Quarta-feira, 1 de Junho de 2005

O Paradigma do Saber para Ser

O Paradigma do Saber para Ser
Por Pedro Nina
Notas para Reflexão
Junho 2003
 
Estas notas pretendem dar a conhecer e contribuir para a reflexão, de alguns temas de interesse sobre a Umbanda, numa vertente comportamental, e não do conhecimento oculto e esotérico; pois para, esse conhecimento só nos poderá ser ensinado pelas Entidades.
Por isso torna-se necessário, não dar opnião, mas transcrever ideias e apontamentos que tenho encontrado durante esta Senda que é o Caminho Espiritual na Umbanda.
Todos os temas foram extraídos de livros, conversas, dissertações e várias reuniões on-line, em que se debatem temas práticos da Umbanda. Não se pretende com isto considerar qualquer particularidade, mas sim, dar algumas notas e informação para se encontrar a "Consciência do que é ser Umbandista".
Tentar explicar duma forma simples alguns detalhes da Umbanda, por vezes tão simples de demonstrar e ao mesmo tempo tão difícil de praticar.
 
É este o nosso de desafio maior
 
UMA PALAVRA SOBRE O SINCRETISMO
 
Um dos assuntos que mais tem chamado a atenção daqueles que estão inseridos no meio umbandista, e que tem causado uma grande confusão principalmente na mente dos iniciados ao Culto Umbandista, é, sem dúvida, o Sincretismo Religioso.
Para entendermos melhor o processo de semelhança entre as divindades cultuadas pelos diversos povos africanos (Gêges, Nagôs, Congoleses, Angolanos etc.) e os santos católicos, e seus reflexos dentro da Corrente Astral de Umbanda, torna-se necessário voltarmos ao século XVI, período em que os negros começaram a desembarcar em Terras de Santa Cruz (Brasil).
Tratados como animais pelos senhores de engenho, os negros escravos, nas poucas horas de descanso, praticavam rituais próprios de adoração e evocação das suas divindades, às quais chamavam Orixás, inkices, bacuros, voduns etc. No entanto, era forte a influência e a pressão que os sacerdotes católicos exerciam sobre os latifundiários, para que estes os auxiliassem na tarefa de destruir a religiosidade dos negros.Pois bem, diante da feroz vigilância e repressão, os negros, inteligentemente, passaram a utilizar nos seus rituais imagens de santos católicos, que colocavam nos seus altares (congás), ocultando a representação dos seus deuses por sob as ditas imagens, e com isso passando aos brancos a idéia de estarem a cultuar os santos católicos.
Com o avanço do processo de conhecimento dos negros sobre o catolicismo, estes começaram a detectar alguns pontos em comum entre as divindades africanas e os santos da igreja.
Descobriram por exemplo que São Sebastião foi vítima de flechas no interior da mata, assemelhando-o a Oxósse, o orixá das matas, cujo símbolo é o arco e a flecha. Tomaram conhecimento que São Jorge tinha sido um soldado com muitos feitos militares, passando os negros a assemelhá-lo a Ogum, o orixá vencedor de batalhas, e cujo símbolo é a espada, instrumento igualmente utilizado pelos militares no Império Romano.
Tiveram também conhecimento que São Lázaro teria tido o seu corpo coberto de chagas, assemelhando-o de imediato a Omulú /Obaluayê, orixá responsável por doenças reajustadoras, em especial a varíola, patologia que causa feridas no corpo.
Assim aconteceram outras semelhanças entre orixás e santos católicos. De acordo com a divindade cultuada em determinado dia, os negros utilizavam as imagens dos santos assemelhados, primeiro para despistarem os brancos e, segundo, porque mesmo sendo oprimidos e maltratados tinham dignidade bastante para respeitarem a religiosidade alheia.
Deste relato histórico anteriormente citado é que se sedimentou o sincretismo, ou seja a semelhança entre orixás e santos, os primeiros, divindades africanas, os segundos, personalidades da igreja católica.
Até aqui se verifica que as religiões inseridas no contexto são o catolicismo e os cultos africanistas. Assim sendo, a Umbanda nunca esteve presente no processo de sincretismo, pois nem sequer tinha sido anunciada no plano físico.
As Energias Espirituais não tinham nomes específicos conhecidos pelos humanos, tão pouco tinham passado pelo processo de encarnação. Vieram trabalhar na Umbanda uma gama de esforçados e bondosos espíritos, porém em níveis diferentes de evolução,nomeadamente, índios, asiáticos, europeus, africanos etc. Ocorre que a grande maioria dos espíritos que encarnaram e desencarnaram em solo africano, e mesmo aqueles que foram trazidos para o Brasil como escravos, e ainda os que aqui nasciam já escravos, tinham pouca elevação espiritual e cultural, não tendo discernimento quanto aos reais valores astrais. Deste modo, ainda estavam muito apegados às lembranças dos cultos que praticavam, sentindo-se por isto desfamiliarizados com a Corrente Espírito-Fraternal em que iriam trabalhar. Os Senhores do Cosmo, observando tal dificuldade, permitiram a estes espíritos chamarem as Potências Cósmicas de Orixás, a fim de "se sentirem em casa".
Outros espíritos mais evoluidos da Corrente de Umbanda, (entendendo o que ocorria) passaram a aceitar os nomes Xangô, Oxósse, Iemanjá, Ogum, e assim por diante.
A confusão começa quando algumas pessoas ligadas aos cultos africanistas, e por isto enraizadas no sincretismo já falado, começam a migrar para a Umbanda. Achando que as Potências Cósmicas da Umbanda e as suas divindades são a mesma coisa, trazem também o sincretismo afro-católico.
Deste equívoco, vemos hoje como resultado, umbandistas estarem numa Gira em louvor á Cosmopotência nomeada Ogum, reverenciando São Jorge; numa Gira em louvor a Cosmopotência nomeada Oxósse, reverenciando São Sebastião; numa Gira em louvor a Cosmopotência nomeada Xangô, reverenciando São Jerônimo, e assim por diante.
Respeitamos os santos católicos que, diga-se de passagem, foram encarnados como nós, com virtudes e defeitos, mas devemos ter em mente que os mesmos são próprios da igreja católica e não da Umbanda.
Porém, o mais importante é que os umbandistas tenham consciência de que as Potências Cósmicas da Umbanda (nomeadas Orixás), Santos Católicos e Divindades Africanas, embora devam ser alvos do mesmo respeito, não são a mesma coisa.
 
