danças. Trabalha em conjunto com o Alagbê, possui sub-posto Otun e Osi.
Alagbê: Responsável pelos toques rituais, alimentação, conservação e preservação dos Ilùs, os instrumentos musicais sagrados. Nos ciclos de festas é obrigado a se levantar de madrugada para que faça a ALVORADA mais ou menos 40 min. Se um autoridade de outro Axé chegar ao Ilê, o Alagbê, tem de lhe prestar as devidas homenagens "dobrar o Ilù" oferecer até sua própria cadeira. Também possui sub-posto Otun e Osi.
Alagbá: Ambito civil do Axé.
Àjòiè: Camareira do Orixá. Ekédi.
Ojuoba: Posto de honra no Ilê Xangô e possui sub-posto Otun e Osi.
Teololá: Aquela que acompanha os Obas de Xangô.
Sobalóju: Título masculino e feminino. Sendo o mais importante e atraente, o preferido do rei.
Mawo: Grande confiança.
Balógun: Título ligado ao Ilê Ogun.
Alagada: Ogan que cuida das ferramentas de Ogun.
Balóde: Ogan de Odé.
Aficodé: Chefe do Aramefá (6 corpos) ligado ao Ilê Odé.
Ypery: Ogan ou Àjòiè de Odé
Alajopa: Pessoa de Odé, que leva a caça para ele.
Alugbin: Ogan de Oxalufan e Oxaguian que toca o Ilù dedicado a Oxalá.
Assogbá: Ogan ligado ao Ilê Omolú e cultos de Obaluaiye, Nanã, Egun e Exú.
Alabawy: Pessoa que trabalha na área jurídica e que cuida dos interesses civis do Axé.
Leyn: Pessoa do Ogun ou Odé, que zela Ogun.
Alagbede: Pessoa que trabalha no ramo de ferro e metais e forja as ferramentas do Axé.
Elémòsó: Ogan ou Àjòiè de Oxaguian, ligados ao Ilê Oxalá.
Gymu: Àjòiè de Omolu, que cuida de tudo que se relaciona a Omolu, Nanã e Ossany.
Kaweó: Ligado ao Ilê Ossaiyn.
Ogòtún: Ligado ao Ilê Oxun.
Oba Odofin: Ligado ao Ilê Oxalá.
Iwin Dunse: Ligado ao Ilê Oxalá.
Apokan: Ligado ao Ilê Omolú.
Abogun: Ogan que cultua Ogun.

Veja algumas das palavras mais utilizadas no Candomblé.

Animais
Corpo Humano
Abô e Oubikó = carneiro

Coquém e Sacuê = galinha d'angola.

Adié = galinha.

Uabaodié = galinha, galo.

Malu = boi.

Aban-malu = vaca.

Ifé e Olofu = gato.

Akokorô = galo.

Pekeié e Apepeié = pato.

Exie atabexi = cavalo.

Patapá = burro.

Ajaú e Adiaia = cachorro

Eran e Abô = carneiro.

Aledá e Ledé = porco.

Agutan = ovelha.

Euré = cabra.

Taleu-taleu = peru.

Ajapá e Logozé = cágado.

Adjiniju = elefante.

Ouê-êyá = rabo grande.

Koji = leão.

Zamba = elefante.

Xenimi e xenifidam = sapo.

Abô-agutam = ovelha.

Oguri = peixe.

Eiyele = pombo.

Alodé = periquito.

Ohá e Dudô = macaco.
Ará = corpo.

Ory = cabeça.

Ipakó = nuca.

Etu = orelha.

Imum = nariz.

Iban = queixo.

Irun = cabelo.

Irun-ban = barba e bigode.

Efin = dente.

Eeté = lábios.

Apá = braço.

Qué = mão.

Esse e Alessé = pé.

Itankó = coxas.

Idi-cu = ânus.

Kitaba e Ebeu = vagina.

Éepã = testículo.

Ogungum = osso.

Enum = boca.

Erã e Ancê = carne.

Ejé = Sangue.

Euú e oju = olhos.

Okan = coração.

Eigiká = ombros.

Obó = nádegas.

Akô = macho.

Abam = fêmea.

Mulembu = dedo.

Rivenum = barriga.