OS CAMPOS VIBRATÓRIOS
 
Desde o advento da humanidade no globo terrestre, a natureza tem sido fonte inesgotável de recursos bio-energéticos para a criação, evolução e sedimentação dos vários organismos que a compõem. As antigas religiões orientais como o Bramanismo, Hinduísmo, Confucionismo, Budismo, além dos cultos ameríndios e africanos, sempre valorizaram a natureza como essência catalisadora de energias para equilibrar a psico-fisiologia do ser humano.
É da natureza que se extraiem os elementos necessários ao reajustamento das faculdades biopsicomotoras, tão importantes à mente, ao espírito e a parte corpórea. É na natureza que há uma maior interacção entre o plano material e o astral. Em contacto com rios, florestas, cachoeiras, mares etc., absorvemos as vibrações emanadas do Cosmo, que são recepcionadas nestes locais de captação fluídico-espiritual. É na natureza que encontramos o habitat de certas formas espirituais, de evolução diferente dos seres humanos, chamados por alguns de gnomos, silfos, salamandras, ondinas etc., o que na Umbanda nomeamos Elementais ou Espíritos da Natureza.
Os Elementais são os responsáveis pela manipulação etérea dos materiais existentes nestes sítios vibracionais, condensando partículas energéticas que muitas vezes são utilizadas por Caboclos, Pretos-Velhos, Exus e Crianças, entre outros, para trabalhos de cura, desobsessão, neutralização de demandas e assim por diante.
Têm tal importância os Elementais na dinâmica telúrico-cósmica que Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, no capítulo dedicado à categoria e classe dos seres espirituais, cita a existência de seres (os Elementais) responsáveis pela protecção, cultivo e manipulação de elementos ligados aos diversos campos vibratórios.
Alguns pensam que as florestas, rios, mares, pedreiras etc. são lugares somente destinados à adoração dos Orixás, o que é um engano. Na realidade, quando nos dirigimos a estes lugares, somos nós, médiuns, que recebemos as graças e os cuidados que todo aquele que serve de mediador à acção dos espíritos bons necessita ter.
Durante uma gira, somos ofertados pelos nossos Guias e Protetores com uma contínua carga de fluídos positivos, cujos elementos constitutivos são retirados das flores, folhas, raízes, água doce, água salgada etc. Neste aspecto, o trabalho das Entidades é facilitado, pois estando os seus aparelhos em contacto directo com a natureza, e por isto sujeitos à influência das energias dali emanadas, a missão de impregnação fluídica positiva torna-se mais eficaz, o que seria difícil acontecer longe destes campos. Devido à agregação de cargas eletromagnéticas densamente negativas sobre as cidades, produto do actual estágio consciencional e comportamental das pessoas, os fluidos dos sítios vibratórios sofrem, quando direccionados para outro lugar, o ataque de energias negativas chamadas formas-pensamento e também de espíritos de baixa vibração (kiumbas), que impedem, total ou parcialmente, que aquelas energias cheguem ao seu destino.
Desta forma, a natureza constitui-se em fonte de equilíbrio, reequilíbrio, harmonização, desintoxicação, limpeza, imantação, frente aos trabalhos de Umbanda.
 
OS PONTOS CANTADOS E SEU SIGNIFICADO
 
Um dos fundamentos de vital importância para a harmonização e eficácia dos trabalhos dentro de um templo umbandista é, sem dúvida, o que diz respeito aos Pontos Cantados (curimbas).
Em tempos imemoriais, o Homem materialista e ligado quase exclusivamente aos aspectos físicos que o rodeavam, tomado de um profundo vazio de consciência, resolveu traçar caminhos que o fizessem resgatar a verdadeira finalidade de sua existência. Alicerçado em princípios aceites, passou a procurar o elo de ligação com o Criador, a fim de se redimir do tempo perdido e desvirtuado para outras acções.
Uma das formas encontradas para a reaproximação com o Divino foi a música, onde se exprimiam o respeito, a obediência e o amor ao Pai Maior. Desta forma, os cânticos tornaram-se um atributo socio-religioso, comum a todas as religiões onde, cada uma delas, com as suas características próprias, exteriorizavam a sua adoração, devoção e servidão aos desígnios do Plano Astral Superior.
Na realidade os Pontos Cantados são verdadeiros mantras, preces, que dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contacto íntimo com as Potências Espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás dos pontos, que se entoados com conhecimento, amor, fé e racionalidade provoca, através das ondas sonoras, a atracção, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes nas nossas vidas.
A Umbanda é dirigida por sete Forças Cósmicas Inteligentes, que são as principais e, que por influência dos Pretos-Velhos, receberam o nome de Orixás, sendo que a irradiação ou linha de Oxalá , precede todas as demais, razão pela qual as comanda.
Todas estas irradiações têm os seus pontos cantados próprios, com palavras-chave específicas e a justaposição de termos magísticos, de forma que o responsável pelo ponto deve ter conhecimento do fundamento esotérico (oculto) da canção.
Temos visto em algumas ocasiões determinadas pessoas até com boas intenções, mas sem conhecimento, "puxarem" pontos em horas não apropriadas e sem nenhuma afinidade com o trabalho ora realizado. Tal facto pode causar transtornos à eficácia do que está a ser feito, uma vez que podem atrair forças não afetas àquele trabalho, ou ainda despertar energias contrárias ao trabalho espiritual.
Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborado por pessoas diretamente) Os Pontos de Raiz ou espirituais jamais podem ser modificados, pois constituem-se em termos harmoniometricamente organizados, ou seja, com palavras colocadas em correlação exacta, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando forças para os mais diversos fins (sempre positivos).
No que concerne aos Pontos cantados terrenos, a Espiritualidade aceita-os, desde que pautados na razão, bom senso e fé de quem os compõe.
Vimos pelo acima exposto que os pontos, por serem de grande importância e fundamento, devem ser alvo de todo o cuidado, respeito e atenção por parte daqueles que as utilizam, sendo ferramenta poderosa de auxílio aos Pretos-Velhos, Caboclos, Exus, e demais espíritos que actuam dentro da Corrente Astral de Umbanda.
 
O USO DO FUMO NOS TERREIROS DE UMBANDA
 
O fumo é a erva mais tradicional da terapêutica psico-espiritual praticada na Umbanda. Originário do novo mundo, os nativos fumavam o tabaco picado e enrolado nas suas próprias folhas, ou na de outras plantas, conhecendo o processo de curar e fermentar o fumo, melhorando o gosto e o aroma.
Durante o período físico em que o fumo germina, cresce e desenvolve-se, condensando as mais variadas energias do solo e do meio ambiente, absorvendo calor, magnetismo, raios infravermelhos e ultravioletas do sol, polarização eletrizante da lua, éter físico, sais minerais, oxigênio, hidrogênio, luminosidade, aroma, fluidos etéreos, cor, vitaminas, nitrogênio, fósforo, potássio e o húmus da terra. Assim, o fumo condensa uma forte carga etérea e astral que, ao ser libertada pela queima, emana energias que atuam positivamente no mundo oculto, podendo desintegrar fluídos adversos à contextura perispiritual dos encarnados e desencarnados.
O charuto, o cigarro ou ainda o cachimbo, são utilizados pelas Entidades como defumadores individuais no seu trabalho. Ao lançar a fumaça sobre a aura, os plexos ou feridas, os espíritos utilizam a sua magia em benefício daqueles que os procuram.
No fabrico dos charutos (palavra derivada do tâmil churutu), as folhas, após o processo de secagem, são reunidas em manocas de 15 a 20 folhas e submetidas a fermentação, destinada a diminuir a percentagem de nicotina, aumentar a combustividade do fumo e uniformizar a sua coloração.
Desta maneira, como o defumador, o charuto, o cigarro ou o cachimbo são instrumentos fundamentais na acção mágica dos trabalhos umbandistas executados pelas Entidades. A queima do tabaco funciona como um defumador individual, próprio, dirigido ao objetivo do Guia, e não traz nenhum vício tabagista, representando apenas um meio de descarrego, um bálsamo vitalizador e ativador dos chakras dos consulentes.
Vemos assim que, como ensinou um Preto Velho, "na fumaça está o segredo dos trabalhos da Umbanda".
 
DEFUMAÇÃO: SEUS EFEITOS ASTRAIS E FÍSICOS
 
Deus, perfeito na sua criação, dotou o Homem de vários sentidos, para que o seu espírito tivesse assim portas de comunicação com o mundo físico, ajudando-o a viver, integrar-se e evoluir nesta escola chamada Terra.
Dentro destes sentidos está o olfacto, que ao captar os aromas, desperta-nos lembranças e associações, aflorando as nossas emoções, fazendo-nos rir, ou chorar de saudades.
Quem já não voltou ao passado, sentindo fragrâncias que fizessem lembrar a infância distante ? Ou, para nós umbandistas, que ao sentirmos o aroma vindo do charuto ou do defumador, não lembramos imediatamente dos nossos queridos Pretos-Velhos e Caboclos?
Assim, através dos aromas podemos ficar relaxados, agitados, próximos ou afastados de pessoas, coisas ou lugares. Por este motivo, os templos do Egito antigo, dos Hindus, Persas, e hoje os templos umbandistas sensibilizavam o olfacto através dos odores da defumação, criando harmonia e aumentando o teor das vibrações psíquicas, produzindo condições de recepção e inspiração nos planos físico e espiritual.
Além de influenciar as nossas vibrações psíquicas, as ervas utilizadas na defumação são poderosos agentes de limpeza vibratória, que tornam o ambiente mais agradável e leve. Ao queimarmos as ervas, libertamos em alguns minutos de defumação todo o poder energético aglutinado em meses ou anos no solo da Terra, absorção de nutrientes dos raios de sol, da lua, do ar, além dos próprios elementos constitutivos das ervas.
Deste modo, projecta-se uma força capaz de desagregar miasmas astrais que dominam a maioria dos ambientes humanos, produto da baixa qualidade de pensamentos e desejos, como raiva, vingança, inveja, orgulho, mágoa, sensualidade etc.
Existem, para cada objectivo que se tem ao fazer-se uma defumação, diferentes tipos de ervas que associadas, permitem energizar e harmonizar pessoas e ambientes, pois ao queimá-las, produzem reacções agradáveis ou desagradáveis no mundo invisível. Há vegetais cujas auras são agressivas, repulsivas, picantes ou corrosivas, que põem em fuga alguns desencarnados de vibração inferior. Os antigos Magos, graças ao seu conhecimento e experiência incomuns, sabiam combinar certas ervas de emanações tão poderosas, que traçavam barreiras intransponíveis aos espíritos intrusos ou que tencionavam distorcer o trabalho de magia.
Apesar das ervas servirem de barreiras fluídico-magnéticas para os espíritos inferiores, o seu poder é temporário, pois os Espiritos do plano astral de baixa vibração são atraídos novamente pelos nossos pensamentos e atos turvos, que nos deixam na mesma faixa vibratória inferior (Lei de Afinidades). Portanto, vigilância quanto ao nível dos pensamentos e actos.
A defumação deve ser feita em turíbulos de barro (elemento natural neutro), que mantém as qualidades e os efeitos dos elementos constitutivos das ervas. Efectuar defumação em recipientes de alumínio, ferro ou similares é um equívoco, pois estes metais ao entrarem em contacto com o carvão em brasa, libertam toxinas que irão neutralizar, total ou parcialmente, a eficácia das ervas.
Convém lembrar que ao manipular o defumador, deve-se estar concentrado, a fim de se potencializar os seus efeitos, impedindo assim que este acto liúrgico-magístico de limpeza psico-espiritual se transforme apenas em acto mecânico de agitação do turíbulo.
 