Utensílios Família
Ilê = casa.
Ajaké e Tapacê = mesa.
Jajá = esteira.
Egui = carvão.
Nlê = teto.
Anda = rede.
Tainguém = mesa.
Tânta-laiá = lâmpada, luz, clarão.
Jará = quarto.
Aputi = banco.
Ilê-ageun = cozinha.
Cumbaú = cama.
Idiôçu = cadeira.
Ajeké-neulune = fogão.
Teçu = candieiro de querosene.
Odu-ikekê = panela grande.
Itá = travessa, tigela de louça vidrada.
Obé-farÁ = faca tridente ou garfo tridente ou lança tridente.
Ikkô = panela.
Obé = faca.
Oberó = alguidar.
Obé-nuxo-inxó = faca de ponta.
Babá-nla = avó, patriarca.
Babassá = irmão gêmeo.
Aua-mete = tio.
Okorim = esposo, marido.
Yá-lé = mulher favorita.
Omâm omoborim = filho.
Babá = pai.
Bi-egun = viúva.
Okebiã = noivo.
Obirim = esposa, mulher.
Mô-obirim e obirim-mim = minha mulher.
Exi omobirim = filha.
Ya-nla = avó.
Muturi = viúva.
Yá = mãe.
Ikobassu = solteiro.
Oko-Okorim = homem.
Ô-madê = menino.
Tata-mete = primo.
Okuamuri = casado.

Vestuário
Cores
Axó = roupa.
Ubatá = sapato.
Abatá e batá = sapatos.
Filá = gorro, capuz de Obaluayê.
Akêtê = chapéu.
Ojá = fita, faixa.
Peké-pe'é = chapéu-de-sol.
Axó-dudu = roupa suja.
Abadê = toalha.
Dudu = preto
Fin-fun, mandulé = embombo e puti-branco.
Obádo = verde.
Eivikei = vermelho.
Okâm = azul.
Mucumbe = roxo.
Kiobambo = amarelo.

Bebidas Bebidas
Omim = água.
Otin-nibé = cerveja.
Otin-dudu = vinho tinto.
Otin-fum-fum = aguardente.
Oin = mel
Aluá = Brasil, refresco feito de rapadura com casca de abacaxi ou tamarindo.

Xeketé = milho e gengibre.

emeium = feito com epô.

furá = feito com diversas frutas.

Outros Vocabulários da Língua Yorubá
- A -

Adó = comida feita com pipocas em grão e epô.

Abá = pessoa idosa, velho.

Abadá = blusão usado pelos homens africanos.

Abadó = milho de galinha.

Abará = nome de uma comida de origem africana.

Abébé = leque.

Abiodum = um dos Obá da direita de Xangô.

Adê = coroa.

Adetá = Oriki, nome sacerdotal.

Adun = comida de Oxun, milho pilado, azeite dendê e mel.

Afonjá = uma qualidade de Xangô.

Agboulá = nome de um Egun.

Agôgô = instrumento musical feito de ferro.

Ayabá = orixá feminino, senhora idosa.

Aiê = o mundo terrestre.

Airá = uma qualidade de Xangô.

Ajá = campainha, sino.

Ajimudá = título sacerdotal.

Akôrô = uma das invocações e dos nomes de Ogun.

Aku = obrigação funerária.

akukó = galo.

Alá = espécie de pano branco.

Alabá = nome de um sacerdote do culto aos ancestrais.

Alabê = tocadores de atabaque.

Alafiá = felicidade; tudo de bom.

Alafin = invocação de Xangô: nome do rei de Oió - Nigéria.

Alapini = nome sacerdotal do culto aos ancestrais.

Alasê = cozinheira.

Alé = noite.

Apaoká = uma jaqueira que tem esse nome no Axé Opô Afonjá.

Aramefá = conselho de Oxossi, composto de seis pessoas.

Aré = nome do primeiro Obá de Xangô.

Ararekolê = como vai?

Aressá = um dos Obá da esquerda de Xangô.

Ariaxé = banho na fonte no início das obrigações.

Arô = nome que se dá ao par de chifres de boi usado p/ chamar Oxossi.

Arôlu = nome de um dos Obá da direita de Xangô.

Assobá = sumo sacerdote do culto de Obaluaiyê.

Ati = e (conjunção).

Atori = vara pequena usada no culto de Oxalá.

Auá = nós.

Anon = eles.

Axedá = oriki, nome sacerdotal.