O SAL GROSSO NA TERAPÊUTICA ESPIRITUAL
 
Um dos compostos químicos naturais mais utilizados em trabalhos de limpeza espiritual no templo umbandista é o conhecido Sal Grosso.
A generalidade das pessoas e um grande número de médiuns que militam nas ordes umbandistas desconhecem o fundamento de tal prática. Os que a conhecem, limitam-e a dizer que o sal grosso serve para banho de descarrego.
O Sal Grosso, assim chamado por não ter passado por processos de refinação industrial, é um composto químico natural cientificamente denominado Cloreto de Sódio, derivado da coesão de dois outros elementos químicos naturais, que são o cloro e o sódio.
O Cloro é formado por moléculas de grande poder germicida e bactericida, sendo utilizado em várias finalidades depurativas. O Sódio, outro elemento formador do Sal Grosso, é um metal invisível a olho nú, e tem como função agir como condutor térmico e eliminador de corpos nocivos à saúde.
Falamos até agora do sal grosso enquanto composto químico formado pela junção natural do cloro e do sódio, elementos existentes no nosso planeta.
O aparecimento do Sal Grosso ou cristalizado deu-se a partir da fusão daqueles elementos já mencionados, obedecendo á espiral de determinadas circunstâncias ligadas ao planeta Terra, e também a precipitação de condições para a sua condensação. Saliento, antes de continuarmos, que estamos a falar de elementos químicos naturais, e não destes produtos químicos industriais.
É do conhecimento geral que a matéria tangível aos nossos sentidos foi formada a partir da Química Astral, sendo esta um dos reflexos de actuação do Fluído Universal.
Os elementos químicos astrais durante a formação da Terra, entraram num ciclo de condensação permanente, dando origem ao planeta tal qual o conhecemos, tanto é verdade, que o centro do nosso planeta recebe continuamente estes elementos astrais que, sob certas condições, formam novos elementos químicos condensados (densos, materializados). Soma-se a isto o facto incontestável do centro da Terra estar sob a dinâmica de uma força centrífuga (de dentro para fora), que expele para a crosta os elementos supracitados.
Desta forma, é notório que o cloro e o sódio são elementos químicos resultantes do comumente,designado por, cloro e sódio astrais, que condensados e fundidos, deram origem ao Cloreto de Sódio (sal).
Assim sendo, os éteres do sal grosso é que fazem a limpeza fluídica do ser humano. O cloro em forma etérea será o responsável pela limpeza do corpo astral, do corpo vital, da aura, enquanto o sódio, também em forma etérea, terá a função de condutor e disìpador dos miasmas e cargas fluídicas negativas.
É comum as entidades espirituais ao ministrarem banhos de descarrego com sal grosso, orientarem os consulentes a secarem-se naturalmente. Tal medida é aconselhada para que as partículas etéreas do sal grosso possam atingir com maior eficácia o perispírito, o duplo etérico, desagregando assim as energias negativas.
Os Caboclos, Pretos-Velhos e demais entidades que actuam na Umbanda, orientam como terapêutica físico-espiritual o banho de mar. E por quê ? Porque o mar contém o sal, e o fundamento para tal prática é o mesmo do descarrego com sal grosso acrescido, é claro, do elemento químico natural Iodo, com grande poder anti-séptico. Os banhos de mar limpam e higienizam os Centros de Força (chakras), a aura, o corpo vital, e assim por diante.
Em suma, aí estão expostos os fundamentos basilares do uso do sal grosso. Muito mais poderia ser dito a respeito, mas esperamos que tais informações sejam úteis aos filhos de Umbanda, e que os mesmos possam tomar ou ministrar banhos, com esclarecimento específico da função e acção daquele composto químico natural.
 
ONDE VIVEM OS CABOCLOS ?
 
Muitas pessoas que vivenciam a Umbanda já ouviram falar que os Caboclos quando se despedem do terreiro, onde actuam incorporados em seus médiuns, dizem que vão para a cidade de Juremá.
Outros falam subir para o Humaitá, e assim por diante.
Sabemos, no entanto, que os Caboclos não voltam para as florestas como ordinariamente voltam os que lá habitam. No espaço, onde se situam as esferas vibratórias, vivem os Caboclos agrupados, segundo a faixa vibracional de actuação, junto á psico-esfera da Terra. São verdadeiras cidades onde se cumpre o mandato de Oxalá assim determinou, colaborando com a humanidade.
Estes agrupamentos se dividem em sete, pois sete são as faixas de atuação vibratória onde os Caboclos irão desenvolver e aperfeiçoar seus médiuns, para os trabalhos realizados nas sete esferas do espírito.
É para as cidades espirituais que os Caboclos responsáveis pelos diversos terreiros levam os médiuns, dirigentes e demais trabalhadores, para aprenderem um pouco mais sobre a Umbanda.
Portanto, Caboclo não se dilui no ar e depois volta a se agrupar em moléculas, para descer em seus aparelhos, a fim de dar prosseguimento aos serviços de caridade.
Estas moradas possuem grandes núcleos de trabalhos diversos, onde o Caboclo faz sua evolução, contrariando o que muitos irmãos da Terra, que pensam que Caboclo tudo pode, tudo sabe e tudo faz. Enganam-se os que assim pensam, uma vez que o espaço é povoado de seres dos mais deferentes níveis de formação intelecto-moral.
O antigo habitante das matas quer ser mais do que guerreiro, quer alcançar seus antigos mitos pela transformação.
Os Orixás, que são potências da natureza, que estam além da personalidade humana, fazem descer a mais pura energia-matéria para ser trabalhada pelos Caboclos no espaço-tempo das esferas que compreendem a Terra, morada provisória de alguns espíritos em evolução.
Lá, na morada de luz dos Caboclos, existem outros espíritos aprendendo o manejo das energias, das forças que estabelecerão um padrão vibratório de equilíbrio para os consulentes que vêm às terreiros de Umbanda em busca de um conforto espiritual.
Estas "aldeias" se movem entre as esferas, ora estão em zonas próximas às trevas, socorrendo espíritos dementes, ora estão sobre algumas cidades do plano visível, etéreas, ou sobre o que resta de florestas preservadas pelo Homem. De lá extraem, com a ajuda dos Elementais, os remédios para a cura dos males do corpo.
É preciso que os mediuns se aprofundem nos seus conhecimentos espirituais para que seus Caboclos possam revelar o mundo invisível, segundo o que é permitido e necessário, para que os umbandistas conheçam melhor um pouco mais além do ritual e práticas física verificadas no terreiro.
Caboclo é mais que um espírito que pode ter sido um índio e que deixou a matéria pelos braços do desencarne.
Em nossas andanças pelo espaço, temos visto muitos Caboclos tristes com aqueles que somente buscam seus préstimos para a solução da vida material e, em alguns casos, para atender a pedidos efêmeros.
Alguns Caboclos ficariam felizes se pudessem levar seus médiuns até as cidades da Juremá.
Entretanto, a falta de compreensão, entendimento, desprendimento de alguns poucos, são os que os mantêm afastados até a hora derradeira.
Preparem-se, a fim de seguir os passos de seus Guias de Luz. Somente os que buscam exercer a mediunidade conscientemente, como verdadeiros sacerdotes, compreenderão que para chegar a Aruanda, terão primeiro que provar do cálice da amargura.
Somente assim poderão encontrar o caminho de volta, sem atalhos tenebrosos e interpretações errôneas sobre a Umbanda, que não divide seus filhos, mas sim vem para reuni-los em torno de uma só bandeira, a da Luz de Oxalá.
O único sacrifício que a Umbanda pede é o aperfeiçoamento moral de seus tutelados.
 
A PRÁTICA DA MEDIUNIDADE NA UMBANDA
 
A prática mediúnico na Umbanda exige um grau de responsabilidade em que seria aconselhável que o assistente, no decurso de seu preparo, fizesse uma análise séria de sua capacidade de renúncia e da sua disposição de se dedicar ao ministério sacerdotal da religião – porque o médium de Umbanda é o sacerdote da religião – para que, mais tarde, não venha a se ressentir de um acto praticado por simples entusiasmo ou por qualquer outro motivo que não se compatibilize com a prática.
A sua conduta no templo tem que ser a conducta do sacerdote sempre disposto a transformar em saúde e alegria, a dor e o sofrimento do próximo.
Fora do templo, nos locais públicos de trabalho profano onde quer que o levem seus interesses materiais, deverá estar o cidadão correcto, de moral , de conduta e práticas irreprováveis.
Jamais um verdadeiro médium umbandista deixará de cumprir o seu dever para se dedicar a atividades de lazer.
É aconselhável que o exame sugerido seja feito com o máximo critério, durante o preparo, porque da atividade mediúnica não decorrerá jamais qualquer paga ou retribuição, quer seja em dinheiro ou, indiretamente, através de presentes ou outra qualquer forma de retribuição.
Os benefícios auferidos são outros. É o sentimento do dever cumprido.
É a certeza de estarmos a serviço de Oxalá, socorrendo irmãos, usando a magnífica faculdade da mediunidade que nos foi concedida , como sublime forma de praticarmos o Bem, elevando nossos espíritos e abrindo-lhes créditos na contabilidade cármica.
E quanto mais forte se sentir o corpo, tanto mais o espírito se sentirá gratificado.
O exercício da função mediúnica na Umbanda é o sacerdócio que somente poderá ser exercido com eficiência, quando a opção pela missão religiosa tenha sido feita com tranquila consciência das pessoas que podem dedicar a vida ao bem-estar do próximo.
O procedimento correcto no templo, no decorrer dos trabalhos espirituais ou no atendimento ao público, sem distinção de raça ou credo religioso, a atuação harmoniosa no lar, com a família, a lealdade e a seriedade nos locais de trabalho e no relacionamento com os companheiros da vida terrena, são características indispensáveis ao médium.
Sobre as qualidades de mediunidade, sabemos que, a semiconsciente é a que encontramos com maior frequência. Quando referimo-nos a semiconsciência, não abrimos margem à intervenção do médium na comunicação do Guia ou à interferência do estado de espírito do aparelho, influenciando negativamente a mensagem transmitida
O médium não pode participar a não ser como veículo de comunicação, mantendo-se totalmente neutro ou, ainda melhor, alheio ao que está passando como intermediário entre a espiritualidade e o plano terreno.
A discrição do médium sobre os assuntos que sua semiconsciência pode registrar, durante a incorporação, é primordial no uso da faculdade mediúnica e tão importante quanto o segredo profissional do médico. O médium que refere a outro o que foi confiado ao Guia, incorre numa falha que prejudica a actuação da Entidade que se manifesta e abala a confiança do irmão que busca uma orientação ou uma palavra de conforto.
Poderíamos dizer que compete ao Guia corrigir o erro do aparelho, quando fora do alcance de sua vibração. Todavia, a responsabilidade do procedimento mediúnico, do cumprimento correcto da posição de mediador, cabe ao médium, que, por sua indiscrição, pela incapacidade de manter um segredo, os motivos que levaram o irmão ao Guia, põe em jogo a confiança neste depositada.
Não compete ao médium, também, relatar o êxito dos trabalhos desenvolvidos pela entidade de que é aparelho ou enaltecê-los. Todos nós sabemos dos resultados obtidos pela actuação do Caboclo, Preto-Velho, Exu, Criança etc., sempre positivos, visando constantemente restabelecer na mente do filho que os procura, a fé, a serenidade, a confiança de que os problemas que parecem insolúveis, virão a ter soluções aceitáveis, e que todos nós, vencendo com firmeza os obstáculos e nos empenhando pelo progresso espiritual, teremos condições de atingir nosso objetivo e cumprir correctamente a missão mediúnica.
 
TODO UMBANDISTA É ESPIRITUALIZADO ?
 
Desde tempos remotos, onde as religiões ainda estavam em formação, o Homem, indivíduo pensante, sempre esteve envolto em interesses espirituais e materiais.
Os primeiros consubstanciavam-se em preocupação com o próximo no sentido de mostrar-lhes o caminho a seguir em sua jornada de espírito encarnado, fixando na sua mente a importância dos ensinos Divinos junto a seus pares, e de que o amor, a compreensão e tantos outros sentimentos positivos deveriam ser a base para o progresso espiritual dos habitantes deste planeta.
De outro lado, existiam aqueles que encravavam este processo apenas como instrumento de se alcançar projetos materias, vale dizer, subjugação, enriquecimento, egocentrismo, status, e outros aspectos negativos que os fizessem perpétuos em suas ambições.
Na realidade observamos que actualmente ainda podemos detectar muitos focos destoantes, no caso, em nossa religião, pois muitos se dizem umbandistas só porque se vestem de branco, frequentam um terreiro e pior, dizem-se instrumentos de espíritos de "alta evolução".
Estes argumentos não resistem a uma avaliação pessoal e detida do perfil ético e moral de quem os proclama, e aí entra o fator Espiritualidade, onde deverá ser observada a coerência do que se fala e do que se pratica no quotidiano; se há no coração destes a intenção de ajudar o próximo, de querer ver a religião progredir, de prestigiar aqueles que, através de conhecimentos mais vastos, poderão dar continuidade a um terreiro, de perdoar, de se confraternizar, de enaltecer as qualidades de outrem, será concerteza mais um ponto para a Umbanda.
Ser espiritualiazado é revelar as virtudes e não falar dos defeitos alheios, é tentar melhorar-se moralmente, eticamente, intelectualmente.
Pobres daqueles que tendo conhecimento do âmbito da Umbanda, não aprenderam nada sobre a espiritualidade.
 