Axo = roupa.

Axogun = o encarregado dos sacrifícios.

A-ian-madê = como vão os meninos?

Adupé-lewô-olorun = graças a Deus por ter conservado minha vida e a minha saúde até hoje.

Alabaxé = o que põe e dispões de tudo.

Alayê = possuidor da vida.

Axé = força espiritual e também a palavra amém.

Ayê = céu.

Agô = licença.

Am-nó = o misericordioso.

Aba-laxé-di = cerimônia da feitura do santo.

Axexê = cerimônia fúnebre do sétimo dia.

Amadossi d'Orixá = cerimônia do dia do santo dar o nome.

Amacy no ori = cerimônia de lavar a cabeça com ervas sagradas.

Aiê = terra, festa do ano novo.

Ataré = pimenta da costa.

Amalá = comida feita de quiabo com ebá - angú de farinha.

Abará = bolo feito com feijão e frito no epô.

Akará = bolo feito com feijão fradinho, pimenta, camarão seco e frito no epô.

Akarajé = o mesmo que o Akará.

Afurá = bolo feito com arroz.

Ambrozó = feito de farinha de milho.

Abân = coco.

Ajé = sangue.

Ajeun = comida.

Aguxó = espécie de legumes.

- B -

Babá = pai.

Babalaô = sacerdote, pai do ministério, aquele que faz consultas através do jogo.

Badá = título sacerdotal.

Baiani = orixá considerada mãe de Xangô.

Balé = chefe de comunidade.

Balué = Banheiro.

Bamboxê = sacerdote do culto de Xangô.

Bé = pular, pedir.

Beji = orixá dos gêmeos.

Bi = nascer, perguntar.

Bibá = está aceito.

Bibé = está seco.

Biuá = nasceu para nós.

Biyi = nasceu aqui, agora.

Bó = adorar

Bô = cobrir.

Bobô = todos.

Bodê = estar fora.

Bóri = oferenda a cabeça.

Borogun = Oriki, aquele que adora Ogun, saudação da família.

- D -

Dagan = titulo sacerdotal.

Dagô = dê licença.

Dê = chegar.

Deiyi = chegou agora.

Dodô = banana da terra frita.

Durô = esperar.

- E -

Ebá = pirão de farinha de mandioca ou inhame.

Ebé = sociedade.

Ebô = comida feita de milho branco, especial para Oxalá.

Ebo = sacrifício ou oferenda.

Edun = nome próprio.

Egun = espírito ancestral.

Eie = pombo.

Ejé = sangue.

Ejilaeborá = nome que se dá às doze qualidades de Xangô.

Ejionilé = nome de um Odu, jogo do orixá ifá.

Ekó = comida feita com milho branco ou de galinha; acaça.

Eku = preá.

Elebó = aquele que faz o sacrifício.

Eledá = orixá, guia, criador da pessoa.

Elemaxó = título de um sacerdote no culto de Oxalá.

Elerin = um dos Obá da esquerda de Xangô.

Elessé = que está aos pés, seguidor.

Êpa = amendoim.

Éran = carne.

Êrê = as esculturas do orixá beji (dos gêmeos).

Eru = carrego.

Erúkéré = emblema feito com cabelo de animais, usado por Oxossi, Oyá, Egun e pessoas importantes do culto.

Etu = conquém.

Euá = nome de um orixá.

Exu = nome de um importante orixá erradamente associado ao diabo católico.

- F -

Fatumbi = título de um sacerdote de ifá.

Filá = gorro.

Fun = dar.

Funké = nome sarcedotal.

- G -

Gan = outro nome do agogô.

- I -

Iangui = nome do rei dos Exu.

Ianlé = as partes da comida que são oferecidas ao orixá.

Iansan = orixá patrono dos ventos, do rio Niger e dos relâmpagos.

Ibá = cuia.

Ibi = aqui.

ibiri = objeto de mão, usado pela orixá Nanã, feito em palha, couro e contas.

Ibó = lugar de adoração.

Ibô = mato.

Iemanjá = orixá patrono das águas correntes.

Ijexá = nome de uma região da Nigéria e de um toque para orixá Oxum, Oxála e Ogun.

Iká = modo de deitar-se das pessoas de orixá feminino, para saudação.

Iku = morte.

Ilê = casa.

Ilé = terra.