A CONDUTA NO TEMPLO DE UMBANDA
 
O sucesso dos trabalhos efetuados em uma sessão espiritual depende, em grande parte, da concentração e da postura de médiuns e assistentes presentes.
O Templo de Umbanda é um local sagrado, especialmente preparados para as actividades espirituais, e que têm sobre seus espaços uma cúpula espiritual responsável pelas diretrizes básicas de amparo, orientação e segurança daqueles que, ou buscam ali a solução ou o abrandamento de seus males, ou dos que emprestam sua estrutura física para servirem de veículos à prática do bem.
Apesar disto, alguns participantes julgam que, por tratar-se de culto de invocação, não se deve dar a devida atenção e respeito, sendo tais virtudes ausentes nestes indivíduos. Respeito, palavra que muitos bradam quando são contrariados, mas que cai no esquecimento daqueles que muito ofendem.
Temos visto, para nossa tristeza, que existem conversas paralelas, mexericos, algazarras, exibicionismos, bajulações etc., esquecendo-se que tais comportamentos atraem e "alimentam" os kiumbas, que, aproveitando-se das vibrações negativas emanadas por estas pessoas, desarmonizam e quebram a esfera fluídica positiva, comprometendo assim os trabalhos assistenciais.
Devemos lembrar que o silêncio e a pureza de pensamentos são essenciais ao exercício da fé.
Temos observado também que alguns assistentes, e mesmo alguns médiuns, dirigirem-se desrespeitosamente aos espíritos trabalhadores (Entidades). Debocham de suas características e duvidam de sua eficiência. Entretanto, quando passam por uma série de sofrimentos físicos e espirituais, recorrem àqueles mesmos espíritos que outrora foram alvos de sua indiferença. Restabelecidos, atribuem sua melhora ao acaso.
Devem, médiuns e assistentes, observar o silêncio e o pensamento em situações ou coisas que representem fluídos do bem. Este procedimento tem como consequência a irmanação energética com os espíritos, decorrendo daí o derramamento sobre o terreiro do elixir etéreo da paz e da fraternidade.
O que se consegue do mundo astral é, antes de tudo, fruto da bondade e do merecimento de cada um.
A conduta recta e positiva deve ser a tónica em uma agremiação umbandista, para que os Guias e Protetores possam instalar no mental e no coração de cada participante sementes de bondade, amor e proteção.
A homogeneidade de pensamentos é instrumento de poder do ser humano, rumo a concretização de seus desejos, sendo fundamental que se apresentem límpidos e sinceros num Casa de Umbanda.
 
ÉTICA NA UMBANDA
 
A Umbanda é uma Religião.  Isto é um facto.
A par dos princípios sadios e básicos que norteiam a religião, muitas pessoas, desde o início do culto, sempre pugnaram pela elevação da Umbanda nos mais diferentes aspectos. Entre eles, o cunho subjetivo (pessoal) sempre foi alvo das mais contundentes discussões.
Temas como moral, ética, conduta mediúnica etc., sempre foram objectos de polémicas, onde cada um por si, tenta fazer ver aos outros que tal ou qual conduta é certa ou errada.
No entanto, por trás destas discussões comportamentais, existem duas forças antagônicas degladiando-se incessantemente: a força da moral, dos bons costumes, da ética, da espiritualidade superior, da verdade; e a força da subjugação, da mentira, da permissividade, da parcialidade, da imoralidade.Na Umbanda, como em outros segmentos religiosos, há uma pluralidade de idéias, de ideais, um heterogeneidade de interesses em relação à religião. Existem aqueles que apenas servem-se ou tentam servir-se da religião para os seus próprios interesses.
Não esclarecem nem difundem os sublimes ensinamentos e metas do astral superior; pregam ritualísticas sem base, sem fundamentos; fazem do terreiro de Umbanda um circo, não discutem abertamente os problemas na religião, porque, se discutirem, colocarão sob avaliação as suas condutas distorcidas.
Outros mais corajosos e comprometidos com o aperfeiçoamento, estão sempre a comentar e orientar quanto aos fenômenos negativos que ora se apresentam, mostrando o caminho diante dos problemas emergentes.
A ética por exemplo, conjunto de princípios e deveres morais que o homem tem para com Deus e a sociedade, é um factor que deve preponderar em qualquer pessoa que queira ver a Umbanda fortalecer-se moralmente e intelectualmente. Para que tal progresso ocorra torna-se necessário trazermos à tona os focos destoantes do comportamento. A partir daí, veremos melhor quem são aqueles realmente comprometidos com as diretrizes de Oxalá. Visualisaremos também outros tantos que estão somente preocupados em sedimentar a obscuridade, a confusão, a permissividade.
Os verdadeiros umbandistas não temem discutir os aspectos subjetivos e materiais da religião, pois são sabedores que tal acção só melhorará a nossa religião, fazendo com que no futuro tenhamos uma Umbanda melhor, mais moralizado, mais elevado, de melhores médiuns e assistentes.
Quanto àqueles que insistem em esconder os problemas na religião, fazem-no porque, ocultando os focos destoantes, estarão camuflando as aberrações ético-morais de si mesmos, contaminados que estão de condutas que os costumes, o caráter e a honestidade sempre repeliram. 
 
NA UMBANDA TODOS SÃO IGUAIS
 
No meio das actividades espirito-materiais nos terreiros de Umbanda que pregam a igualdade, a fraternidade, o amor , um facto, dentre de muitos, nos chama à atenção.
Por isso mesmo, merece uma análise mais profunda e esclarecedora por parte daqueles que querem ver a Umbanda mais forte e coesa.
A Umbanda, assim como outros agrupamentos religiosos, é formada por pessoas das mais diferentes classes econômico-sociais e étnicas, que formam o que se denomina de meio religioso intercorrente.
Também é de conhecimento geral que, não obstante as pessoas terem profissões ou ofícios diferentes, todos deverão estar ali, naquele espaço, imbuídas da mesma finalidade: auxílio espiritual e material aos necessitados.
Faz-se então necessário traçar uma linha divisória entre o status que algumas pessoas possam ter em sociedade e o trabalho espiritual exercido pelas mesmas. Todos, independentemente dos títulos honoríficos ou profissionais que possam ter, deverão estar irmanados com aqueles que não puderam alcançar um estágio intelectual ou cultural mais elevado, no sentido de, juntos, poderem dar a sua cota de sacrifício em prol da Umbanda.
Com muito pesar, observamos que algumas pessoas ainda julgam a existência da bondade e do altruísmo pela riqueza material ou intelectual que alguns detêm. Não que bens ou cultura sejam nocivos; muito pelo contrário, se bem utilizados, são de grande valia para o progresso da humanidade.
Referimo-nos a médiuns que tratam de maneira diferente abastados e pobres; que tratam com pompa os que possuem títulos, desprezando aqueles que possuem quando muito a primeira classe; que dão atenção e mantém diálogos sómente com aqueles que têm automóvel novo e sucesso econômico.
A soberba, a vaidade, o orgulho, a ganância, o egocentrismo e a ambição doentia não deixam ver a estas pessoas que o que importa na Umbanda é o SER, será dizer, ser honesto, ser dedicado à religião, ser simples, ser humilde, e não o TER, ter títulos profissionais, carrões último modelo, mansões sumptuosas, e um belo saldo bancário. A religião jamais poderá ser utilizada como ferramenta de projeção social, bem como em complemento de sucesso profissional.
A Umbanda, esta elevada religião, foi criada no plano astral trazendo como carro-chefe os espíritos de índios e negros, duas das raças mais martirizadas do globo terrestre, e que, em última análise, representam a humildade, a dignidade, a sinceridade e o alto grau de espiritualidade, sentimentos e virtudes ainda ausentes em muitos corações. Na Umbanda não há lugar para ostentações terrenas, não há lugar para títulos materiais, tanto para espíritos quanto para médiuns e assistentes.
Na Umbanda não se manifestam espíritos com o rótulo de "doutores" ou "mestres", mas sim os esforçados e trabalhadores Caboclos, Pretos-Velhos, Exus, Crianças etc. que, seguindo as directrizes da espiritualidade superior, não medem esforços no sentido de auxiliarem os habitantes da Terra, encarnados ou não, a progredirem espiritualmente.
Que esta simples dissertação possa de alguma forma contribuir para que alguns irmãos umbandistas, ainda impressionados com títulos e posses terrenas, alcancem o verdadeiro sentido da palavra IGUALDADE, e assim colaborem para que cada vez mais a Umbanda possa se tornar, não uma religião de ricos e pobres; de doutores e proletários, mas sim em segmento religioso de irmãos, unidos por laços de amor e fraternidade.
 