Inã = fogo.

Ipeté = inhame cozido, pisado, temperado com camarão seco, sal, azeite de dendê e cebola.

Irê = bondade.

Iuindejà = título sacerdotal.

Iuintonã = título sacerdotal.

Ixu = inhame.

Iyá = mãe.

Iyabasé = cozinheira.

Iyalaxé = mãe do axé do terreiro.

Iyalodé = um alto título, líder entre as mulheres.

Iyalorixá = Zeladora do culto, mãe do orixá.

Iyamasê = orixá da casa de Xangô.

Iyamorô = título de uma sacerdotisa do templo de Obaluaiyê.

Iyaô = nome dos iniciados antes de sete anos de iniciação.
- J -

Ji = despertar

Jinsi = título sacerdotal.

Jô = dançar.

Jobi = título sacerdotal.

Joé = aquele que possui título.

- K -

Kaiodé = nome de uma sacerdotisa de Oxossi.

Kan = um (número cardinal).

Kankanfô = um dos obá da direita de Xangô.

Kefá = sexto número ordinal.

Kejilá = décimo segundo ( numero ordinal ).

Kekerê = pequeno.

Ketà = terceiro (nº. ordinal ).

Kolabá = nome de uma sacerdotisa do culto de Xangô.

Kopanijê = um toque especial do orixá Obaluaiyê.

Koxerê = que seja feliz, e que tudo de bom aconteça.

Labá = bolsa de couro usada no culto de Xangô.

- L -

Lara = no corpo.

Lê = forte.

Lessé = aos pés ( lessé orixá - seguidores do orixá ).

Ló = ir.

Lodê = lado de fora; lá fora.

Lodô = no rio.

Logun = pessoa que pertença ao orixá Ogun.

Logunedé = nome de um orixá.

Loná = no caminho.

- M -

Mariô = tala do olho do dendezeiro desfiada.

Modê = cheguei.

Mogbá = título de um sacerdote do culto de Xangô.

Mojubá = apresentando meu humilde respeito.

- N -

Nanã = nome da orixá, mãe de Obaluaiyê.

Nilê = na casa.

- O -

Obá = rei , ministro de xangô.

Obaluaiyê = nome do orixá patrono das doenças epidêmicas.

Obarayi = nome de uma sacerdotisa filha de Xangô.

Obatalá = uma qualidade de Oxalá.

Obatelá = nome de um dos obá da direita de Xangô.

Obaxorun = nome de um dos obá da esquerda de Xangô.

Obi = fruto africano utilizado nos rítuais.

Obitikô = Xangô.

Oburô = alto título da hierarquia do culto.

Odê = fora, rua.

Odé = caçador; nome que também é dado ao orixá Oxossi.

Odi = nome de um odu, jogo de ifá.

Odô = rio.

Odófin = nome de um dos obá da direita de Xango.

Odu = a posição em que caem os búzios ou o opelé ifá quando consultados.

Oduduá = orixá criador da terra.

Ofun = nome de um odu.

Ogã ou Ogan = nome dos homens escolhidos p/ participar do terreiro.

Ogodô = uma qualidade de Xangô.

Oguê = instrumento de percussão feito de chifres de boi.

Ogun = orixá patrono do ferro, do desbravamento e da guerra.

Oin = mel.

Oiakebê = nome de uma sacerdotisa de Iansan.

Ojá = ornamento feito com tira de pano.

Ojé = sacerdote do culto de Egun ou Egungun.

Ojó = dia da semana.

Oju = rosto.

Ojubó = lugar de adoração.

Oké = título sacerdotal.

Okê-Arô = saudação para Oxossi.

Okó = marido.

Okô = roça, fazenda.

Okunlé = ajoelhar-se.

Olelé = bolo feito com feijão fradinho; abará.

Olodê = o senhor da rua, do espaço, de fora.

Olorôgun = festa de encerramento do terreiro antes da quaresma.

Olorum = entidade suprema, força maior, que está acima de todos os orixá.

Olouô = homem rico; senhor do dinheiro.

Oluá = senhor.

Oluayê = senhor do mundo

Olubajé = cerimônia onde Obaluaiyê reparte sua comida com seus filhos e seguidores.

Olukotun = o nome do ancestral mais velho, cabeça do culto de Egun.

Oluô = o olhador, o que joga os búzios e o opelé ifá.