VOCÊ É UMBANDISTA ?
 
Uma das questões de relevância dentro da comunidade umbandista diz respeito a se apontar, dentro de um raciocínio aplicável, a consciência do ser humano, se determinadas pessoas podem ser consideradas, de facto e de direito, como filhos da Corrente Astral de Umbanda.
Não queremos de forma alguma aplicar fórmulas matemáticas aos aspectos humanos, pois entendemos que cada um, dentro de seu estágio evolucional, tem uma maneira própria de se situar naquilo que conhece como religião, uma vez que os espíritos encarnados encontram-se em diferentes degraus da escala espírito-progressiva.
No entanto, é certo e racional que firmemos parâmetros básicos que possam nortear uma definição, se não perfeita, pelo menos razoável, no que diz respeito a ser ou não ser considerado umbandista.
Tais considerações racima referidas prendem-se ao facto de que, ao vivenciarmos o Movimento Umbandista, nos deparamos com situações (actos e factos) que nos impulsionam a repelir determinadas formas de pensamento e comportamento, incompatíveis com os fundamentos da Umbanda.
 
Será umbandista aquele indivíduo que faz caridade vinculada a favores posteriores, ou aquele que se promove para um lugar de destaque, promovendo o "toma lá, dá cá" ?
 
Será que pode ser considerado umbandista aquele que é cúmplice da escravidão religiosa, não esclarecendo aos enclausurados que só o conhecimento os libertará dos vendilhões do templo ?
 
Será que é considerado umbandista o indivíduo que se omite diante do comportamento distorcido de um irmão de fé, não o auxiliando a desprender-se de certos conceitos prejudiciais a sua evolução ?
 
Será que é umbandista aquele que, ao observar um irmão de fé com faculdades espirituais, morais, intelectuais e culturais que possam ser úteis para o progresso da Umbanda, ao invés de incentivá-lo a prosseguir, trata sorrateiramente de lhe "puxar o tapete" , com medo que sua imagem fique ofuscada, ou por inveja ?
 
Será que é umbandista aquele que valoriza as pessoas pelos títulos profissionais ou honoríficos e pelos bens que estas possuem, deixando em segundo plano os valores morais, éticos e espirituais ?
 
Será que é considerado umbandista o indivíduo que ganha notoriedade num templo através de conchavos, ou através da mostra do saldo de sua conta bancária, e que tenta a todo o custo ser o centro das atenções.
 
Será que tudo o que foi escrito até agora servirá de alerta e conselho, para que se regenerem e possam engrossar as fileiras dos verdadeiros filhos de Umbanda?
 
Esperamos que sim.
 
UMA VELHA HISTÓRIA
As sete lágrimas de um Preto Velho
 
No cantinho de um Terreiro, sentado num banquinho, pitando o seu cachimbo, um triste Preto-Velho chorava.
 
De seus olhos molhados, esquisitas lágrimas desciam-lhe pela face e, não sei porque, contei-as...
 
Foram sete, e na incontida vontade de saber, aproximei-me e interroguei-o:
- Fala Pai-Velho, diz a teu filho porque mostras assim uma tão visível dor?
E ele suavemente respondeu:
- Estás vendo esta multidão que entre e sai? As lágrimas contadas estão distribuídas a cada uma daquelas pessoas.
A primeira, dei a estes indiferentes que vêm aqui em busca de distração, na curiosidade de ver, bisbilhotar, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem entender...
A segunda, a estes eternos duvidosos que acreditam desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam...
A terceira, distribuí aos maus, àqueles que somente procuram a Umbanda em busca de vingança, desejando sempre prejudicar o semelhante...
A quarta, aos frios e calculistas, que sabem que existe uma força espiritual e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma, não conhecendo a palavra GRATIDÃO...
A quinta, aos que chegam suaves, têm riso e elogio na flor dos lábios, mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito: "Creio na Umbanda, nos teus Caboclos e nos Pretos-Velhos, mas somente se vencerem o meu caso ou me curarem disto ou daquilo..."
A sexta, eu dei aos fúteis que vão de Centro em Centro, não acreditando em nada, buscando aconchegos e conchavos. Seus olhos revelam um interesse diferente...
A sétima, meu filho, notas como foi grande e como deslizou pesada?
Foi a última lágrima, aquela que vive nos "OLHOS" de todos os "GUIAS ELEVADOS". Fiz doação desta aos médiuns vaidosos que somente aparecem no Centro em dia de festa, faltam às doutrinas, esquecem que existe tantos irmãos precisando de caridade, tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual...
Assim meu filho, foi para todos estes que viste cair, uma a uma, as SETE LÁGRIMAS DO PRETO VELHO.
Então, com minha alma em pranto, tornei a perguntar:
- Não tens mais nada a dizer Preto-Velho?
E daquela "Forma Velha", vi um véu caindo e um clarão intenso que ofuscava tanto, e ouvi mais uma vez...
- Mando a Luz de Minha Transfiguração para aqueles que pensam que estão esquecidos... eles formam a maior destas multidões.
São os HUMILDES, os SIMPLES. Estão na Umbanda pela Umbanda, na confiança, pela razão... São os FILHOS-DE-FÉ.
São também os Aparelhos, trabalhadores, silenciosos, cujas ferramentas chamam-se DOM e FÉ, e cujos "salários" de cada noite são pagos quase sempre com uma moeda, que traduz o seu valor numa única palavra... a INGRATIDÃO
 
Olhe bem para o que é Umbanda....!
 