Omi = água.

Omo = filho, criança.

Omolu = um dos nomme de Obaluaiyê.

Omõrixá = filho de orixá.

Onã = caminho.

Onãsokun = um dos obá da esquerda de Xangô.

Onìkòyi = um dos obá da esquerda de Xangô.

Onilé = dona da terra.

Onilê = dona da casa.

Opaxorô = emblema de Oxalá.

Opô = pilastra.

Ori = cabeça.

Orô = preceito, costume tradicional.

Orobô = fruta africana que se oferece a Xangô.

Orukó = nome próprio.

Ossãin = orixá patrono das ervas (folhas).

Osé = semana; rito semanal.

Ossi = esquerda, ou a terceira pessoa de um cargo.

Ossá = nome de um odu ifá

Otin = aguardente.

Otun = direita, ou segunda pessoa de um cargo.

Ouô = dinheiro.

Oxaguiã = uma qualidade de Oxalá relacionado com o inhame novo.

Oxalá = o mais respeitado, o pai de todos orixá.

Oxalufã = ums qualidade de Oxalá; Oxalá velho.

Oxé = sabão da costa africana.

Oxossi = orixá patrono da floresta e da caça.

Oxoxö = milho cozido com pedaços de coco; comida do orixá Ogun.

Oxum = uma das orixá das águas.

Oxumarê = nome do orixá relacionado ao arco-íris.

- P -

Pá = matar.

Padê = encontrar.

Pê = chamar.

Peji = altar.

Pelebé = pato.

Pepelê = banco.

Peté = Comida exclusiva de Oxun.


- S -

Sarapebé = mensageiro.

Si = para.

Sòrò = falar.

Sun = dormir.

Tanã = vela, lâmpada, fifo.

Teni = nome sacerdotal.

Tô = suficiente, basta.

Uá = vir.

Umbó = está vindo, está chegando.

Unjé = comida.

Uô = olhar, reparar.

Xangô = orixá relacionado com o fogo, o raio o trovão.

Xaorô = pequenos guizos

Xarará = emblema do orixá Obaluaiyê.

Xê = fazer.

Xekeré = cabaça revestida com contas de Santa Maria ou búzios.

Xerê = chocalho especial para saudar Xangô, em cabaça com cabo ou em cobre.

Xirê = festa, brincadeira.

Xokotô = calças.

Xorô = fazer ritual.






NAÇÃO ANGOLA
OS CARGOS NA NAÇÃO DE ANGOLA:A partir da Mameto de inkice Maria Nenen e de outros Tatetos como Bernardinho e Ciri Aco, o culto banto ou Candomblé da Nação de Angola, como é chamado o culto no Brasil, teve maior destaque na comunidade afro-brasileira.

Estes negros ou bantos, como eram chamados devido a língua que falavam, seguiam a tradição religiosa de lugares como: Casanje, Munjolo, Cabinda, Luanda entre outros.

Mas, o culto banto tem sua liturgia particular e muito diferenciada das culturas yorubá e fon.

Abaixo, encontram-se desmembrados os cargos e funções em um Candomblé Banto:

Tata Ria Inkice Zelador / Pai
Mameto Ria Inkice Zeladora / Mãe
Tata Ndenge /Pai pequeno
Kixika Ingoma /Tocador
Tata Kambono /Ogan
Tatta Kivonda /Aquele que sacrifica os animais
Kinsaba/ O que colhe folhas
Kikala Mukaxe /Filho de santo
Tata Utala /Herdeiro da casa
Dikota /Ekedi
Kijingu/ Cargo
Tata Unganga /O que joga búzios
Zakae Npanzo/ Troncos de árvores colocados nas portas dos santos
Munzenza/ Iniciado
Ndunbe /Abian
Vumbi /Egun
Dizungu Kilumbe/ Saída de santo
Dimba Inkice /Obrigações oferecidas aos Santos
Kumbi Ngoma /Dias de toque
Kufumala/ Defumação
Dizungu Nlungu/ Ordem do barco:

Kamoxi/Rianga
Kaiai /Kairi
Katatu/ Kairi
Kakuãna/ Kauanã

Sukuranise/ Troca das águas nas quartinhas
Kota/ Filhos com mais de 07 anos de feitura
publicado por Pai Pedro de Ogum às 09:12

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