AO CABOCLO
 
A vós que num passado recente, chegaste até a mim, ser imperfeito e fraco e me deste a alegria de ser vosso aparelho, eu dirijo esta homenagem.
 
Meu pai Caboclo, que com a vossa pujança e firmeza me fazes esquecer as agruras da vida diária. Que com a vossa vibração atenuas todas as minhas mágoas e sofrimentos.
 
Vós, meu Caboclo, que tão alto estás, tens a humildade suficiente de abaixar a vossa vibração para chegar a mim, vosso aparelho e a vossos filhos. Na serenidade de vossas palavras trazes a sabedoria milenar dos velhos sábios, que muitas vezes nós não conseguimos entender, por estarmos tão distantes da vossa sabedoria.
 
Vós que tens maneiras muitas vezes estranhas, de fazer-nos entender os acontecimentos.
 
Que sois, a luz que clareia a escuridão da noite, da minha ignorância terrena.
 
Na vossa presença sinto-me igual um grão de areia diante da imensidão do deserto. Vós que ostentas as mais variadas formas de apresentação, mas que em todas sempre transmites a beleza e a serenidade. Que com a vossa presença nas minhas horas más, em que muitas vezes sinto vontade de abandonar a luta, fazes com que me transforme novamente no mais audáz guerreiro.
 
Meu Pai, que a vossa vibração possa estar sempre comigo e com vossos filhos. Que possas conduzir-me para que eu possa desempenhar a missão que me foi outorgada. Que possas tornar os meus ouvidos surdos a maledicências, que faças dos meus lábios a porta onde possa sair somente vossos ensinamentos.
 
Que possas tornar a minha matéria suficientemente forte para a batalha contra os inimigos da espiritualidade. Que através da vossa sabedoria, os vossos filhos possam ter uma visão mais real da verdadeira espiritualidade.
 
QUEDAS E FRACASSOS DE MÉDIUNS
 
"É com grande triteza, que vimos, dentro de uma serena e acurada observação, quase que direta sobre pessoas e casos, testemunhando,constatando, como é grande o número de médiums fracassados ou decaídos e que é pior, sem termos visto ou sentido neles o menor desejo de reabilitação sincera, pautada na escoimação real de suas mazelas, de suas vaidades, de suas intransigências,etc... O que temos observado cuidadosamente na maioria desses médiums fracassados são tormentos de remorso, que,como chagas de fogo, queima-lhes a consciência, sem que eles tenham forças para se reeguer moralmente, pois se enterraram tanto no pântano do astral-inferior, se endividaram tanto com os "marginais do astral"que, dentro dessa situação, é difícil mesmo se libertar de suas garras... Isso porque o casamento de fluídos entre esse médiums fracassados e esses "marginais do astral " - os quiumbas - já se deu a tanto tempo, que o divórcio,a libertação se lhes apresenta dentro de tais condições de sofrimento, de tais impactos, ainda acresidos na renúncia indispensável a uma série de injunções, que o infeliz médium decaído prefere continuar com seus remorsos... Mas, situemos desde já, dentre os diversos meios pelos quais os médiums têm fracassado, os três aspectos principais ou os três pontos-vitais que os precipitam nos abismos de uma queda mediúnica etc. Ei-los:
 
1) A VAIDADE EXCESSIVA, que causa o empolgamento e lança o médium nos maiores desatinos, abrindo os seus canais medianímicos a toda sorte de influências negativas.
 
2) A AMBIÇÃO PELO DINHEIRO FÁCIL, exaltada pelo interesse que ele identifica nos "filhos-de-fé" em o agradar, em o presentear, para pedir favores, trabalhos, pontos, afirmações, que envolvem elementos materiais.
 
3) A PREDISPOSIÇÃO SENSUAL INCONTIDA, que lhe obscurece a razão, dada a facilidade que encontra no meio do elemento feminino ou masculino, que gira em torno de si por interesses vários e que comumente se deixa fascinar pelo "cartaz"de médium-chefe, babá, "chefe-de-terreiro", etc
 
Como a coisa começa a balançar a moral-mediúnica desses aparelhos?
 
A VAIDADE EXCESSIVA
 
O primeiro caso - o de vaidade excessiva: - uma criatura, homem ou mulher, tem o dom mediúnico. Naturalmente que o trouxe de berço, isto é, desde que se preparava para encarnar. Em certa altura de sua vida, manifesta-se a sua mediunidade. Eis que surge o protetor - caboblo ou preto-velho.Como no médium de fato da Corrente Astral de Umbanda a entidade também é de fato, é claro que ela faz coisas extraordinárias. Cura. Ajuda. Aconselha. Tem conhecimentos irrefutavéis...São tantos os casos positivos do protetor através da mediunidade do médium, que logo se forma em torno dele uma corrente de admiração, e de fanatismo também. A maioria dos elementos que o cercam, diante das coisas que vêem, são levados a agradar,a bajular e com essas coisas, inconscientemente, vão-lhe incentivando a vaidade latente. Isso de forma contínua.Devido a fortes predisposições à vaidade, começa por não dar muita atenção aos conselhos de suas entidades, não escuta as advertências que seu protetor vem fazendo...chega a ponto de se julgar o tal, quase um "pequeno-deus". Ele pensa que a força é dele...que o protetor é dele.O médium vai crescendo em gestos, em palavras, pois que todos se acostumam a acatá-lo em respeitoso silêncio, quando não,pelo medo ou por interesse próprio...Vai crescendo sua vaidade e logo começa a fazer exibições mediúnicas...Passa "trabalhar" sem estar corretamente mediunizado. Sua entidade protetora pode usar certos meios para manifestar seu desagrado, mas respeita também seu livre-arbítrio.Então, começam os desatinos, as bobagens e as confusões e respectiva falta de penetração nos casos e coisas. Começa a criar casos, a ter preferências e outras coisas mais. O ambiente de terreiro sai da tônica vibracional dos velhos tempos.
 
O pobre médium que fracassou pela excessiva vaidade no íntimo é um sofredor, muitos se desesperam com o viver da arte de representar os caboclos, os pretos-velhos,etc... Enfim, ser um "artista do mediunismo", tembém cança, porque a descrença é o "golpe de misericórdia" em suas almas.
 
Terceiro caso - a queda pelo fator sexo. Este é um dos aspectos mais escabrosos, um dos lados mais escusos e um dos mais d
publicado por Pai Pedro de Ogum às 09:18

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